Nada Surf (Foto: Divulgação)

Pais dos Strokes retornam com força ao indie-rock
Por Mariana Mandelli

NADA SURF
Lucky
[Barsuk, 2008]

Um dos maiores sobreviventes da cena do rock alternativo norte-americano, o Nada Surf chega ao seu quinto disco. Lucky, o novo trabalho, marca um dos melhores momentos de um grupo que já foi alçado para ser mais um daqueles casos de “one-hit wonder” (algo como “banda de um só hit”), quando a canção “Popular” alcançou paradas de sucesso e agradou aos críticos e aos fãs de indie rock. Hoje, o Nada Surf conseguiu ultrapassar as expectativas e firmou-se no cenário alternativo, tanto nos Estados Unidos quanto no mundo inteiro, e pode ser considerada como uma banda “mãe” de Strokes e derivados.

Na época em que Nirvana e Pearl Jam, sem esquecer os cabelos compridos e as camisas de flanela, predominavam entre os jovens, o Nada Surf conseguiu abrir ainda mais um nicho já freqüentado por Sonic Youth e Teenage Fanclub. O Nada Surf nasceu no cenário alternativo de Nova York, no início da década de 90, e era formado por Matthew Caws e Daniel Lorca, que tocaram em diversas bandas antes de montarem o grupo. Depois de alguns bateristas passarem pelo grupo, Ira Elliot, ex-membro do Fuzztones, juntou-se a Caws e Lorca. Em 1996, o Nada Surf lançou seu debut, High/Low, e a faixa “Popular” ganhou o mundo. A banda, que hoje coleciona fãs no undergound, teve sua época de mainstream. Depois disso, o grupo lançou The Proximity Effect (1998) e os aclamados Let Go (2002), The Weight Is a Gift (2005) e, agora, Lucky.

O novo trabalho tem contribuições de Ben Gibbard (do Death Cab for Cutie e do The Postal Service) e Ed Harcourt (cantor, compositor e membro do Snug), além dos membros do Calexico e do Harvey Danger. Com influências de Weezer, Pavement e The Cars, além de pitadas de punk pop, lo-fi e noise pop, Lucky é extremamente bem produzido e tem, principalmente, ares de soft rock e power pop, com texturas bem trabalhadas. O disco soa suave e agradável do que os anteriores – as faixas “Beautiful Beat”, “Weightless”, “I Like What You Say” e “From Now On” são prova disso. A melancolia fica por conta de “The Film Did Not Go ‘Round”, enquanto “See These Bones”, que abre o álbum, apresenta em seu final três melodias sobrepostas, que multiplicam as vozes e a sonoridade da canção, dando o tom luminoso que permeia Lucky. Pelo jeito, o nome do novo álbum já começou a trazer ainda mais sorte para os meninos do Nada Surf.

NOTA: 8,0

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