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ÁLCOOL, SEXO E UMA PITADA DE PICO
Usando o clichê do clichê, João Paulo Cuenca traz a tona a ausência de atitudes de uma geração que não quer sair da casa dos pais
Por Fernando de Albuquerque

O Dia Mastroianni, mais novo lançamento de João Paulo Cuenca, é um livro assim…para ler de um único solavanco, em uma única noite com uma nefrálgica tragada. Sem suspiros ou pausas, apenas entorpecimento. A publicação conta algumas horas das peripécias de Pedro Cassavas e Tomás Anselmo entre uma vida repleta de bebidas, mulheres, conversas e encontros com figuras nem um pouco saudáveis como Mxyzptlk, um melancólico escritor assolado por sérios problemas de saúde.

Com um quê metalinguístico, Cuenca (conhecido como o escritor dos indies brasileiros) narra uma caustica entrevista policialesca com o escritor-personagem que apresenta uma mistura de crítico, editor, revisor e exibe questões bem ligadas ao day-by-day de quem lida com a palavra. Responsável por momentos bem sublimes que beiram o sarcamo, o iconoclasta Mxyzptlk, questiona o eixo central de “O Dia Mastroianni” indagando seu algoz sobre o interminável uso de recursos metalingüísticas em romances autoconscientes. Cuenca coloca em pauta os problemas de uma geração que, ao querer fugir dos clichês da modernidade, acabam por se perder em peripécias de linguagem que na verdade são pastiches do que condenam.

Tal como um filme blockbuster, Cuenca exibe uma narrativa veloz, de um cotidiano agitado, onde há apenas o registro de alucinações, encontros em boates, restaurantes e uma eterna confusão sobre o que irá acontecer no próximo instante, na próxima

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