Fairey, o artista que criou este emblemático poster e não ganhou um centavo: “meu maior lucro está em ajudar a eleger Obama”

A MEMORABILIA POP DE OBAMA
Casa Branca tenta limitar a exploração da mais carismático presidente dos EUA. Mas como driblar o entusiasmo global da “Obamania”?
Por Joana Coccarelli, colunista d’O Grito!

Até tomar posse, o candidato democrata e presidente estadunidense eleito Barack Obama foi alvo de uma campanha espontânea de apoio, tanto por parte de artistas quanto de capitalistas ianques. O povo estava cansado da humilhante ação da corja de Bush filho no cenário internacional. Mais que isso: era hora de atualizar os Estados Unidos para o novíssimo mundo que ele próprio, e principalmente, havia ajudado a formar. Essa coisa multiétnica, nômade, ao mesmo tempo com profundos abismos religiosos, à beira de catástrofes ambientais. Na cor, traços do rosto, trajetória, programa de governo e no próprio nome, Obama parecia assinar – será que um dia deixará de parecer? – todas essas características. O suporte a Obama engoliu o mundo. Se outros países pudessem votar no homem, seria ele.

A chamada “obamania” se fez nesse clima. Além da clássica edição da Rolling Stone, quem muito bem expressou a motivação por trás do fenômeno é o designer e ativista de rua Shepard Fairey, que criou o mais emblemático pôster da campanha do então candidato – e não ganhou um centavo por isso. Ao ser perguntado se não estava chateado, Fairey riu e disse que o grande lucro estava em ajudar a eleger Obama.

Evidentemente, Fairey é uma pequena parcela do todo. Muitos não fizeram dinheiro e não tinham nenhum nobre ideal para alardear. É o caso do ObamIconMe, onde o internauta envia uma foto e consegue uma versão customizada do pôster criado pelo designer. Também há o Super Obama World, paródia com o jogo Super Mario Bros. No entanto, a maioria esmagadora da mania faturou cifras. O exemplo mais trivial de qualquer memorabilia, bonecos, não se limitou a Obama: suas filhas Sasha e Malia ganharam versões de brinquedo – que logo precisaram ser rebatizadas, a pedido da mãe Michelle.

Apesar da posse, obviedades outras, como botons, camisetas, adesivos e máscaras ainda fazem a alegria de empreendedores de ocasião. A última novidade é uma lava lamp de Obama – e talvez seja mesmo a última. Advogados da Casa Branca acabam de anunciar uma cruzada contra a exploração da imagem do presidente, “mas sem abalar o impressionante entusiasmo do público tem por ele”. Num mundo que vive o modelo de mercado estadunidense, será possível dissociar uma coisa da outra?

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