OS LEÕES DE VAUGHAN
Premiado escritor americano propõe em nova HQ uma eletrizante novela de ação e política
Por Talles Colatino

OS LEÕES DE BAGDÁ
Brian K. Vaughan (texto) e Niko Henrichon (arte)
[Panini, 140 páginas, R$ 19,90]
Tradução: Levi Trindade

O roteirista norte-americano Brian K. Vaughan vive seus dias de glória. Autor das premiadas graphic novels Y: O Último Homem e Ex-Machina, que figurou em várias listas como um dos melhores títulos de ficção de 2005, emplacou recentemente um roteiro original na DreamWorks, a comédia de ação intitulada Roundtable e ainda responde pelo cargo de Editor Executivo de Histórias do vertiginoso seriado televisivo Lost. E tudo isso de aconteceu três anos pra cá, fato que, literalmente, catapultou Vaughan para o cobiçado time de criadores ficcionais da indústria de entretenimento dos EUA. Mas isso, pelo menos pra Vaughan, não acontece de graça. E o que cofirma isso é o novo lançamento do moço aqui no Brasil, os quadrinhos Os Leões de Bagdá, que sai pela Panini.

Sob a premissa de que “liberdade não pode ser dada, somente conquistada”, o céu que cai sobre as cabeças de leões de zoológico em plena Bagdá bombardeada, abriga o enredo bastante sensível da graphic novel. Sensibilidade essa que chega em seus níveis máximos tanto pelo roteiro e diálogos bem acabados quanto pela arte extremamente expressionista, assinada pelo quase estreante Niko Henrichon. Baseada em fatos reais, Os Leões de Bagdá narra a história de quatro leões famintos que, durante um bombardeio dos EUA, na Guerra do Iraque, fogem de um zoológico em busca da liberdade que já viram um dia. O macho Zill, a leoa mais velha Safa, a jovem Noor e seu filhote Ali têm visões completamente diferentes do mundo que cerca o zoolóógico. Quando decidem sair, essa visões caem por terra, mediante todas as contradições que suas mentes encontram a cada “novo pedaço” de mundo cruel.

A profundidade do roteiro de Vaughman é marcada pela dualidade dos sentimentos que esses animais demonstram em relação aos seres humanos. Ao mesmo tempo que reconhecem os homens como seus carcereiros, sabem também que é por causa deles que vivem a boa vida que levam no zoológico. Isso segrega uma veia existencialista, que consegue transformar as angústias desses leões em sentimentos universais. Tentar compreender o mundo dentro de um panorama como a guerra, não é saudável nem para os reis da selva. Crítica bem contundente lançada por Vaughman, que sempre teve uma queda por questões políticas.

O título também surpreende pelas seqüências e, aqui, o mérito é todo de Henrichon. O primeiro bombardeio, ainda no zoológico, e a cena de uma briga brutal dos protagonistas com um urso aceleram o quesito “ação” da novela, em quadros bastante provocativos. Os traços ricos de detalhes e ao mesmo tempo magistralmente limpos, somados aos diálogos viscerais, fazem de Os Leões de Bagdá uma investida pesada, quase de guerra, nos títulos que chegam esse ano ao Brasil.

NOTA: 8,0

Sem mais artigos