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EM XEQUE-MATE
Tragédia pessoal é o tema que norteia O Escafandro e a Borboleta, uma produção franco-inglesa que, agora, só pode ser conferida em DVD
Por Fernando de Albuquerque com Agências

Em cartaz no Brasil (leia-se aí apenas o eixo sul) desde o ano passado, O Escafandro e a Borboleta, é baseado no livro do jornalista Jean-Dominique Bauby, editor-chefe da revista Elle, publicado em 1997. No livro Jean-Dominique relata as agruras de movimentar apenas o olho esquerdo devido a um acidente vascular cerebral sofrido ainda em 1995. O mesmo o colocou em coma deteriorando todas suas funções cerebrais e fazendo de seu olho o único vínculo com o mundo externo, com as pessoas e com a vida.

Jean-Dominique não falava e ao movimentar a pálpebra esquerda (já que a direita foi costurada para evitar que o olho pudesse infeccionar) conseguiu ditar todo o seu livro com a ajuda de uma terapeuta de fala que o ajudou a associar a letra do alfabeto aos movimentos oculares. O filme sugere um espetacular exercício de linguagem cinematográfica já que a inspiração de seu diretor, Julian Schnabel, se calca na experiência de um homem com grande comprometimento visual.

Alguns podem pensar que a história do filme se desenvolve em redor das personagens que acompanham e cuidam de Jean-Dominique, interpretado por Mathieu Almaric, e que estaria permeado puramente pela inércia. Essa presunção é completamente falsa já que o diretor consegue dar dinâmica a um personagem aparentemente estático. Isso através de monólogos interiores onde o espectador pode conhecer o que Baulby pensa e sente. Ele aparece como o narrador de sua própria história e permite que se possa analisar sua própria psicologia antes e depois do acidente.

Outro ponto positivo do filme é a captação de diversos olhares de Jean-Dominique consegue transmitir com apenas um olho, as diferentes emoções que ele sente, os movimentos, as percepções, as emoções que são os instantes mais importantes para avaliar seu estado de espírito e mesmo seu passado com constantes flashbacks.

O elenco entra dentro das boas expectativas já que os principais atores são meros desconhecidos do grande público. Mathieu Almaric é quem interpreta o protagonista e narra com perfeição os pensamentos de Baulby com expressões reveladoras. Destaque para Marie-Josée Croze e o mítico Max Von Sydon.

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA
Julian Schnabel
(França / EUA, 2007)

OSCAR 2008

Melhor Diretor
Melhor Fotografia
Melhor Edição
Melhor Roteiro Adaptado

 

 

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