Os livros que chegaram por aqui, as novidades que valem uma lida e nossas descobertas na literatura para deixar sua estante mais interessante.

Merecido tratamento para Conan

O Pipoca & Nanquim vai diversificando cada vez mais seu catálogo e apresenta o segundo volume de uma das maiores sagas épicas da literatura. Conan, o Bárbaro, obra máxima do escritor Robert E. Howard, é parte do gênero “Capa e Espada” e ficou conhecido no Brasil por conta dos quadrinhos que atingiram um estágio de culto. Hoje essa obra tem a chance de ser redescoberta com um tratamento editorial bem mais sofisticado.

O Livro 2 da trilogia continua seguindo a ordem original de publicação das histórias do cimério, com capa ilustrada pelo mestre Frank Frazetta, acabamento de luxo com sobrecapa de acetato e fitilho, marca-página no formato da espada do clássico filme de 1982, ilustrações de artistas consagrados como Mark Schultz e Gary Gianni, galeria de capas originais e extras com contos inéditos.

O livro saiu há poucas semanas. O primeiro volume pode ser encontrado nas lojas. [Conan – O Bárbaro Livro Dois, Pipoca & Nanquim, 320 páginas, tradução de Alexandre Callari, R$ 59,90]


 

Fenômeno da autopublicação

A terceira parte da trilogia Não Pare, Máscaras, da autora FML Pepper acaba de sair pela Valentina. A saga é uma fantasia jovem adulta e tem parte de sua história passada na Terra (em Nova York) e parte no mundo de Zirk. A protagonista é a jovem Nina Scott, um ser híbrido (metade humano, metade zirkiniano), o que confere a ela poderes e características especiais, além de perseguições da Morte. FML Pepper foi um dos primeiros fenômenos editoriais da autopublicação no Brasil pela Amazon, e a primeira autora a ter contrato híbrido de publicação no país com a Editora Valentina. A escritora foi a única brasileira escolhida pela Amazon americana dentre as doze personalidades femininas do mundo que fizeram diferença na literatura, em 2015, e 1º lugar como autora de ficção juvenil na Amazon Brasil em 2016. Pepper hoje divide seu tempo entre a literatura e seu trabalho como dentista em Niterói. [Máscaras – Histórias da Trilogia Não Pare! e Muito Mais, de FML Pepper, 272 páginas, R$ 39,90]


O sexismo não se sustenta!

Existem alguns “fatos” sobre as diferenças entre os sexos que nós crescemos sabendo. Homens são fortes, durões, mais inclinados à promiscuidade e melhores ao estacionar carros. Mulheres são mais sensíveis, menos intelectuais, não tão favoráveis ao sexo casual e são melhores cuidando da família. Certo? Errado. Defendidas há séculos por evidências superficiais — e enraizadas em nossa sociedade sexista —, essas visões parecem naturais, imutáveis e até mesmo legítimas, chegando, inclusive, a se perpetuarem em nosso vocabulário. Porém, ao serem examinadas de perto, não se sustentam. Em Inferior é o Caralho, lançamento da linha Crânio da DarkSide Books, a jornalista britânica Angela Saini convida você a esquecer tudo o que sabe sobre as diferenças entre os sexos e embarcar em uma jornada esclarecedora sobre as mentiras e meias-verdades que a ciência propagou ao longo dos últimos séculos. [Inferior É O Caralho!, de Angeli Saini, Darkside, Preço não divulgado]


Mais um trabalho experimental de Piqueira

O autor e designer Gustavo Piqueira lança o livro A Cantora Careca de Massin, que destrincha a marcante adaptação gráfica do designer francês Robert Massin da peça de teatro A Cantora Careca. Em 1964, o artista gráfico francês Robert Massin publicou sua radical versão de La Cantatrice Chauve, célebre peça do dramaturgo romeno Eugène Ionesco (1909 — 1994). Massin fez um amálgama de senso histórico com cultura popular, limitações técnicas com inventividade e, principalmente, imagem com texto: na obra, cada personagem tem o rosto do ator que o interpreta e sua própria voz — o desenho da fonte tipográfica com as falas. Vertida para o inglês em edições norte-americana (The Bald Soprano, Grove Press, 1965) e britânica (The Bald Prima Donna, Calder and Boyars, 1966), A Cantora Careca de Massin traz pela primeira vez algumas de suas páginas traduzidas ao português. [A Cantora Careca de Massin, Gustavo Piqueira, Lote 42/Casa Rex, 48 páginas, R$ 42]


Tezza revisitado

Record lança edição comemorativa dos 30 anos de Trapo, romance essencial de Cristovão Tezza. A nova edição inclui um posfácio inédito do autor sobre a experiência da escrita do livro, além de prefácio especial de Beth Brait, crítica, ensaísta e professora da USP e da PUC-SP. Na trama, acompanhamos a trajetória de Manuel, um professor aposentado que recebe um pedido inusitado: numa noite, uma dona de pensão com aparência vulgar entrega dois pacotes contendo originais de textos de um jovem poeta, marginal e suicida. Seu pedido é que Manuel leia o espólio de Trapo, o artista em questão, e decida se aquilo tem valor. Assim, o protagonista se embrenha na leitura mas, fascinado pela situação, começa a investigar os motivos que levaram o jovem ao suicídio: conversa com amigos, família, e tenta encontrar a jovem Rosa, a quem Trapo endereça suas cartas-poemas. É aqui que Tezza apresenta pela primeira vez aquela que é uma das características de sua literatura: o contraponto de pontos de vista. [Trapo, Record, 304 páginas, R$ 59,90]


Sylvia Plath como ela quis

Com a publicação póstuma do livro de poesia Ariel, em 1965, Sylvia Plath se tornou um nome amplamente conhecido e futuramente alçado ao papel de ícone feminista. No entanto, o manuscrito de Ariel deixado pela autora quando morreu, em 1963, era diferente do volume de poemas que foi então publicado e mundialmente aclamado. Ted Hughes, marido da poeta, eliminou do arranjo original treze poemas que considerou “pessoalmente agressivos” e incluiu outros treze, alterando o Ariel original. Esta edição bilíngue e fac-similar, publicada pela primeira vez em 2004, apresenta a seleção e o arranjo dos poemas exatamente como Sylvia Plath os deixou antes de se suicidar. Além da reprodução dos manuscritos da autora, este volume também inclui os rascunhos completos do poema-título, “Ariel”, oferecendo ao leitor a oportunidade de acompanhar o processo criativo da poeta. [Ariel, Verus, 208 páginas, R$ 39,90]

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