Foto: Beto Figueirôa / Divulgação

OS MODERNOS DA CIDADE ALTA
Banda vive melhor momento da carreira, resgata memória afetiva de Olinda e anuncia que próximo disco será lançado em turnê dos EUA

Por Paulo Floro
Editor da Revista O Grito!

A ideia de juntar muita gente e fazer um som que aproximasse o melhor que a música popular de Pernambuco tinha com novas linguagens musicais deu origem à Orquestra Contemporânea de Olinda, grupo que desde o final de 2006 assume com maestria o vácuo deixado pela inovação promovida pelo movimento Mangue. A proposta se assemelha, já que a Orquestra tem um claro interesse de resgate, claro, com uma faceta pop. Com elogios do jornal The New York Times, este time de 10 músicos está de olho na carreira internacional e avisa: fazem nova turnê em janeiro de 2010.

“Minha ideia era juntar umas 15 pessoas, mas muitos acabaram saindo e ficamos com os 10 atuais”, diz Gilu Amaral, idealizador da banda. Foi esse tanto de gente que originou o nome “orquestra”. Outra referência do nome que ajuda a contar a história da banda é o fato de grande parte dos integrantes terem se formado no Grêmio Musical Henrique Dias, na rua de mesmo nome, na Cidade Alta, Olinda. O lugar estava abandonado, mas carregava em sua história a importância de ser um dos centros de formação musical mais antigos da cidade. “Quisemos trazer o grêmio de volta, era nossa ideia desde o início”, diz Gilu, que diferentemente da maioria dos integrantes não se formou nesse local. Atualmente, a escola fundada em 1954 e que não tem fins lucrativos foi retomada com força total, com aulas gratuitas aos sábados, e ganhou visibilidade com o trabalho da Orquestra. Isso gerou benesses, como a nomeação para Ponto de Cultura e transformação em Telecentro, com computadores e internet.

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Gilu guarda ligações afetivas com o grêmio, mas sua formação musical remonta grades nomes da cena cultural pernambucana. Tocou com Naná Vasconcelos, Maciel Salú, Silvério Pessoa, Otto, Renata Rosa entre muitos outros. Com eles, viajou por mais de 15 países, onde teve contato com o efervescente mercado de música para artistas brasileiros e de outros países fora do eixo anglo-saxão. Com a Orquestra Contemporânea, pode conhecer um novo nicho, os EUA.

Foi nos EUA que a banda passou a se tornar conhecida fora de seus arredores natais. “Vimos que lá havia uma possibilidade imensa, um público conhecedor de nossa música”, espanta-se. A banda excursionou por cinco estados norte-americanos. Em Washington, capital do País, tocaram para um público com média de idade por volta dos 50 anos ou mais, em uma espécie de teatro com acústica perfeita. Saíram ovacionados. A ideia dismistificou a percepção de que o público que curtia grupos brasileiros eram em sua maioria especialistas e iniciados. Com a Orquestra, há sim, o apelo pop. “Os americanos ficaram de cara, espantados, sobretudo com a qualidade. Nosso show tem muitos solos, diversos instrumentos, muito movimento, isso chama atenção”, disse Gilu. Ele ainda elencou alguns tipos de pessoas que curtem seu som, entre eles músicos, fãs de música brasileira, world music, e jovens amantes da boa música em geral. “O mais curioso é que eles não entendem a letra e curtem do mesmo jeito, sem problemas”.

O grupo volta aos EUA em janeiro, onde tem shows agendados. A banda mira claramente uma carreira internacional, e os elogios recebidos pelo grupo abalizam essa decisão. O trabalho que a banda vem fazendo todos esses anos, faz com que esse sucesso não tenha sido repentino. “Por mais que eu fique surpreso, esse sucesso não soa novidade. Foi para isso que sempre trabalhamos”. O grupo é um dos que mais circulou pelo país, com cerca de 80 shows só em 2008, época do lançamento de seu primeiro disco. No ano seguinte, foram indicados ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Regional Brasileira. Em tempos de internet, ainda conseguiram o feito de venderem cinco mil cópias quando estrearam, pela Som Livre.

E eles já pensam em músicas novas. O novo álbum deve sair em janeiro ou fevereiro do ano que vem para coincidir com a nova turnê pelos EUA e Europa. Ainda sem nome, deve ser mais dançante, e segundo Gilu, “mais maduro”. Pela trajetória que a Orquestra Contemporânea de Olinda percorreu em tão curto espaço de tempo, não temos dúvida.

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