WHITE HINTERLAND
Phylactery Factory
[Dead Oceans, 2008]

Em janeiro deste ano Casey Dienel decidiu não mais lançar discos sob seu nome de batismo, então se batizou de White Hinterland. Na solidão costumeira, continiou apostando apenas em seu piano para criar suas músicas de sofreguidão e melancolia. Com apenas 22 anos e pouco afeita a badalações, ela decidiu fazer canções mais introspectivas, ao contrário do disco anterior, The Wind-up Canary. Mais pop, o primeiro álbum usava a voz de Casey em primeiro plano. Neste, ela se esconde por trás das letras, do piano e das demais construções sonoras. A primeira música “The Destruction of the Art Deco House” já comprova o quanto o cinismo é mesmo a principal arma dos tímidos. E ela segue com uma coleção de pequenas ironias, que por vezes lembram a canadense Feist em seu primeiro álbum. Destaque para “Lindberghs + Metal Birds”, semelhante a uma música de baile e um contraste interessante ao resto do disco. Ainda inédito na Europa e em outros países, Casey é a típica artista que é preciso muito esforço para encontrá-la perdida em blogs de MP3 obscuros. Em tempos de muito acesso e facilidade, ela ganha um sabor especial. [PF]

NOTA: 8,0

¡FORWARD, RUSSIA!
Life Processes
[Cooking Vinyl, 2008]

Esta banda inglesa, surgida em Leeds no meio da década, decidiu abandonar as idéias experimentais – quase infantis – do disco anterior. Por isso, nada de batizar cada faixa com um simples número e evitar como ¡FФЯWДЯD, RUSSIД!. O grupo, mais maduro, viajou até Seattle para gravar com Matt Bayles (Soundgarden, Pearl Jam). O resultado foi um disco mais pop, sem, no entanto perder o espírito punk que o ¡FR! empreendeu desde o início. Quem escuta a singela “Fosbury in Discontent” nem acredita que é a mesma banda. Incrível que o ¡Forward, Russia! precisou ir aos EUA para se tornar uma legítima banda inglesa. [PF]

NOTA: 6,5

WAYNE HUSSEY
Bare
[2008]

O inglês Wayne Hussey, ex-lider do The Mission se abusou de tudo e se mudou para o Brasil. Atualmente mora no interior paulista, de onde administra a carreira. Isto não é novidade para ninguém. O surpreendente é que ele ainda consegue produzir material interessante mesmo à margem de toda a musica pop mundial, que um dia já fez parte. Bare, lançado no início deste ano traz músicas muito tristes, semelhantes às entoadas pelo seu antigo grupo. Destaque para as versões de clássicos, como a soturna “With Or Without You”. O disco vazou na internet semana passada, o que mostrar o interesse de Hussey para um público mais jovem. Ele não faria feio entre os apreciadores de bandas tristonhas como I Love You But I’ve Chosen Darkness e Serena Maneesh. Hussey acertou em cheio em seu retorno discreto. [PF]

NOTA: 7,0

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