Foto: Divulgação

FREVO, BATUQUE E TCHÁ-TCHÁ-TCHÁ
Em CD de estréia, banda pernambucana promove fusão entre “Original Olinda Style” e ritmos afros e latinos
Por Gilberto Tenório

ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA
Orquestra Contemporânea de Olinda
[Som Livre, 2008]

Assim como várias bandas que nascem no eixo Olinda-Recife, a Orquestra Contemporânea de Olinda também surgiu meio “sem querer”. Resultado da junção de 12 músicos de origem bem distintas e vindos, na sua maioria, de outras bandas, o grupo faz uma criativa mistura de ritmos regionais, latinos e afros. No CD homônimo de estréia, que terá lançamento nacional pela gravadora Som Livre, a turma mostra muito mais do que o já inconfundível “Original Olinda Style” – termo difundido pelos conterrâneos da Eddie.

Esse primeiro trabalho é resultado da experiência dos integrantes da O.C.O. Formada na sua maioria por jovens músicos, mas que atuam na cena musical do Estado há vários anos, a turma mostra ousadia em introduzir instrumentos pouco usais, para não dizer quase esquecidos, como a tuba, na sua sonoridade. O produto da inventividade é a ótima “Ladeira”. Em “Brigitti”, os músicos se alinham a sonoridade mais pop e inserem um leve toque eletrônico à canção.

“Durante o carnaval”, umas das melhores canções do disco, é uma espécie de toada lírica que fala daquilo que os pernambucanos entendem muito bem: os amores carnavalescos. “Saúde” mistura black music e latinidade com o claro intuito de ferver os bailes nos quais a banda costuma tocar. A lista de boas músicas é enriquecida pelas regravações “Canto de Sereia”, de Oswaldo Nunes, e “Não interessa não”, de Luís Bittencourt.

A O.C.O. tem como sua base criativa os músicos Gilú (percussão), Tiné (voz), Maciel Salú (rabeca e voz), Hugo Gila (baixo e teclado), Raphael Beltrão (bateria) e Juliano Holanda (viola e guitarra). Contudo, a qualidade sonora da banda é complementada pelas participações do maestro Ivan do Espírito Santo (flauta, sax alto e barítono), regente da tradicional Orquestra Henrique Dias, e de alguns integrantes deste verdadeiro patrimônio musical olindense: Lúcio Henrique Vieira (sax alto), Luís Antônio Barbosa (trompete), José Abimael e Adriano Ferreira (trombones) e Alex Santana (tuba). A união de todos esses talentos resultou em um trabalho consistente, mostrando que a vitalidade da música pernambucana ainda resiste pós-mangue beat.

NOTA: 8,0

Canto da Sereia

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