INVENTÁRIO DO CINE-HORROR
Guia dos clichês do terror em filme do diretor estreante Bryan Bertino
Por André Azenha

OS ESTRANHOS
Bryan Bertino
[The Strangers, EUA, 2008]

A cena parece um déjà vu: casal apaixonado vai para casa vazia e afastada de qualquer centro urbano, e o que deveria ser uma noite feliz, se transforma numa tormenta. A idéia não é nada original, mas o suspense Os Estranhos (The Strangers, 2008), apesar dos clichês inerentes ao gênero, tem seus bons momentos.

O filme, estréia do diretor e roteirista Bryan Bertino (que havia feito pontas como ator em dois filmes e trabalhado como câmera em Xtracurricular, 2003) começa bem, ao mostrar o casal formado por Kristen (Liv Tyler) e James (Scott Speedman, de Anjos da Noite) chegando em clima de tristeza na casa vazia, especialmente preparada por ele para uma noite romântica. Horas antes o rapaz havia pedido a bela jovem em casamento, e ela disse não estar preparada para aceitar o compromisso.

Enquanto tentam se entender, uma garota bate na porta e pergunta por alguém que não mora lá. Os dois estranham a presença da garota e continuam a conversa. A seqüência de clichês começa quando ele a deixa sozinha no local, e conseqüentemente, em perigo. O primeiro susto acontece quando Kristen olha pela janela e se depara com uma pessoa mascarada. É o primeiro grito de uma longa noite. James retorna e com o tempo, eles descobrem que estão cercados pelos três “estranhos” do título, todos usando máscaras, em clara referência a filmes como Sexta-Feira 13 e O Massacre da Serra Elétrica.

Diferente desses dois clássicos do terror, os vilões da nova trama não estão dispostos a sair decepando os hóspedes logo no início. O que se trava é uma tortura psicológica, que faria do filme uma obra diferente, não fosse por frases desperdiçáveis como: “por que eles estão fazendo isso?”. Afinal, seria bem melhor deixar esse questionamento exclusivamente para a platéia, pois o mote do enredo não é entender a motivação dos invasores, e sim traçar um paralelo com a violência sem motivos (se assemelhando de certa forma até ao filme Violência Gratuita, de Michael Haneke) que assola o planeta.

Outro escorregão do roteiro de Bertino envolve a cena da chegada do melhor amigo de James a casa, quando é possível antecipar o que está prestes a acontecer.

Fora esses e outros pequenos deslizes, Os Estranhos acaba sendo um thriller que prende a atenção do público. Escudado por interpretações corretas dos protagonistas, tem vários momentos carregados de tensão e retrata a situação da violência americana, com o seguinte recado: um psicopata pode estar bem perto de você, caro espectador. É um filme com equívocos. Porém, quando acerta, acerta em cheio.

NOTA: 3,5


Trailer

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