DI GRATIS
“Thank you for your continued and loyal support over the years – this one’s on me”, Trent Reznor
Por Fernando de Albuquerque

NINE INCH NAILS
The Slip
[Self-released, 2008]

E se um e-mail, de um remetente desconhecido, chegasse em sua caixa de entrada perguntando se você quer baixar um CD? O primeiro impulso é rejeitar. Afinal, o Spam tornou o mundo internético algo excessivamente perigoso. Mas essa foi a forma que a banda de Trend Reznor, o guitarman do Nine Inch Nails, achou para lançar The Slip. Disco que chegou ao winamp dos internautas e fãs dois meses depois que o grupo lançou, também na internet, o Ghosts I-IV, aberto para download a US$ 5. E a história do próprio lançamento começou num pacato fim de semana em que o NINs ofereceram o novo single “Echoplex” a partir da página da banda no iLike de modo que milhões de utilizadores do Facebook o pudessem descarregar. Em simultâneo, foi também colocado um vídeo da música no Youtube. Mas uma mensagem eningmática deixada por Reznor no site oficial da banda deixava indicar que no dia cinco de maio, quando o disco foi lançado, algo mais estaria online. Dito e feito.

As 10 faixas do The Slip, com duração total de 43 minutos, está disponível em diversos formatos de ficheiros, alguns dos quais de qualidade superior a CD. E o site oferece, ainda, a possibilidade de remistura e partilha dos temas do disco. O disco abre com uma pseudo-balada cheias de guitarras, a “999,999”. Ela conduz o disco inteiro que se intercala entre popices e um jeito rocker wanna be que ficou nos idos anos 80. Músicas como “Discipline” e “Echoplex” possuem arranjos que, mesmo sendo excessivamente repetitivos são hipnotizantes e transportam o ouvinte para as melhores performances da banda. Ambas são quase históricas, de modo que é possível rememorar o melhor do NINs. “Lights in The Sky” é uma típica baladinha triste com piano e guitarras leves e ao fim de seus quase quatro longos minutos abre espaço para a seqüência de mais três músicas com influências pianísticas. Todas, porém, demasiadamente longas.

O Nine Inch Nails é uma das várias bandas de ruptura dos anos 90. Com The Downward Spiral eles conseguiram, em 1994, atingir um patamar de sucesso que não estava ao alcance das bandas de sonoridade semelhante da época. Passou a falar-se do experimentalismo, da música industrial com mais freqüência. Muitos foram à procura das influências dos NINs e chegaram até coisas como Einsturzende Neubauten. Trent Reznor foi um dos ídolos alternativos dos nineties, mas a verdade é que se soube rodear das pessoas certas na época. Flood, Rick Rubin e David Bowie colaboraram frequentemente com os NINs e a viagem interior de seu personagem principal que são os temas que norteiam todos os álbuns do grupo.

Mesmo com toda essa história o The Slip não macula a imgem da banda. Muito pelo contrário. Apesar de ténicamente perfeito, o disco não é daqueles que agradam por completo os fãs. Fica faltando algo quando ele chega ao fim. Como se o set list não estivesse completamente formatado. Como se o The Slip fosse mais uma brincadeira internética do grupo em formato de manifesto.

NOTA: 6,0

Nine Inch Nails e David Bowie ao vivo

Nine Inch Nails – 999,999

Nine Inch Nails – Echoplex

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