Isso é até bastante repetido, mas não custa lembrar que Recife e Olinda estão sempre lançando novos nomes na música. Poderia listar uma série de artistas independentes que não possuem padrinhos musicais, fora de qualquer lógica do mercado fonográfico e que seguem com boas propostas. Um desses casos é a Banda Mascates. E no caso deles a ligação com as duas cidades começa já pelo nome.

O ano era 2010, Rafael e Felipe Menezes, irmãos gêmeos (guitarra e contra-baixo, respectivamente), tinham uma banda chamada Central 25. Certo dia, o vocalista da banda não pôde ensaiar e Beto, outro irmão de Felipe e Rafael (não-gêmeo), que costumava acompanhar os ensaios, foi escalado para assumir os vocais. Mal sabiam que aquele dia mudaria de vez a trajetória da banda. Beto assumiria os vocais, mas por pouco tempo, pois seria o primeiro hiato de uma história que só estava começando. Já em 2014, e com o queijo musical acumulado, Beto assumiu as rédeas da coisa toda, convocou os gêmeos e um amigo da Faculdade que assumiria a bateria (João). Estava pronta a equação da Central 25, que agora viria a se chamar de Banda Mascates.

Agora em 2018 eles lançaram seu primeiro álbum homônimo. O nome do disco e da banda remete a guerra dos Mascates, onde, ao final, as cidades de Olinda e Recife se tornaram irmãs. Faz todo o sentido para uma banda que está ligada principalmente pelos laços sanguíneos.

Mascates soa como uma mistura de cozinha californiana à la Red Hot Chili Peppers com a brasilidade pop e poética do Los Hermanos. A banda se lança de forma corajosa ao explorar arranjos de metais como na faixa “Olinda”. É o tipo de canção que pode embalar um final de tarde com amigos e cerveja gelada nas suas próprias ladeiras da cidade. É uma nova geração do Rock pernambucano independente que luta por espaço, cada vez mais escasso nas casas noturnas, e que insiste em surgir de tempos em tempos. E ainda bem que continuam surgindo.

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