Num ano cheio de bons lançamentos foi muito difícil ecolher os Melhores. Um apurado do que melhor aconteceu na Nona Arte, no ano em que tivemos HQ´s para todo mundo, de europeu à coreano. Na nossa lista de 20 melhores, não colocamos os livros de Sandman, que foi eleito pelo Grito ano passado como o melhor, pelo conjunto da obra. A explicação é necessária já que a obra máxima de Gaiman foi muito citada pelos convidados e colaboradores do Grito.

 

O Grito agradece a todos que gentilmente nos enviaram as listas pessoais de melhores quadrinhos (abaixo as listas de todos). Sem enrolar, o Top 20 do Grito!.

 


20
Invencível – Negócios de Família
Robert Kirkman e Cory Walker

Várias surpresas em um só lançamento. Primeiro, a estréia de uma nova editora, a HQ Maniacs, e outra que os leitores brasileiros puderam conhecer mais do trabalho do cult Robert Kirkman. Todas as histórias de super-heróis deveriam ser como Invencível.

 


19
Adolf
Osamu Tezuka

O mestre Tezuka teve um belo tratamento da Conrad neste que é seu trabalho mais realista. Depois de Buda, outra série monumental, Adolf aborda a história de três Hitlers, sendo um deles o famoso líder nazista. Um show de narrativa numa das mais belas histórias do Deus do Mangá.

 


18
Morte
Neil Gaiman e Vários Artistas

A mais cativante personagem do universo Sandman, Morte ganhou uma compilação de luxo da Conrad de suas duas mini-séries Morte – O Preço da Vida e Morte – O Grande Momento da Vida, lançadas pela Globo e Abril respectivamente. Com o já conhecido texto de Gaiman que vai do mórbido ao clássico em poucos quadros, este livro é item obrigatório em qualquer coleção Vertigo.

 


17
Fábulas – A Revolução dos Bichos
Bill Willingham e Mark Buckingham

Apesar da Devir não fazer jus aos títulos que publica, com redução de formato e preços abusivos, este série Fábulas merece seu lugar nos melhores, pois é uma das poucas a fazer sucesso depois de Sandman. O texto de Willingham também colabora, nesta história que bagunça a idéia que temos dos contos de fada.

 


16
Crise de Identidade
Brad Meltzer e Rags Morales

Mais do que Crise Infinita, esta série alterou a percepção do universo DC nestes tempos modernos. Esta verdadeira revolução proposta por Meltzer adicionou um realismo mórbido e depressivo nas histórias de super-heróis. Apesar do repúdio de alguns saudosistas, esta mini-série marcará para sempre os maiores super-heróis do mundo.

 


15
Chosen – Eleito do Senhor
Mark Millar e Peter Gross

Mark Millar sabe como provocar. Depois do sucesso de Wanted: Procurado, a Mythos lança esta boa edição de Chosen, que mostra o jovem Jodie Christianson com poderes de Jesus Cristo realizando milagres. A série polêmica só mostra o talento de Millar em atrair atenção e boas vendas (vide Supremos, logo abaixo), além do traço de Gross já ser cult nos EUA.

 


14
Os Supremos
Mark Millar e Brian Hitch

Uma das melhores séries de super-heróis já feitas. Da série Ultimate, esta versão realista dos Vingadores é um dos melhores trabalhos de Millar. Incrível como ele consegue adicionar novidades em personagens tão clássicos e ao mesmo tempo não deixar a narrativa lenta em nenhum momento. A revista Marvel Milenium: Homem-Aranha valeria apenas por esta série.

 


13
Mesa Para Dois
Fábio Moon e Gabriel Bá

Os irmãos Moon e Bá representam a linha de frente dos criativos (e infelizmente desconhecidos) artistas brasileiros. Conhecidos pela sua poesia urbana, este novo título conta a história de um escritor em crise. Famosos no underground, 2006 foi um grande ano para os dois, pois este ano publicaram no exterior, além de retornarem à Devir.

 


12
100%
Paul Pope

Paul Pope é reconhecido gênio dos quadrinhos americanos atuais, uma nova casta de autores a levar os comics para além dos padrões. Seu Batman: Ano Cem é uma das melhores histórias do Homem-Morcego desde Cavaleiro das Trevas, mas é em 100% onde Pope expressa seu talento com mais fúria. Lançado pela Vertigo, ganhou edição cara e luxuosa pela Opera Graphica, num trabalho que logo se tornará clássico.

 


11
Valentina 65-66
Guido Crepax

Musa intelectual do escritor Guido Crepax, falecido em 2003, Valentina se apresenta para uma nova geração de leitores. A sexualidade de Valentina, mesmo fora de contexto atualmente, é uma das maiores expressões criativas que os quadrinhos já experimentaram. Como se não bastasse o primor dos desenhos e dos textos de Crepax, a Conrad ainda lançou uma das edições mais bem produzidas do ano.

 


10
Os Jovens Vingadores
Allen Heinberg e Jim Cheung

Única série adolescente de super-heróis a explorar com sinceridade e criatividade o universo do jovem moderno, Jovens Vingadores surpreendeu o mercado ao apresentar novos personagens e mexer com temas pouco comuns nos quadrinhos como homossexualidade. Carismático, os heróis enfrentam perigos comuns a todo adolescente, além dos já batidos vilões. A série mais legal do ano, pra dizer o minimo.

 


09
O Incal
Alejandro Jodorowski e Moebius

A série Bórgia, junto com o desenhista Milo Manara, mostrou que o chileno Jodorowski é um primor em trabalhos magistrais, mas foi o Incal que fez do autor um dos maiores do mundo das graphic novels. A parceria foi certeira, já que Moebius é um conhecido amante das histórias de ficção científica. Lançado pela Devir, os dois albuns do Incal, influenciaram muitos dos escritores modernos das comics norte-americanas, de Grant Morrison a Warren Ellis, desde que foi lançado há 25 anos. Um clássico absoluto.

 


08
O Clic – 1
Milo Manara

De tantos trabalhos publicados do italiano Milo Manara, neste O Clic 1 está toda a essência deste mestre do erotismo moderno. Claudia Christiani, a personagem que resume e idealiza o pensamento libidinoso de Manara, é a protagonista dessa série, que já teve os dois volumes lançados pela Devir. Foi esta série que tornou famoso este escritor italiano e é por isso que ilustra este Melhores, num ano que pode ser reconhecido como o ano Manara dos grandes lançamentos.

 


07
Lobo Solitário
Kazuo Koike e Goseki Kojima

Os clássicos voltam ao lugar de destaque e respeito. Pela primeira vez publicada na íntegra e no formato original e com um tratamento à altura, o Lobo Solitário, publicado mensalmente pela Panini, conta a história de Itto Ogami, um samurai que traído e acusado de um crime que não cometeu, vaga pelo Japão Feudal. Violento e denso, têm em sua trama, política e dramas pessoais como nenhum outro mangá foi capaz de realizar.

 


06
Corto Maltese: A Balada do Mar Salgado
Hugo Pratt

Uma grande novidade, que movimentou o mercado editorial, foi a estréia da editora Pixel, que trouxe ótimos títulos com excelente acabamento. Pra entrar com o pé direito, a série do Corto Maltese, um clássico inconteste, finalmente será totalmente publicado no Brasil. Corto Maltese representa o ideal romântico como poucos escritores puderam criar, suas histórias, revivem as clássicas histórias de aventura, em busca do desconhecido, numa narrativa estonteante. Sempre foi caro acompanhar Corto, já que muitos dos títulos inéditos estavam em catálogo em editoras de Portugal, caríssimas. Agora, se podemos ter Sandman completo e luxuoso, outro clássico terá lugar em nossas prateleiras. O vida é feliz ou não é?

 


05
DC: A Nova Fronteira
Darwyn Cooke

Elegante e imperdível. Darwyn Cooke fez uma das maiores obras do Universo Dc neste novo século. Com um traço que mistura o design clássico dos grandes mestres da editora, sobretudo dos anos 1950, com o moderno traço estilizado dos desenhos animados da DC, Cooke fez um trabalho monumental, que é também uma homenagem aos grandes heróis da Terra. A Nova Fronteira mostra a Era de Prata da DC em todo seu glamour. Nos anos 1950, o senador Joseph McCarthy, em sua caça às bruxas, obriga os super-heróis a revelarem sua identidade ou cairem na clandestinidade. Após o fim da Segunda Guerra Mundial um novo momento surgia para o universo DC, e Cooke soube expressar isso muito bem, criando a atmosfera necessária para se compreender o momento. Mas não só o texto, como também a narrativa de Cooke, bem como a construção dos personegens. A Panini fez um dos seus melhores trabalhos, pois conseguiu lançar esta ótima edição por um preço bom, apesar de que talvez demore algum tempo para se estabelecer como imperdível.

 


04
Nausicaä do Vale do Vento
Hayao Miyasaki

Miyasaki escreveu um libelo sobre os danos causados pela industrialização em sua fábula sobre um mundo que reflete o horror de uma natureza violenta e trágica. A apresentação do mundo é perfeita, cheia de detalhes. Neste cenário vive Nausicaä, uma princesa que viverá aventuras nos sete volumes da saga, que sai do pequeno reino do Vale do Vento para enfrentar os perigos. Nausicaä além de destemida é irasciva, impaciente e teimosa, a construção dela e dos outros personegens também é ponto de destaque do livro. Miyasaki ficou famoso no Brasil pelos ótimos filmes A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, que já mostra sua habilidade em criar universos e cenários deslumbrantes. Outra característica é a capacidade do autor em criar fábulas, que também é destaque neste Nausicaä. Lançado pela Conrad, tem um tamanho grande, maior que os demais mangas da editora, que evidencia melhor os detalhes dos desenhos, além do papel amarelado e da capa com detalhes metalizados.

 


03
Aldebaran
Leo

Nunca vivemos um momento tão próspero e diversificado nos quadrinhos. Numa surpreendente reviravolta editorial, a Panini coloca nas bancas e livrarias vários títulos europeus. Um deles, o melhor, é Aldebaran, feito por um brasileiro, o carioca Luis Eduardo de Oliveira. Admirado na França, onde é conhecido como Leo, criou um mundo quase igual ao nosso, com a diferença que é quase todo aquático. Comparado com Moebius, Leo não poderia viver um momento melhor em sua carreira. Quase totalmente desconhecido no Brasil, o autor já frequentou listas de melhores na Europa. Com seu estilo sem muitas sombras, com muitos detalhes e ótimos planos, decerto Leo não fizesse muito sucesso por aqui, com um público bastante catequizado pelo estilo americano e japonês. Apesar da ótima iniciativa da Panini em disponibilizar esta ótima série européia, o alto custo da revista afasta possiveis leitores que se surpreenderiam com a história. A série bimestral, com papel de boa qualidade e 96 páginas custa R$ 22, um preço quase proibitivo em se tratando de uma série longa. Por mais 50 centavos, acompanhamos Nausicaä com um acabamento melhor. Questões financeiras e estratérgicas à parte, a qualidade artística de Aldebaran é inegável e o autor Leo é um dos maiores autores (auter) dos quadrinhos mundiais. Seja bem vindo.

 

02
OS SURPRENDENTES X-MEN
Josh Whedon e John Cassaday

As histórias dos X-Men atingiram um nível de redundância e vazio criativo tamanho, representado sobretudo pelo escritor Chuck Austen no comando de X-Men, o retorno de Chris Claremont e suas tramas cansativas recheadas de clichês e as péssimas histórias dos Novos Mutantes. No entanto, perdido no que foi chamado de Reload das séries mutantes, após o furacão chamado Grant Morrison, Os Surpreendentes X-Men é a única série que realmente vale a pena no lucrativo universo dos X-Men. Josh Whedom, famoso roteirista de séries de TV colocou os X-Men de volta aos colantes e adicionou diálogos certeiros. Somado a isso, temos a arte estonteante de John Cassaday, jovem desenhista, que finalmente desponta com esse trabalho. A dupla decidiu trabalhar com poucos personagens e criou uma série de tramas baseadas apenas na relação entre eles. A participação de Emma Frost, com sua tiradas ácidas são absurdas de ser ler. Kitty Pryde também está ótima em sua atuação. Uma série para entrar na história dos heróis mutantes. E para esquecer tanta besteira publicada também.

O que o Grito já disse [12 de Novembro de 2005]:

No entanto, a série indicada a vários prêmios, conseguiu se tornar uma das mais badaladas, e, além disso, teve a imensurável sorte de ter John Cassaday como desenhista. Cassaday é um desenhista que consegue passar um espírito de renovação aos traços. Detalhista, parece que os personagens nunca haviam sedo desenhados antes. (…) Leia mais

01
DEMOLIDOR
Brian Michael Bendis e Alex Maleev

É muito difícil se equiparar à uma série que revolucionou a narrativa dos quadrinhos americanos. Principalmente quando esta série é o Demolidor de Frank Miller. O Demolidor de Brian Bendis e Alex Maleev conseguiu inovar e criar uma excelente saga com o Homem Sem Medo. O que ele fez foi simples. Bendis modificou e bagunçou a vida do Demolidor. Revelou sua identidade, casou o herói com uma cega, se tornou o rei da cozinha do inferno. Também se utilizou dos elementos clássicos da cronologia do herói, tão bem delimitados por Frank Miller nos anos 1980. Alex Maleev, com seu estilo inconfundível, trouxe um ar soturno às histórias. Com técnicas que misturam pinturas e fotografia, criou um dos trabalhos mais belos nas comics já vistos. Bendis e Maleev inovaram nas narrativas nas inúmeras sagas que criaram. A Marvel concedeu liberdade criativa total à dupla, como se esperasse que fosse criada ali um verdadeira obra de arte. E foi. Era possível vermos uma história sem uma única aparição do Demolidor, ou até mesmo de Matt Murdoch, em outras, cenas de luta como nunca vistas na Marvel. Nada como se viu em quadrinhos convencionais. Sobretudo esse ano. O sucesso do Demolidor de Bendis, que merece ser lembrado como um salto criativo e ousado nas histórias em quadrinhos, coincidiu no Brasil com a criação da revista própria do Demolidor, que infelizmente foi cancelada este mês, com o fim da fase de Bendis e Maleev no título. Chegou ao fim junto com clássico que a sustentava.

O que o Grito já disse [17 de Setembro de 2006]:

(…) Bendis conhece muito de quadrinhos e sabe como transformar em clássicos, argumentos banais. Por isso, em suas histórias não temos apeteóticas cenas de ação, nem uma narrativa linear herói contra vilão. Bendis colocou o demônio numa encruzilhada, conflitando suas ações, e nunca entregando soluções fáceis aos leitores.
(…) Frank Miller redefiniu o personagem e praticamente criou seu universo sozinho. Bendis soube aproveitar isso muito bem, com a diferença que fez do Demolidor uma HQ de vanguarda, com um estilo inconfundível e criativo que não encontra parâmetro nas atuais séries. Demolidor não nutre similaridades com um gibi de super-heróis comum (…).
Leia mais

OS MELHORES DO ANO PELOS CONVIDADOS DO GRITO ESCOLHA DA CRÍTICA

MARKO AJDARIC [Neorama dos Quadrinhos]
1. Muiraquitã Especial
2. Destino Oeste
3. Alvo Humano
4. O Fotógragfo
5. Lazarus Ledd
6. Sr. T
7. Cidades Ilustradas, Ouro Preto
8. Recruta Zero, Ano 1
9. Aldebaran
10. Blueberry

ZÉ OLIBONI, DIEGO FIGUEIRA e EDUARDO NASI [Universo HQ e Pop Balões]

1- Corto Maltese: A Balada do Mar Salgado
2- DC: A Nova Fronteira
3- Sandman: Terra dos Sonhos
4- Invencível: Negócios de Família
5- Mesa para Dois
6- Mas ele diz que me ama
7- Blacksad
8- Maiores Clássicos DC: Alan Moore
9- Lobo Solitário
10- Goon: O Casca Grossa

ANDRÉA PERREIRA [HQ Maniacs]

1- Os Mortos-Vivos Vol. 2 – Caminhos Trilhados
2- Morte
3- Monster
4- Fábulas – Revolução dos Bichos
5- Estranhos no Paraíso – Inimigos Mortais
6- Ultra – Sete Dias
7- A Metamorfose de Lucius
8- Authority – Sob Nova Direção
9- Dead Boy Detectives
10- Bórgia Volume 2 – Poder e Incesto

MÁRIO CESAR [Mário, Mas Que Mário?]

1- Sandman – Fábulas e Reflexões
2- 100%
3- DC: A Nova Fronteira
4- Adolf
5- Demolidor
6- Lobo Solitário
7- Nausicaä do Vale do Vento
8- A Caixa de Areia
9- Os Supremos
10- Gotham City Contra o Crime

RICARDO MALTA [Videodrome]

1- As Aventuras do Capitão Presença
2- Chosen – O Eleito do Senhor
3- Authority – Sob Nova Direção
4- El Gaúcho
5- Homem-de-Ferro Extremis
6- Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor 1: Walt Simonson
7- Corto Maltese – Sob o Signo de Capricórnio
8- Grandes Clássicos DC # 6 – Lanterna/Arqueiro
9- Grandes Clássicos DC # 7 – Lanterna/Arqueiro
10- Grandes Clássicos DC # 8 – Superman – As Quatro Estações

LUIZ GUSTAVO SÁ (LUWIG) [The Pulse]

1- Os Surpreendentes X-Men
2- Lobo Solitário
3- Aldebararan
4- Crise de Identidade
5- DC: A Nova Fronteira
6- Demolidor
7- Homem de Ferro: Extremis
8- Homem-Aranha & Gata Negra
9- Os Supremos Vol.2
10- Capitão América

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