Nervoso e os Calmantes (Foto: Divulgação)

Tropicalismos e novidades em novo disco do Nervoso
Por Jean Garnier

NERVOSO E OS CALMANTES
Nervoso e os Calmantes
[Midsummer Madness, 2009]

Há tempos Nervoso deixou sua fase de baterista (Acabou La Tequila, Autoramas, e Matanza) para trás. Depois do solo Saudades das Minhas Lembranças de 2004, o artista reforçou os músicos que o acompanhavam desde o primeiro disco e está de volta, com mais maturidade e solidez. Sua banda, agora intitulada de “Os Calmantes” – formada por Sérgio Martins (bateria), Kiko Ramos (baixo) Alê de Morais e Wagner Vallim (guitarras) e Alberto (piano e teclado), lança “Nervoso e Os Calmantes”, uma agradável mistura de Jovem Guarda, Tropicalismo e Rock que cria sensação de músicas populares plural.

Gravado no Estúdio Soma, no Rio de Janeiro, o disco parece melhor produzido e mais diversificado. Muito me agrada o piano acústico na primeira música “Antes (The Alberto)”, é uma interessante uma introdução só instrumental, como uma abertura de um grande trabalho que está por vir. É uma pena que as bandas atuais tenham deixado isso de lado, a última que me recordo é uma dos Smashing Pumpkins, no caso é “Mellon Collie and the Infinite Sadness” do álbum de mesmo nome de 1995. “Universo Vocacional” tem riffs surpreendente e uma letra um tanto debochada (“Com vigor de criança e solidez mental é simples viver no universo vocacional”).

A caliente “Eu Que Não Estou Mais Aqui” é marcada com compassos animados e ritmos latinos, e foi escrita por Benjão, ex-integrante que agora foi para o seu projeto “Do Amor”.  O piano, que já fez arrepiar na primeira faixa, também se faz presente em “O Grande Herói”, que também conta uma letra com algo que reforça os laços paternos na relação das pessoas.

A sensacional pérola “Kit-homem” tem o coro de Nina Becker (cantora da big band Orquestra Imperial) como um desabafo do universo masculino em meio aos seus conflitos com mulheres, é o tipo de música que os Raimundos gostariam de ter feito (“Já não agüento mais e não entendo porque ser chamado de um Kit-homem” diz o pegajoso refrão). “Canção do Vento” tem a participação da voz cavernosa de Bernardo Vilhena (compositor de alguns sucessos como “Menina Veneno”). “Um Sonho de Transatlântico” cheira a Roberto Carlos puro, principalmente se fizermos uma referência do seu título com os atuais shows do Rei nos navios pela costa marinha brasileiras. Essas três faixas já tinham sido lançadas no E P “Enquanto o Disco Não vem”, em 2006.

O tributo à amizade “Candidato a Amigo” (“E por isso que ofereço um ombro meu para você se confortar”) também é uma velha conhecida dos fãs e já estava na coletânea “I Want it Loud!”, lançada em 2006 pela gravadora Rastropop. A lenta “A Minha Saudade” apesar dos belos violinos não empolga, é a única escorregada no álbum que até o momento estava dinâmico. “A Minha Saudade”, que também conta com Vilhena, traz a colaboração do tecladista Lafayette, que acompanhou Roberto e Erasmo Carlos nos anos 1960. “Despertar” encerra num clima de uma viagem que ruma pelo exótico, depois de tão desigual e coerente registro, que merece não apenas uma, mas várias audições, tanto por sua indiscutível qualidade, quanto pela sutileza sonora.

NOTA: 7,0

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