APENAS UM BOM ESPETÁCULO
Baseado em HQ de Mark Millar, filme repete chavões do cinema de ação recente
Por Lidianne Andrade

O PROCURADO
Timur Bekmambetov
[Wanted, EUA, 2008]

Um jovem vivendo uma vida ordinária e sem perspectiva, com amigos que não o respeitam e amores frustrados. Segue uma rotina fixa de apagão social, mas, de súbito, uma grande revelação: com uma picada de aranha ou uma mudança extrema no humor – geralmente a raiva é o sentimento desencadeante – descobre ter super poderes. Parece familiar? É porque é. O trecho acima é o enredo clássico de toda história de um super cara, aquele que vai sair do marasmo e virar a “bola da vez”. Desta vez, trata-se do matador Wesley, personagem de James McAvoy em O Procurado, nos cinemas nacionais desde a última sexta-feira, com direção do russo Timur Bekmambetov.

Baseado em quadrinho homônimo, o filme conta a história de Wesley Gibson, um pobre contador sem vida social e patético ao ponto de emprestar dinheiro para o colega pagar a camisinha que vai usar para lhe colocar gaia com a namorada. Aparentemente sofrendo de síndrome do pânico, tortura-se ao conviver com uma supervisora mal amada, recorrendo a medicamentos controlados durante as crises esporádicas. A personagem tem sua vida modificada no caixa de um supermercado, quando é encontrado por Fox (Angelina Jolie), uma matadora da Fraternidade dos Matadores, dando-lhe o destino correto, chefiada pelo misterioso Sloan (Morgan Freeman), chefe da fraternidade.

O Procurado tenta sem sucesso ser um filme com final moral e ético, com perdão dos bandidos e justificativa da maldade humana, desfecho muito bem alcançado em V de Vingança, diga-se de passagem, porém distante deste. Como moral, não passa de um dramalhão de um pivete que descobre ter poder para matar quem quer, na superação de si próprio e parece não ter aprendido nada no final, tornando-se tão cruel quanto o meio, aparentando um equívoco de roteiro. No entanto, é inegável que se trata de um ótimo filme de ação. Para quem não enjoou de assistir Angelina Jolie portando armas e roupas sexy para bater em marmanjos, o longa traz ótimas seqüências de perseguição policial, com carros novíssimos estourados em rodovia e um belo casamento entre cena e trilha sonora nos melhores momentos.

Infelizmente, abusa dos efeitos especiais básicos em muitos momentos, como o “slow” de troca de balas ou momentos de pânico da personagem, que não são poucos, causando um cansaço visual no que o filme tem de mais interessante. O Procurado é um filme para ser vistos sem preconceito realista. É preciso aceitar que balas podem ser vistas a olho nu, ossos se reconstroem em horas em um banho milagroso, atiradores matam para salvar a humanidade e uma mulher pode dirigir um carro deitada no capô apenas com os pés na direção. Surpresa o uso repetido de tantos artifícios de blockbusters de ação vir de Timur Bekmambetov (Guardiães de Noite e Guardiães do Dia), com estréia na direção em Hollywood.

Alguns sentimentos incomodam, como apoiar todo o elenco na presença da musa Angelia Jolie e no consagrado Morgan Freeman, em ótima presença de cena. Romance, apenas insinuações. Mortes são muitas, dando ao filme a censura 18 anos no Brasil e com certeza trazendo salas cheias nos multiplex. Para uma adaptação de um dos quadrinhos mais violentos e impactantes dos últimos anos, se esperava um filme feito menos no piloto automático.

NOTA: 5,0

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