O objetivo maior aqui foi enfatizar Roberto enquanto artista popular, daqueles para cantar junto, chorar na mesa do bar e vivenciar catarses coletivas

enaltece o pop de no novo Não Sou Nenhum Roberto, Mas Às Vezes Chego Perto
NOTA8

Nando Reis é um dos mais resilientes artistas do pop nacional, esse gênero sempre olhado de soslaio ou pouco compreendido pela indústria até a década passada. Agora, Reis faz um disco de cover com o maior ícone do gênero do país: Roberto Carlos. Não Sou Nenhum Roberto, Mas Às Vezes Chego Perto (que é um título massa, aliás) traz 12 faixas com clássicos e raridades do Rei.

O olhar de Nando Reis para o repertório de Roberto Carlos foge de obviedades, mas deixa claro que o objetivo maior foi enfatizar Roberto enquanto artista popular, daqueles para cantar junto, chorar na mesa do bar e vivenciar catarses coletivas. Por isso temos faixas como “De Tanto Amor” e “Amada Amante”, declaradamente românticas, além da bregosidade de “Me Conte a Sua História”. Reis revisita até mesmo as canções de cunho religioso de Roberto, a exemplo de “Nossa Senhora” (aqui apenas balbuciada em uma interpretação bem singela) e “Guerra dos Meninos” (com participação de Jorge Mautner), que são hinos católicos no conteúdo, mas pérolas melódicas que reforçam o apuro pop do músico.

A homenagem de Nando Reis à Roberto Carlos consegue trazer um tom autoral e faz desse trabalho algo que não destoa da discografia do ex-Titã. Sempre bom revisitar o pop BR como ele merece.

NANDO REIS
Não Sou Nenhum Roberto, Mas Às Vezes Chego Perto
[Relicário, 2019]
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