Gozando: Produção gerou expectativa por sensualidade e entregou depressão e violência (Divulgação/Zentropa)

Gozando: Produção gerou expectativa por sensualidade e entregou depressão e violência (Divulgação/Zentropa)

O diretor dinamarquês Lars Von Trier enganou todo mundo durante os primeiros momentos da divulgação de Ninfomaníaca, longa cuja primeira parte estreia nesta sexta (10) no Brasil. A produção divulgou cartazes em que os atores apareciam como se estivessem gozando. Depois, soltou teasers que apelavam para o choque da expectativa do sexo explícito. Não se pode dizer que foi um embuste, mas o filme está longe de ser excitante. Como a maioria das produções do diretor tem um tom trágico, personagens depressivos e culpa.

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Esse domínio que possui do impacto causado no público é uma das principais características de Von Trier. Marqueteiro experiente, ele transforma seus filmes em verdadeiros eventos aguardados na cultura pop. Para Ninfomaníaca, ele usou o mote da história para fisgar interessados em presenciar o extremo do sexo visto no cinema. Muitas outras produções recentes vêm explorando imagens mais realistas e menos pudicas do sexo, como Um Estranho no Lago e Azul É A Cor Mais Quente. Mas com Ninfomaníaca isso acabou servindo como maior chamariz.

Lars Von Trier começou a espalhar que o longa possuía um corte final de cinco horas e meia, mas que foi diminuído para 4 horas, e estas, em duas partes atendendo a pedido de distribuidores. “Cada país tem suas regras próprias de censura e para criar coesão nas estratégias de distribuição de cada lugar, decidimos lançar esta versão editada antes. E mesmo estas poderão sofrer pequenos cortes”, disse a produtora Louise Vesth, em um comunicado à imprensa.

“Basicamente as versões editadas consistem em cortes dos closes mais explícitos das genitais, o que foi feito com a aprovação de Lars Von Trier”, disse.

A versão sem cortes ainda deverá chegar aos cinemas. A estreia está prevista para ser exibida no Festival de Berlim, em fevereiro, local que Von Trier encontrou depois de ser considerado “persona non grata” em Cannes ao dizer que “entendia Hitler“. A produtora dinamarquesa Zentropa também usa esse lado falastrão a favor. Colocou no site de Ninfomaníaca uma foto do diretor com uma fita adesiva tapando sua boca. Afinal, a fama de maldito também ajuda na promoção.

Amordaçado: Von Trier é mestre do marketing no cinema independente hoje (Divulgação/Zentropa)

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Sexo com efeitos especiais

A violência sempre foi algo constante em toda a filmografia de Lars Von Trier. O diretor planeja cenas com o intuito de provocar choque. E por isso, em sua cartilha, o sexo não pode figurar como algo cândido e com filtros de pudor, como costumamos ver na maior parte dos filmes.

Para Ninfomaníaca, foram usados atores pornôs para as cenas de sexo explícito. São poucas as cenas realmente chocantes na versão com cortes, mas bem além da barreira imposta pelo cinema comercial. Além disso, a produtora ainda realizou manipulação digital para deixar mais convincente. O diretor já fez uso de dublês em O Anticristo, com Gainsbourg e Willam Dafoe.

O uso de dublês foi usado como condição para que alguns atores aceitassem o papel. “Foi assustador. Eu precisava ter certeza de que os atores não fariam as cenas de sexo. Quando tive, fiquei tranquila”, disse Charlotte em entrevista para o site do filme. O ator Shia LaBeouf contou que precisou mandar fotos do pênis como parte de um teste para fazer parte do elenco.

Logo depois, recebeu a aprovação do diretor. “O meu primeiro teste foi algo do tipo ‘Vamos ver quanto tempo esse filho da puta demora para enviar a foto do pau dele pela internet’. E foi tipo em 20 minutos. E eles ficaram ‘Ok, o garoto tá pronto'”.

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