SAMBA DA BENÇÃO
Em onze sambas deliciosos, a Orquestra Imperial faz um resgate estético de tempos áureos da música brasileira
Por Mariana Mandelli

Hoje são 19 integrantes dentro de um grupo que começou como uma brincadeira e sem maiores ambições. Em 2002, Berna Ceppas e Kassin tinham uma grande temporada de shows e a total liberdade da saudosa casa de shows Ballroom para montarem os espetáculos. Domenico Lancellotti somou-se a dupla e mais amigos foram chegando, o que culminou numa big band de sambas antigos. O que era para ser diversão acabou se transformando em trabalho sério. Do Ballroom, a Orquestra Imperial levou seus bailes para o Canecão, Claro Hall e Circo Voador, entre outros lugares cariocas de renome. Agora, a Orquestra chega às lojas de todo o Brasil com o álbum Carnaval só no que vem.

Além dos três, hoje fazem parte da Orquestra Imperial, Moreno Veloso, Rodrigo Amarante, Nina Becker, Thalma Freitas, Nelson Jacobina, Rubinho Jacobina, Bartolo, Pedro Sá, Max Sette, Bidu, Mauro Zacharias, Felipe Pinaud, Leo Monteiro, Bodão, Stephane San Juan Wilson das Neves. A banda já tocou com Caetano Veloso, Marcelo Camelo, Marisa Monte e Lobão. Seu Jorge foi um dos responsáveis pela criação da O.I., mas não faz mais parte do grupo.

Mesmo sem ele, o álbum consegue resgatar a música popular brasileira de maneira incrível. “O Mar e o Ar” abre o disco com a inconfundível voz de Amarante (Los Hermanos). A letra é uma poesia com um jeito mais praiano.

O vocal delicado e feminino tem vez nos versos ressentidos e magoados de “Não Foi em Vão”, na delicadeza de “Rue De Mes Souvenirs” e na romântica “De Um Amor Em Paz”. Já a ironia e o bom humor acham lugar em faixas como “Ereção”, “Yarusha Djaruba” e “Supermercado Do Amor”.

Sensualidade em “Jardim De Alah” e “Ela Rebola”, saudosismo em “Era Bom” (“Era bom pintar aquele sexo/ consumir nossa energia/ viajando pelos 7 cantos/ descobrindo a filosofia”) e puro Vinicius de Moraes em “Salamaleque”.
Carnaval só no que vem é uma gênese de bossa nova, samba-canção, marchinhas, gafieira, bolero, twist, batuque e soul. Vale pelo resgate das raízes musicais brasileiras e pela celebração da cultura popular. Afinal, como a banda mesmo diz, a festa da música, confete e serpentina não pode parar.

ORQUESTRA IMPERIAL
Carnaval só ano que vem
[Ping Pong Discos/Som Livre, 2007]

NOTA: 9,0

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