COISAS BELAS E BELAS
por Paulo Floro

Jane Austen é mais uma vez revisitada neste belíssimo filme sobre a sociedade inglesa e suas nuances nem sempre bonitas. Elisabeth Bennet (Keira Knightley) ou apenas Lizzy é uma moça que vive em uma propriedade humilde com uma mãe casamenteira e neurótica que sonha com casamentos lucrativos para suas cinco filhas. Teimosa e com um temperamento apaixonante, para compor uma heroína nos moldes da escritora de Razão e Sensiblidade, Lizzy logo irá se opor a todo o sistema de casamentos que na verdade são jogadas diplomáticas que envolve dinheiro e poder entre as famílias. Tudo muda na pequena cidade quando um grande solteirão Sr Bingley (Simon Woods) decide passar uma temporada no local, junto de seu amigo, Sr Darcy (Matthew Macfadyen). Por conta de idéias pré-concebidas, Elisabeth irá nutrir uma relação de ódio e confusão sobre o amor expressado (e declarado) do Sr Darcy. Os dois ficarão juntos no final, como é óbvio em produtos deste tipo, mas o principal mote do filme é mostrar todos os enlaces da trama que envolve os sentimentos dos dois protagonistas. Orgulho e Preconceito é uma das obras mais completas a abordar sátira social, retrato de época (o figurino foi indicado ao Oscar) e romance. Os longos planos, exibindo a paisagem dos campos ingleses, tenta tornar tudo o mais belo possível, mesmo quando mostra cenários sujos e prosaicos. A própria Keira Knightley é filmada de maneira a explorar seus traços mais belos. A interpretação de Keira, passa longe do espantoso, é antes de mais nada funcional, correto. Já Matthew Macfadyen foi processado e embrulhado pra presente como um novo galã, novo saindo do forno. Todas as cenas em que aparece servem para reforçar esta imagem. O próprio sr Darcy é duro e sua fleuma é evidente e Matthew talvez não tenha tido tanta dificuldade para interpreta-lo. Destaque para a cena em que Darcy desconstrói sua aura de inacessível e se declara apaixonado por Elisabeth. A cena, olhem só, ocorre na chuva, outro recurso pra deixar tudo mais, como dizer…comovente.
Dirigido por Joe Wright, é um filme que não se envergonha de se utilizar de recursos batidos para contar uma boa história. Orgulho e Preconceito é esperto, sabe que pode abordar uma leve sátira aos costumes e à sociedade inglesa sem abrir mão de um filme-entretenimento. E sabe que pode falar de temas como amor, romance entre um galã e uma nova estrela de Hollywood sem precisar ser superficial. Em duas horas de projeção, o longa não tem um ponto baixo, prendendo a atenção do espectador com suas várias reviravoltas. Só fica abaixo de 8 por que não teve beijo no final. (mas aí quem está sendo fútil sou eu…)

ORGULHO E PRECONCEITO
(Pride And Prejudice, ING 2005)
Dir: Joe Wright
NOTA:: 7,8

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