Guardião de Manhattan por Cameron Stewart

OS SETE SOLDADOS DA VITÓRIA
Grant Morrison (texto), Vários (arte)
[Panini, 100 págs, R$6,90, Minissérie em 8 edições]

Nada parece fazer muito sentido em Sete Soldados da Vitória, que a Panini lança em 8 edições mensais. A única certeza que temos é que a mania de Grant Morrison, de resgatar personagens de quinta, dá muito certo numa indústria de quadrinhos confusa como a DC Comics.

A idéia da minissérie já é confusa em sua forma. Morrison pegou sete personagens e fez uma minissérie em quatro partes pra cada um: Bulleter, Cavaleiro Andante, Frankestein, Guardião de Manhattan, Klarion, Senhor Milagre e Zatanna. Antes, uma edição zero com quatro histórias e mais um especial para fechar. Aparentemente, não há nenhuma ligação entre todas as minis, já que os personagens não se encontram, não se conhecem, mas no fundo, tudo se interliga numa trama pra lá de complexa e que deixará o leitor confuso.

Esta é a maneira de trabalhar de Morrison, que confunde sofisticação com hermetismo. Adepto da Teoria do Caos, o escritor escocês foi responsável por clássicos dos quadrinhos a partir dos anos 1980, como Homem-Animal e Os Invisíveis, até encontrar o mainstream em ótimas fases com os X-Men (New X-Men). Sua idéia de desconstrução coloca os personagens em constante crise, mesmo que o trabalho para colocar tudo no lugar seja árduo. Por vezes acusado de complicar as tramas por pura questão de grife, Morrison trabalha de uma maneira que não abre concessão ao leitor, como se perguntasse a todo o momento, “você ainda está lendo isto?”.

Sete Soldados da Vitória coloca uma série de pontas soltas em suas primeiras edições, como os Sheedas, viagens no futuro, diálogos desconexos, muita ação versus muito diálogo, hipóteses e teorias sem muito sentido. Nas primeiras edições temos Zatanna, que ao invocar o homem de sua vida num feitiço, mata sete de seus companheiros místicos (o cara era um arauto do Apocalipse, mas ela não tinha como saber), agora a feitiçeira está fazendo terapia de grupo em reuniões de super-heróis com baixa auto-estima; a história de Klarion, o Menino-Bruxo que vive na Cidade Limbo; a luta do Cavaleiro Andante nas ruas de Los Angeles e na primeira edição, viagens no tempo, magia e violência.

É preciso, então, entrar no jogo, criar as próprias conspirações, interagir em fóruns da internet, à semelhança de séries como Lost. Mas a diferença reside no fato de que Morrison é mais complexo, pois não se limita a criar um joguinho de mistérios e sim mexer com conceitos diversos, desorganizando tudo, a trama, os enredos e mesmo os personagens.

Baseado num grupo da era de ouro, Sete Soldados da Vitória foi criado por Mort Weisinger e teve 14 aventuras publicadas pela All-American Comics (depois integrada à DC), a partir de 1941, na revista Leading Comics #1. Fazia parte do grupo personagens como Ricardito, Shining Knight, Sideral (Star Spangled-Kid) e Vigilante. Na visão de Morrison, os Sete possuem talentos e poderes que são a chave para a salvação do planeta, mesmo que nenhum deles saiba ao certo o que isso significa.

A Panini lançará a série em 8 edições mensais, de 100 páginas cada uma, totalizando mais de 700 páginas de quadrinhos, uma dos maiores projetos criativos da editora DC. A história contou com artistas diversos, mas o destaque vai para Simone Bianchi, revelada no mercado de HQ’s depois de Sete Soldados da Vitória. A edição cuidadosa traz introdução de Grant Morrison e textos explicativos. [Paulo Floro]

NOTA: 7,5

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