OS PEQUENOS GUARDIÕES É ESPETÁCULO VISUAL
Livro dos ratinhos cults causou frisson há dois anos nos EUA e agora chegam ao Brasil
Por Paulo Floro

OS PEQUENOS GUARDIÕES VOLUME 1 – NA BARRIGA DO MONSTRO E VOLUME 2 – NAS SOMBRAS
David Petersen (texto e arte) / Tradução: Tatiana Öri-Kovacs
[Conrad, 24 págs cada, R$ 12]

Finalmente chega ao Brasil a série indie Os Pequenos Guardiões, badalada dois anos atrás nos EUA quando ganhou diversos prêmios e foi recomendada pela Associação das Sociedades Americanas. A editora Conrad lança os dois primeiros volumes que contam a história da famosa Guarda, um grupo de bravos ratinhos que cuidam das fronteiras e das cidades.

A HQ é impressionante por diversos motivos, entre eles sua trama cheia de suspense e aventura, mas sobretudo pelo impacto visual que causa à primeira folheada. Ambientada na Idade Média, os desenhos são feitos numa escala pequena, mostrando detalhes de um mundo que não percebemos: dos ratos.

Peterson ilustra e ambienta os cenários com muita simplicidade ao mesmo tempo em que foca atenção nos detalhes. Sua perspectiva provoca um sentimento vouyerístico no leitor, observando um minúsculo universo. Saída criativa para a antropormização dos personagens, que não deixam seu ambiente, mesmo fazendo parte de uma complexa sociedade. É o rato mais realista de todos já utilizados nas HQs e filmes, como Mickey, Fievel, Super Mouse e até mesmo Maus, de Art Spielgeman.

É com esse apelo visual que Os Pequenos Guardiões agrada adultos e crianças. E não apenas os desenhos, o tom da história se assemelha a uma fábula tirada de antigos livros ilustrados de contos de fada. Simples, sem desbancar em obviedades e recursos dramáticos apelativos, o livro termina com o leitor seduzido por sua proposta imagética sofisticada.

No primeiro volume, os três ratinhos Saxon, Kenzie e Lieam vão resgatar um mercador de grãos que desapareceu no caminho para Barkstone. Eles descobrirão mais tarde que este mesmo rato está metido numa conspiração que envolve traidores da Guarda. A história segue num misto de mistério e aventura, com destaque para a luta dos três contra uma cobra. O único deslize fica por conta de algumas passagens clichê, como as frases de teor moralista entrecortando os quadros em algumas cenas (“Não importa contra o que se luta, mas pelo que se luta”). Nada que prejudique uma série tão cheia de boas – e novas – idéias.

NOTA: 8,5

+ SOBRE OS PEQUENOS GUARDIÕES
[+]
Baseado em histórias de fantasia, Os Pequenos Guardiões se revela uma das mais acertadas escolhas da Conrad, editora com o acervo mais diversificado entre as que vendem quadrinhos. Isto revela uma tendência das HQs como um todo, já que a série foi um sucesso de vendas, tendo três reedições apenas no primeiro volume.

[+] Não é à toa que os livros da Guarda fizeram sucesso entre as crianças, sem, necessariamente ser um livro para pimpolhos. David Petersen produz livros infantis, entre eles outro com ratos, The Mouse And The Cardinal, de 2004. Nenhum, no entanto teve lançamento em massa, sendo distribuído apenas como presente para amigos, familiares e sua esposa, Julia.

[+] Divididas por estações do ano, a série encerra em “Inverno 1152” e será ambientada antes do volume anterior. Mas Petersen já externou a vontade de continuar contando a história da Guarda, numa série mais longa.

[+] Prêmios vencidos pela série: Melhor HQ independente do ano (2006), pela revista Wizard; Melhor minissérie de 2006, pelo jornal canadense Metro News; Melhor HQ indie do ano (2006), pelo site de entretenimento IG.com; Melhor artista independente e Melhor estréia, pelo portal Broken Frontier, além da presença entre os dez melhores quadrinhos de 2006 em diversos sites e blogs como o jornal Logan Banner e o blog Loud Poet.

Sem mais artigos