MELHORES QUADRINHOS DA DÉCADA PUBLICADOS NO BRASIL
Editores da Revista O Grito! escolhem as melhores obras em arte sequencial lançadas no país

Edição e textos: Paulo Floro e Fernando de Albuquerque. Diagramação: Wagner Beethoven

30
PYONGYANG – UMA VIAGEM À COREIA DO NORTE
Guy Deslile
Este autor canadense retomou as “reportagens em quadrinhos” que tanto tiveram êxito nas mãos do americano Joe Sacco. Aqui ele adiciona ainda mais suas impressões e experiências particulares. É o que muitos estudiosos chamam de micro-história. A Zarabatana está lançando as obras de Deslile, como Shenzen, sobre a China. O autor também veio para o Brasil em 2009.



29
NAUSICÄÄ DO VALE DO VENTO
Hayao Miyazaki
Já tendo deixado seu nome no panteão dos grandes nomes do quadrinho japonês, Miyazaki ainda teve o timing para lançar este épico que envolve discussões sobre o meio-ambiente. Sua força, no entanto, está nos maravilhosos painéis e nos detalhes criados em seu mundo imaginário. Foi publicada em luxuosos volumes pela Conrad, aqui no Brasil.



28
FÁBULAS
Bill Willingham
Tida como mais uma a “sucessora” de Sandman, esta série da Vertigo fisgou leitores no mundo inteiro por conseguir criar um panteão de personagens bastante verossímeis fazendo uso de conhecidos nomes dos contos de fada. Willingham, ainda um nome de pouco peso, conseguiu dosar aventura e mistério com o nível de vanguarda que exige o selo adulto da DC. Aqui ganhou edições da Devir, Pixel e agora está na Panini.



27
CHIBATA
Hemetério e Olinto Gadelha
Trabalho monumental de pesquisa, esta HQ é uma das mais importantes já lançadas no Brasil pela força de sua história e a forma como foi contada. Os autores foram felizes por não ter muita condescendência com os personagens e darem aos leitores cenas cruas e fortes. Foi lançado pela Conrad, que acaba de lançar uma nova edição, com capa nova.


26
QUARTETO FANTÁSTICO 1 2 3 4
Grant Morrison e Jae Lee
A melhor história já escrita para o Quarteto Fantástico desde o final dos anos 1980 saiu da cabeça de Grant Morrison. Aqui, a personalidade dos integrantes do grupo são exploradas em diversas direções. Dismitifica também o mito da família cheia de sinergia com muito êxito ao deixar explícito todos os conflitos, todos muito possíveis. A arte de Jae Lee, delicada e ao mesmo tempo impactante, fez dessa minissérie um pequeno clássico. Saiu aqui sem muito zelo editorial, escondida na extinta revista Paladinos Marvel.



25
ALDEBARAN
Leo
O carioca Luís Eduardo de Oliveira precisou se mudar para a Europa para fazer sucesso nos quadrinhos. Esta HQ foi lançada na França, onde ele é conhecido apenas como Leo e fez muito sucesso. O quadrinhista criou um mundo completo, que dá título à obra,com fauna, flora, lugares, etc. Seu desenho casa com o estilo franco-belga e é uma das histórias mais inventivas da década. A Panini deixou incompleta a saga.



24
Y – O ÚLTIMO HOMEM
Brian K. Vaughn e Pia Guerra
A ideia original da série – sem explicação alguma, todos os machos do planeta são extintos, deixando apenas um único sobrevivente, um homem e seu macaco – não seria nada sem o bom roteiro que prende a atenção do público a cada edição. Funciona como uma série de TV viciante, onde o leitor se vê preso (pra não dizer perdido). Ainda aproveita para falar de política, ciência e sexo, tudo com humor. Teve edições caríssimas para um público restrito, pela extinta Opera Graphica. Agora, a Panini terminou por popularizá-la em encadernados em bancas.

23
MACANUDO
Liniers
Das pessoas descobrirem Liniers na internet a ele se tornar popular no Brasil, com dois livros lançados e uma tira na Folha de S. Paulo, foi muito pouco tempo. Ponto da Zarabatana, que acertou o tempo certo de trazer este autor argentino para cá. Suas tiras mostram pequenas epifanias cotidianas, o dia-a-dia de anônimos e temas tão subjetivos que, por vezes, faz o leitor parar em cada quadrinho e se emocionar.



22
DC – A NOVA FRONTEIRA
Darwyn Cooke
A despeito de todas as Crises complexas e intermináveis (alguns chamarão também de caça-níqueis), a DC sabe utilizar seu panteão de ícones. De cada cinco equívocos como Trindade, aparece uma obra como A Nova Fronteira. Como muitos outros autores já fizeram, Darwyn Cooke fez sua homenagem a esses heróis tão conhecidos, mas agora de uma maneira tão autoral como pouco é visto na indústria dos comics norte-americanos. Saiu em dois volumes pela Panini.



21
VAGABOND
Takehiko Inoue
A história ficcionalizada de Miyamoto Musashi fez sucesso no Brasil. Serviu também para popularizar o talento de seu autor, Takehiko Inoue, que também teve outro mangá seu, Slum Dunk, publicado no país. Vagabond conseguiu explorar novas técnicas no mangá, mesmo tendo tudo para fazer mais uma história convencional sobre heróis japoneses históricos. Teve bom tratamento editorial, tendo duas edições pela Conrad, uma em bancas e outra em formato livro. É de longe um dos mangás mais importantes desta década.

20
GRANDES ASTROS: SUPERMAN
Grant Morrison e Frank Quitely
Clássicos surgem de ideias simples, como este Grandes Astros: Superman. A dupla Morrison e Quitely decidiram apostar no que o personagem tem de mais icônico e fizeram uma HQ ágil, sem a prolixidade que ainda acomete as histórias de super-heróis. Tanto que a origem do Superman é contada em uma página apenas. Foi publicado como no original, em fascículos, pela Panini.



19
ISAAC – O PIRATA
Chistophe Blain
Destaque no festival Angoulême, Isaac – O Pirata, ganhou destaque no cenário internacional por ser uma obra que coloca sua força no texto, no enredo. Blain é um bom contador de história. Pena sua passagem pelas livrarias do Brasil, não ter tido tanto destaque. Seu traço é simples, quase desleixado, mas torna bastante expressivos seus personagens. A Conrad lançou os três primeiro volumes em um único livro, em 2007.

18
LOST GIRLS
Alan Moore e Melinda Gebbie
Aqui, Alan Moore e sua mulher foram até as últimas consequências em se tratando de uma obra que misturasse quadrinhos e sexo. Pra completar, se utilizaram de personagens clássicas dos contos de fada. Mesmo se tratando de um trabalho claramente experimental, desde os traços, parecidos com quadros antigos e ilustrações de livros infantis, Alan Moore é simples em descrever sua obra: uma HQ pornô.

17
10 PÃEZINHOS: CRÍTICA
Fábio Moon e Gabriel Bá
Os gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá foram até onde nenhum quadrinhista brasileiro jamais chegou em se tratando de relevância dentro do mercado americano de quadrinhos. E por sua própria dedicação e mérito. Suas obras, altamente subjetivas, se aproxima dos quadrinhos independentes dos EUA, que não se furtam em falar de si mesmos. Por seu pioneirismo e criatividade, já firmaram seus nomes, mas eles ainda abrem espaço para novos talentos das HQ’s, mesmo que indiretamente. Crítica é o melhor volume da série 10 Paezinhos, que saiu pela Devir.



16
FRACASSO DE PÚBLICO
Alex Robinson
Ninguém duvida que os anos 00 deram mais relevância aos quadrinhos que falam do cotidiano. Fracasso de Público venceu prêmios importantes, como o Eisner e o Grand Prix em Angoulême. Simplesmente falando da rotina de jovens adultos com todo seu tédio, pequenos problemas, discussões, sentimentos. A obra foi trazida pela novata Gal Editora.

15
O CHINÊS AMERICANO
Gene Luen Yang
Esta obra foi a primeira HQ a ser indicada para o National Book Awards e foi bastante elogiada nos EUA. Fala de racismo, infância e tradições. Inovou também nos desenhos e no formato utilizado para dispor os quadrinhos. No Brasil, recebeu bom tratamento da Quadrinhos na Cia, selo da gigante Companhia das Letras nas HQ’s.



14
PALESTINA – NA FAIXA DE GAZA
Joe Sacco
Clássico de um gênero ainda pouco compreendido e explorado, que são as reportagens em quadrinhos. Joe Sacco mostrou coragem nesta obra que mistura denúncia e frieza jornalística com certa indignação. Interessado em regiões em conflito, o autor americano ainda faria mais viagens ao redor do mundo para registrar até onde as pessoas

13
BLACK HOLE
Charles Burns
Burns fez uma das mais perturbadoras histórias em quadrinhos com adolescentes já vistas. Seu traço escuro e preciso revelou em tons sombrios toda uma geração entediada, pobre. Adicionou a isso temas como sexo, doença, medo ao falar de uma misteriosa mutação que acomete uma pequena cidade e que se transmite pelo ato sexual. Teve seus dois volumes publicados pela Conrad.



12
JIMMY CORRIGAN – O GAROTO MAIS ESPERTO DO MUNDO
Chris Ware
Esta HQ transformou Chris Ware no principal nome dos quadrinhos de vanguarda. Seus estudos estéticos chamam atenção pelo preciosismo. Também foi notório neste Jimmy Corrigan o tanto que ele explorou no formato dos quadrinhos, fazendo invenções e descobertas que deixam explícito o quanto  a arte sequencial tem suas próprias características.



11
SUPREMOS
Mark Millar e Brian Hitch
Se os supergrupos estavam precisando de uma renovação, Supremos foi a resposta. Ainda que outros exemplos, como Authority tenham feito sucesso e foram obras interessantes que renovaram o conceito do heroísmo, esta HQ de Millar é ainda mais curiosa. O motivo é que ela mexe com ícones do universo Marvel e dá roupagem contemporânea. Saiu pela Panini em diversos formatos, incluindo um em capa dura, luxuosa.

10
MESMO DELIVERY
Rafael Grampá
Foi esta HQ que colou os quadrinhos brasileiro no contexto da cultura pop, no final desta década. O traço e o roteiro de Rafael Grampá deram novo frescor ao quadrinho brasileiro. Também inovou nas referências, estilo, enfim dando uma nova guinada, o que o levou à diversas mesas literárias este ano. Mesmo Delivery também deu a Grampá a pecha de pessoa influente, por modificar todo um panorama que por anos estava caduco.



09
O VAMPIRO QUE RI
Suehiro Maruo
Nenhum mangaká, como são chamados os autores japoneses, foram tão radicais na forma e nas ideias do que Suehiro Maruo. Esta é sua obra mais emblemática, por trazer o cerne de suas características mais marcantes, como o horror e a sujeira que se esconde na mente das pessoas. Obra monumental, foi feita para leitores maduros ou com estômago forte.



08
RETALHOS
Craig Thompson
Ninguém tem dúvida que nestes últimos dez anos, os quadrinhos autobiográficos ditaram o tom das HQ’s autorais. Craig Thompson conseguiu falar de seu passado, como se fosse um acerto de contas consigo mesmo. Ganhou edição da Cia das Letras.

07
PERSÉPOLIS
Marjane Satrapi
Esta autora iraniana usou como cenários os acontecimentos em seu país natal nos últimos vinte anos. Mas a força desta obra está nas percepções suas e como esses sentimentos são explicitados nas páginas. Ganhou ainda animação, mas trata-se de um trabalho cuja força está mesmo na linguagem dos quadrinhos. Chegou por aqui pela Cia das Letras, primeiro em volumes, depois, numa única edição.

06
DEMOLIDOR
Brian Michael Bendis e Alex Maleev
Demolidor sempre foi um personagem de sorte. Tirando alguns poucos períodos, ele sempre teve bons roteiristas. Depois de Frank Miller, que deu ao herói uma personalidade e origem definitivas, Brian Michael Bendis explorou ainda mais ideias que sempre estiveram presentes, mas pouco utilizadas, como a relação de Matt Murdock e seu parceiro Foggy e até mesmo os romances. O texto é sofisticado e o lápis de Maleev mostra o intuito da dupla em fazer algo mais experimental. Com histórias sempre tensas, muitas vezes, o Demolidor não aparecia, mostrando que esta fase do personagem era tudo, menos convencional.

05
EPILÉPTICO
David B.
Outra obra autobiográfica. A diferença aqui é que este quadrinhista David B., decidiu fazer uma viagem mais surreal, onírica. É uma obra, portanto, cheia de nuances, em que o espetáculo visual serve para propor ao leitor uma maior intimidade com o personagem central dessas histórias. A Conrad lançou por aqui os dois volumes.

04
Fun Home
Alison Bechdel
HQ de rara sensibilidade, mostra a relação complexa entre uma menina e seu pai gay. Causou comoção durante seu lançamento e contribuiu para o aumento do interesse por quadrinhos entre um público não muito afeito. Alison contou detalhes de sua infância, descoberta da sexualidade e também detalhes íntimos de seu pai. Também chamaram atenção suas referências à obras literárias e mitologia. Saiu pela Conrad.



03
LAERTEVISÃO
Laerte
Isso já deveria ser notório: Laerte é o mais importante quadrinhista brasileiro vivo e após fazer uma carreira nas tiras de humor do Piratas do Tietê, está em sua melhor forma. Laertevisão conta pequenas histórias de sua infância e suas ligações com a televisão brasileira à época. É uma espécie de almanaque particular e também bastante emotivo. Com tiras surrealistas, experimentais, Laerte inova os quadrinhos e também se destaca como um dos artistas mais relevantes do Brasil. A cada tira, temos uma sensação de estranhamento. A Conrad lançou esta obra, mas um novo livro do autor irá sair pela Companhia das Letras.

02
UMBIGO SEM FUNDO
Dash Shaw
A relevância de Umbigo Sem Fundo, para alcançar uma posição de destaque na década é que esta HQ se trata de uma obra completa em muitos sentidos. Tem um enredo absurdamente simples, com diálogos verossímeis. É desconcertante por dizer tão pouco dos personagens e ao mesmo tempo nos expor às intimidades de cada um. Esteticamente, trata-se de uma obra de arte visual meticulosamente pensada. Os espaços em branco, as viradas de página, os balões, os cortes bruscos. Poucas pessoas conseguiram utilizar da linguagem dos quadrinhos com tanto êxito. Pra completar, a obra saiu no Brasil com edição caprichada, à altura do original.



01
PLANETARY
Warren Ellis e John Cassady
Ellis e Cassaday não são quadrinhistas unanimamente bons. Cada um tem altos e baixos na carreira, mas talvez não consigam superar o que fizeram em Planetary. Metalinguística, faz uma homenagem/referência a clássicos dos quadrinhos, de diversas editoras. Também mexe com literatura, mitos antigos, história. Mas isso nem é o mais importante. Nenhuma série foi tão além no argumento. A complexidade do roteiro que fala de segredos da humanidade levou a série a ganhar leitores fiéis, que esperaram quase uma década para acompanhar a publicação. É destaque também o modo como consegue falar de temas caros à esta década, levantando questões ainda não muito resolvidas ou pensadas à respeito. No meio de tudo isso, ainda consegue adicionar aventura às histórias – mesmo que alguns números seja preciso esforço por parte do leitor para prosseguir as páginas. No Brasil, era publicada pela Devir. Depois passou para a Pixel Magazine, que chegou a publicar o seu “final”, ou seja, a penúltima edição da série. Agora, seus direitos passaram à Panini. Fãs torcem que a série seja republicada do início, de preferência com textos explicativos para ninguém ficar voando.

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