Autor de Kick-Ass expõe a violência que existe no cotidiano e nas pessoas comuns

Do Editor da Revista O Grito!, no Recife

Para quem acompanha o trabalho de Mark Millar, Kick-Ass não é nenhuma surpresa. Mas, outros poderão dizer que trata-se de sua obra mais representativa. Desde que o autor entrou no mercado norte-americano de quadrinhos, ele tem chocado leitores e executivos de editoras como Marvel e DC, em histórias repletas de violência.

O mundo de Millar é cheio de cinismo, um desdém por tudo que é baseado em convenções. Não à toa, seus personagens são vítimas desse sistema, cheio de pequenos detalhes que oprimem que vivem na segurança de uma vida mediana. Para os heróis da Marvel, ele tirou o manto da alienação. Mesmo tendo super-poderes, é impossível estar alheio às transformações do mundo.

Guerra Civil, onde o conceito de heróis e vilões ficou confuso, Millar colocou os personagens num mundo real, onde política e poder influenciam a vida de todos, tendo poderes ou não. Na trama, publicada no Brasil pela Panini na forma de minissérie, uma lei de registro de superseres opõem os principais nomes da Marvel em lados opostos, como Capitão América e Homem de Ferro, o que faz com que muitos caiam na ilegalidade.

O autor escocês tem uma visão muito particular dos super-heróis. Ele os desconstrói, ao mesmo tempo em que reforça a admiração por esses personagens que usam roupas coloridas e tem poderes especiais. Authority, do selo Wildstorm da DC Comics, é um super-grupo que decidiu se transformar numa espécie de força paramilitar. Millar responde perguntas óbvias e nisso reside sua genialidade: porque pessoas com poderes extremos precisa se dobrar às leis e regras da sociedade? Com isso, põe em xeque um altruísmo sem muito realismo dos heróis que conhecemos.

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Outra obra de Millar foi adaptada para os cinemas, Procurado, estrelado por John McAvoy e Angelina Jolie. Ao contrário de Kick-Ass, este filme nem mesmo se aproxima do teor violento das HQs. As obras mais autorais de Millar escondem um claro interesse de expor a violência que existe no cotidiano, nas pessoas comuns. Algo parecido acontece em Chosen – O Escolhido do Senhor, publicado por aqui pela Mythos e que fala da atuação do Jesus americano. A série, controversa, chegou a ser duramente criticada.

Vaughn chegou a cogitar adaptá-la aos cinemas, mas decidiu fazer Kick-Ass primeiro. O filme e quadrinho foram feitos quase simultaneamente e reforçam o poder que a transmediação (uma mesma obra presente em diversas mídias) tem na Hollywood atual. Depois da hostilidade por parte de investidores e estúdios, Vaughn, já decidiu fazer uma continuação do filme. [Paulo Floro]

PRINCIPAIS OBRAS DE MARK MILLAR NO BRASIL (ALÉM DE KICK-ASS)

Authority
Depois de uma complicada cronologia por editoras como Devir (que lançou a série em encadernados) e Pixel (em bancas, na forma de revistas especiais), o supergrupo pode ganhar uma nova vida pela Panini, que adquiriu os direitos. Presta uma homenagem aos heróis clássicos como Liga da Justiça.

Ultimate X-Men
Foi publicada na extinta revista mensal Marvel Millenium: Homem Aranha. Mostra a versão dos mutantes no universo ultimate, versão mais realista da tradicional cronologia marvel.

Supremos
Outra boa história de Millar, é a versão ultimate dos Vingadores. A série ganhou prêmios e teve tratamento de luxo, dada a importância da obra, aqui no Brasil.

Wanted – Procurado
A Mythos lançou as três edições da série em bancas e por pouco quase passa despercebido. É Millar em estado puro, falando de um grupo de vilões que destruíram todos os herois da Terra. Teve uma péssima adaptação para os cinemas.

Chosen – Escolhido do Senhor
Ganhou um encadernado em bancas pela Mythos. É uma obra que Millar usou para mexer com a religião. O autor já disse que espera transformar numa trilogia. Deve ser a próxima obra a ir aos cinemas.

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