ADORÁVEL VAMPIRO
Recluso, Dalton Trevisan lança novo livro de contos e confirma o prestígio entre fãs

O MANÍACO DO OLHO VERDE
Dalton Trevisan
[Editora Record, 128 páginas]

Avesso a entrevistas, o escritor curitibano Dalton Trevisan coleciona uma legião de fãs que cresce proporcional a sua aparente timidez. Quanto mais se recusa a aparecer, mais ansiosos por sua próxima obra crítica e público se tornam. E de fato, eles não irão se decepcionar com o inédito O Maníaco do Olho Verde, que chegou às livrarias na última sexta-feira, pela Record.

Para os fãs, o livro é um grato presente. Para os que ainda não são, é uma excelente iniciação à obra de um dos maiores escritores brasileiros. Em 26 contos, com uma linguagem mordaz e diálogos insólitos, o livro reúne o melhor do estilo enigmático e enxuto do autor. Vencedor do Prêmio Portugal Telecom 2003 com Pico na Veia, Dalton prova, a cada novo trabalho, porque é um dos mais renomados contistas brasileiros contemporâneos.

O Maníaco do Olho Verde é composto por textos enxutos que retratam a realidade e a condição humana, onde a miséria, o desemprego e o desespero diante da desesperança provocam humilhações, medo, amargura e exploração sexual. Pelas páginas do livro passeiam noivos pernetas, prostitutas, ladrões, assassinos, pessoas humildes, marginalizadas, sem oportunidade ou opção.

O tal maníaco , que dá nome a um dos contos e ao livro, é um homem normal a não ser por uma estranha fixação: sexo. Doença ou tara, o fato é que bastava ser mulher para atrair seus assustadores olhos verdes: “Me diga. Que culpa tenho eu? Assim fui nascido. Simples capricho do Senhor Deus. Sei lá, o mau sangue dos pais. Uma praga do capeta desgracido. Podem me condenar, babacas e bundões. O que eu faço? Tudo o que vocês gostariam. Eu sou um de vocês”.

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