Beirut - New Gypsy
Open Mind: americano Zach Condon abriu as portas para o som neo-cigano no indie-rock

BALCÃS É LOGO ALI
Clássicas ou freak, folk ou punk, o new Gypsy é baú de novas jóias da música pop international
Por Joana Coccarelli

O gancho é que a caravana Beirut chegou à França – não sem antes passar pela Espanha vizinha. Juntou acordeom francês com algumas cordas flamencas e The Flying Cup Club, o recém-lançado álbum da trupe, monta seu mais novo circo: menos sombras, menos selvageria, trompetes bêbados na faixa “Cliquot”, algo de jazz sometimes. A tônica Roma – como a mídia internacional vem chamando os antigos e novos praticantes de música romena e adjacências – ganhou melodias mais familiares, um tico de doçura de letras em francês. Mais calor.

Gogol Bordello - New Gypsy
O punk absurdo do Gogol Bordello

Ainda que americano, o acampamento até então basicamente bálcã liderado pelo pós-adolescente Zack Condon é top-of-mind da corrente new gypsy que vem sublinhando o exótico, o “do mundo”. Povo misturado e viajante cigano, facilidade ainda mais giga desde o advento da internetosfera: foi numa voltinha pelo Velho Continente, aos 16 anos, que Condon, saído do Brooklin, travou seu primeiro contato com a música do leste europeu, resultando no álbum Gulag Orkestar, amplamente disseminado pela web.

Ao contrário da coqueluche folk dos anos 90, quando os Gypsy Kings sapateavam pelas FMs nacionais (e ainda hoje se perpetuam em set-lists de festas de casamento), o cancionário do recente nomadismo internacional é independente e segmentado: o louquíssimo Gogol Bordello, por exemplo, se esborracha no punk, com performances hardcore gargalhantes; o KAL, da Sérvia, faz ciganagem lo-fi lindeza; e até mesmo o Mahala Rai Banda, de tradicionalismos romenos com sutileza pop, foi escolhido para fazer parte efetiva da trilha do filme Borat com a faixa “Mahalageasca” – e poderia beníssimo, ser a banda que toca em Underground, obra felliniana do cineasta Emir Kusturica.

Mahala Rai Banda - New Gypsy
Pop andarilho: entre você também na festa do Mahala Rai Banda. Cabe todos

 O New York Gypsy Festival endossou a tendência em sua segunda edição, no ano passado. 3rd New York Gypsy Festival Part 1 - PosterGrupos de gyspy funk dividiram a programação com antigas bandas gregas e italianas, dançarinos húngaros, um DJ búlgaro, clarinetista da Macedônia, trio russo… todos de verve folclórica, andarilha. Houve workshops de instrumentos típicos e o site oficial publicou resenhas completas do evento, com ampla informação sobre história e idiossincrasias da música cigana. Um artista de Kosovo define bem o sentimento da mélange étnica: “Não estamos nem aí se a música é turca, sérvia ou albana. A gente só quer tocar mais vividamente”.

É a onda virar maremoto para chegarmos a um novo oriente encontra ocidente, originalmente acontecido com a música indiana ao longo dos anos 60. Artistas de boa world music começam a ganhar a visibilidade merecida; seus adoradores quebram menos a cabeça para encontrar relíquias. Gypsys mais contemporâneos são a chave para um baú de outras jóias, sejam clássicas ou freak. Sigamos os rastros deixados no deserto.

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