Foto: Divulgação.

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Primeira série bilíngue da HBO aposta na narrativa criminal e ganha espaço interativo em shopping de São Paulo

Por Luiza Lusvarghi

As narrativas criminais são na atualidade um nicho estratégico atrativo tanto para os grandes grupos de mídia locais, quanto internacionais. O modelo de coprodução que associa empresas independentes a grandes grupos de mídia contribui para reformular estratégias de engajamento da audiência e influenciar os modelos narrativos, impactados pelas inovações trazidas pelas plataformas de streaming e grupos como Amazon e Netflix.

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As novas séries não narram a nação, como a telenovela, e sim uma realidade que é transnacional, e que se espelha na tradição narrativa do cinema mundial. Desta forma, acaba por atualizar os gêneros nos quais se baseou e concorre para criar um imaginário que é latino-americano, e não mais apenas local.

A série O Hipnotizador (El Hipnotizador) (2015), da HBO Latin America, protagonizada por Leonardo Sbaraglia (Relatos Selvagens, Plata Quemada), no papel do hipnotizador Natalio Arenas, é baseada na história em quadrinhos homônima, de autoria de Pablo De Santis, e realizada em sistema de coprodução, envolvendo atores argentinos, uruguaios, portugueses, espanhóis e brasileiros.

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O interculturalismo da produção, falada em português e castelhano, surge aqui emoldurado por um cenário fantástico de fim de século, gravado na cidade de Montevidéu, no Uruguai, com tecnologia 4K, e uma campanha de marketing completamente voltada para a internacionalização da obra. A pós-produção e os efeitos especiais, bem como a trilha sonora, foram criados exclusivamente para a série, contribuindo para criar a atmosfera fantástica do hotel gerenciado por Salineras (Cesar Troncoso). O lançamento no Brasil, em agosto, foi precedido pela inauguração do espaço interativo “O Hipnotizador – Hipno Experience”, no Shopping Cidade São Paulo.

A série foi produzida pela HBO Latin America Originals, em parceria com a produtora RT Features. El Hipnotizador representa uma nova etapa dentro do processo de constituição de um mercado regional em um ambiente de convergência, e para isso utiliza recursos de narrativas complexas, referências da cinematografia contemporânea, unindo características de séries investigativas, thrillers de suspense e fantásticas para criar uma obra híbrida, nos moldes pensados por Canclini.

Foto: Luiza Lusvarghi para a Revista O Grito!.

Foto: Luiza Lusvarghi para a Revista O Grito!.

O ambiente interativo da série O Hipnotizador fica no segundo andar do novo Shopping Cidade de São Paulo, recém-inaugurado. A equipe que recepciona os visitantes é muito simpática, e logo à entrada, em que se vê projetada uma imagem do episódio com Chico Diaz, o vilão Darek da série, a recepcionista explica que vamos conhecer parte dos cenários da nova série.

O segundo ambiente é a sala de Arenas, o personagem enigmático de Leonardo Sbaraglia que protagoniza a série, em que os móveis se encontram colocados no teto, como se estivéssemos flutuando. A sala seguinte, a dos espelhos, dá inicialmente a sensação de que vamos saltar para o vazio, de uma grande altura. Depois, o visitante é convidado a tirar uma foto em que vai aparecer levitando, com fundo falso.

Às fotografias se sucede um ambiente que lembra a exposição da obra de Kubrick, em que cada porta revela uma interface da obra – a camareira Anita (Bianca Comparato), imagens do primeiro episódio em que uma voluntária da plateia, que tem pesadelos com um homem-pássaro, se vê criança caminhando pela floresta enevoada. Após esses ambientes, quem quiser pode participar do game, que consiste em ser trancado em uma sala com algumas pistas de como encontrar a saída.

Se após 10 minutos a pessoa não consegue desvendar o mistério, é liberada e pode seguir para a última instalação, uma réplica do teatro Rex, onde Arenas é atração, ao lado de dançarinas, videntes, e onde se passa boa parte da história. São exibidos vídeos com o making off da série, e as pessoas podem ser servir de café e lanche.

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