Revolução provocada por Grant Morrison no universo mutante ganha versão encadernada

E de Extinção

NOVOS X-MEN – E DE EXTINÇÃO
Grant Morrison (texto) e Frank Quitely, Ethan Van Sciver, Igor Kordey (arte)
[Panini, 200 págs, R$ 25,90]

Depois de quase uma década de estagnação, os X-Men conheceram a melhor fase desde Claremont/Byrne com Grant Morrison. Este período elogiado pela crítica e adorado pelos fãs (vide o aumento nas tiragens das revistas) é relançado agora pela Panini em formato encadernado. E de Extinção é o primeiro arco de histórias do roteirista escocês pelos mutantes da Marvel. Ao seu lado, seu parceiro Frank Quitely (WE3, All Star Superman) e outros artistas, como Ethan Van Sciver. Para muitos, um exagero, o fato é que a passagem de Morrison pelo título causou uma revolução nos personagens e na própria editora.

Pra começar, a trama ganhou a complexidade característica de Morrison, que tem no currículo, entre outros, Asilo Arkham e Os Invisíveis. Com diálogos afiados, todos os personagens ganharam profundidade e se mostraram mais bem construídos psicologicamente. Para isso, o escritor trabalhou com uma equipe menor de mutantes e não fez interligações com outros títulos, coisa mais que comum na Marvel. A evolução estética também foi grande: adeus colantes, excesso de botas e capas. Para isso, o desenho de Quitely funcionou bem. Com um estilo realista, limou toda o exagero anabolizado do passado sem comprometer o resultado. Para quem conhece seu trabalho, sabe o choque visual que é.

Na trama, enquanto a população mutante cresce em todo o planeta, uma nova geração de sentinelas é produzida nas profundezas da selva equatorial. A vilã Cassandra Nova – tão poderosa quanto Xavier – pretende usar esta nova tecnologia para exterminar a população mutante de Genosha. O resultado foi surpreendente: a venda dos quadrinhos mutantes cresceram e levaram as tramas a um novo patamar criativo. Antes disso, os roteiristas viviam num impasse entre matar e ressuscitar personagens e requentar velhas histórias. Outro problema era a gigantesca teia de personagens e subtramas acumuladas por décadas. Morrison simplificou o universo mutante neste quesito, proporcionando diversão para fãs inveterados e novos leitores. Pra completar, sua narrativa era recheada de suspense e humor negro.

Novos X-Men - E de Extinção A edição da Panini é uma ótima oportunidade para quem não conheceu os Novos X-Men de Morrison. Depois desta passagem pelo título mutante, o escritor escocês ainda criaria outras obras interessantes na Marvel, como a mini-série Quarteto Fantástico 1, 2, 3, 4. Publicadas no Brasil na revista X-Men, a compilação deste primeiro arco tem o cuidado característico dos encadernados da Panini, em papel LWC, com a vantagem de não dividir a atenção com coisas horrorosas como Novos Mutantes, que eram publicadas na revista mensal. [Paulo Floro]

NOTA: 9,0

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