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Fracos, fortes ou injustos, quem ganha?

Se depender dos palpites dos críticos de cinema de jornais, blogs e sites do País, o embate no Kodak Theatre será mais acirrado que a briga Obama versus Hillary rumo à Casa Branca. A equipe de O Grito! convidou gentilmente alguns deles e fez a seguinte pergunta: “Na sua opinião, quem leva a estatueta de melhor filme do Oscar 2008 e por quê?”. Confira abaixo as respostas.

Quem leva o Oscar de melhor filme na cerimônia de 2008 é Sangue Negro (There Will Be Blood, EUA, 2007), de Paul Thomas Anderson. O motivo é simples e tem menos a ver com as expectativas dos membros votantes da Academia de Artes e Ciências de Hollywood e mais com a qualidade da obra em si: trata-se de um filme magistral, um espetáculo visual de conteúdo denso e trabalhado em vários matizes por um diretor jovem, porém de assinatura inequívoca. E deve ganhar, também, o prêmio de melhor ator, posto que Daniel Day-Lewis, mais uma vez, elabora uma interpretação de intensidade incomparável.

Luciana Veras – Diario de Pernambuco (pernambuco.com/diario)

Para mim, quem leva são os irmãos Coen com Onde Os Fracos Não Têm Vez. É um filme cinematograficamente muito bem resolvido, que trata de valores antigos da América, que não fazem mais sentido no mundo contemporâneo. Daí a “secura” do ambiente, das falas, a economia no uso da música, etc. A linguagem está a serviço do que o filme “pensa”. Mais do que nos outros. Sangue Negro também seria uma alternativa válida, pois é um filmaço. Mas o dos Coen é mais cinema.

Luiz Zanin Oricchio – Estado de S. Paulo (estadão.com.br)

Meu palpite de melhor filme é para Sangue Negro. A obra de PT Anderson parece ser uma unanimidade e apresenta um personagem (o de Daniel Day-Lewis, que também deve ter êxito com a estatueta) e um enredo que dão margem para leituras que vão além do óbvio, sugerindo reflexão não só sobre a cultura norte-americana do self-made man, mas sobre a postura capitalista de um modo universal. Aliado a isso, temos um desenho técnico cinematográfico (fotografia, som, trilha sonora, montagem…) que oferece atrativos mais condizentes com o gosto dos mais de cinco mil votantes da Academia do que o conjunto dos outros quatro concorrente a melhor filme.

Luiz Joaquim – Folha de Pernambuco (cinemaescrito.com)

Pergunta muito difícil de responder. Mesmo. Sangue Negro e Onde Os Fracos Não Têm Vez são dois filmes sensacionais, mas não são de fácil digestão. Desejo e Reparação é bom, e tem a seu favor de soar tradicional em uma premiação que favorece a tradição em detrimento da autoralidade. O Oscar, como sabemos, não premia o melhor filme, então não será nenhuma surpresa se o azarão Desejo e Reparação levar. No entanto, fica aqui uma ponta de esperança pela justiça. E se houver justiça, Onde Os Fracos Não Têm Vez sai com Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado. Sangue Negro renderá o Oscar de Melhor Diretor para Paul Thomas Anderson, Melhor Ator para Daniel Day Lewis e Melhor Trilha Sonora para Jonny Greenwood.

Por quê? É mais difícil ainda justificar. Sangue Negro e Onde Os Fracos Não Têm Vez são filmes muito semelhantes, e se houvesse realmente justiça no mundo, ambos seriam eleitos Melhor Filme em um inédito empate na premiação. Como o empate é impossível, sou obrigado a apelar ao gosto pessoal, e nisso Onde
Os Fracos Não Têm Vez
me conquista mais, por retratar o tempo (de decadência) que estamos vivendo de forma arrebatadora. Se eu começar a me estender, vou começar a dizer que Sangue Negro também faz isso, e então não terei um ganhador. Por enquanto basta.
P.S.: Cate leva por I’m Not There e Juno ganha roteiro original. :)

Marcelo Costa – Scream & Yell (screamyell.com.br)

Gostaria de acreditar que a Academia vai ser justa e premiar Sangue Negro, o filme corajoso, maduro e pessimista de Paul Thomas Anderson, porém acho que Desejo e Reparação leva por ser mais palatável. É verdade que há dois anos o amargo (e fraco) Crash venceu Brokeback Mountain, mas Crash é um filme moralista, que prevê alguma possibilidade de redenção. Sangue Negro não: só o que fica é o vazio, a podridão, a relação cruel de Daniel Plainview consigo mesmo. Onde Os Fracos Não Têm Vez também é excelente, merece tranqüilamente o prêmio de direção.

Jonas Lopes – Gymnopedies (gymnopedies.blogspot.com)

Ratificando a lógica das indicações — que apontam uma perspectiva de mea-culpa, em torno de uma América do Norte convicta de tropeços e da imagem externa arranhada, Onde Os Fracos Não Têm Vez deve levar a estatueta, pela modernização de um gênero genuinamente americano: o faroeste. Ellen Page, de Juno, pela aguda empatia pode vir a ameaçar a esperada premiação da veterana Julie Christie, uma exuberante sexagenária que atravessa décadas no imaginário cinematográfico norte-americano. A categoria de atriz, porém, se revela a mais embolada, trazendo chances para Marion Cotillard (Piaf: Um Hino Ao Amor) que, com o forte apelo emocional, pode levar o segundo prêmio da história (depois de Sophia Loren) para uma protagonista que interpreta em língia estrangeira (ou seja, não-inglesa). Para ator, Daniel Day-Lewis, Sangue negro. Reconhecido com oito premiações de peso, o vencedor por Meu pé esquerdo personifica, no filme, a súmula de uma sociedade com valores egoístas e aproveitadores.

Ricardo Daehn – Correio Braziliense (correioweb.com.br)

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