Mimimi do mal

TYLER THE CREATOR
Goblin
[XL, 2011]

Tyler completou há pouco 20 anos de idade e acreditamos que essa sua saída da adolescência só faça bem a ele. Líder do grupo de hip hop alternativo Odd Future Wolf Gang Kill Them All (ou apenas OFWGKTA), o californiano tem conquistado fãs, sobretudo de sua faixa etária, com uma proposta que mistura experimentalismo com rimas de protesto. Autoproclamado como politicamente incorreto, ele vem conseguindo uma fama de controverso com uma série de declarações paradoxas que levantam dúvidas sobre possíveis misoginia, homofobia e outros adjetivos igualmente condenáveis. Este é seu segundo disco, Goblin, e o primeiro lançado por uma gravadora, a XL. Exercício de ego, o álbum conceitual mostra um diálogo entre o rapper e seu analista fictício Dr. TC. Apesar do mimimi adolescente sem muita consistência, o trabalho tem o mérito de emplacar ao menos dois bons singles, “Yonkers” e “Sandwitches”. As demais até conseguem sobreviver a uma segunda audição se ignorar a quantidade de raivinha e revoltazinha típicas da idade, sobretudo os diversos “foda-se” a diversos grupos e sua lista de promessas. “Vou esfaquear uma bicha hipster com um tridente (pitchfork), um trocadilho bizonho que o mais famoso site de música indie na web. Em tempo: Tyler conseguiu mais uma vitória pra colar na agenda. Foi preso na última semana ao tentar promover Goblin nas ruas de LA. As causas ainda são desconhecidas, mas o garoto tuitou depois: “F**K POLICE F**K YOU ALL I HOPE YOU ALL DIE,” / “I WILL NEVER RESPECT YOU.” Malzão. [Paulo Floro]

NOTA: 5,5

GANG GANG DANCE
Eye Contact
[4AD, 2011]

Um dos discos mais aguardados deste ano e já adiantado como um dos melhores de 2011 quando apareceram as primeiras faixas na web e o stream. Liderado pela vocalista Liz Bougatsos, a proposta desses nova-iorquinos é aquela típica viagem experimental cheia de camadas, aqui com grandiosidade, atmosfera de deixar o ouvinte flutuando no espaço (sorry pelo trocadilho meio óbvio com o Spiritualized). “Mindkila”, uma das faixas mais comentadas deste trabalho novo tem um clipe que mais parece um caleidoscópio, o que é uma senha para todo o trabalho. Ainda que a concepção de um disco como Eye Contact não seja exatamente tão original, esse tipo de música já tem público fiel e resta às bandas que navegam nessa seara serem cada vez mais ousados. Fãs do Animal Collective poderam achar o trabalho um tanto “comercial”, com muitas concessões, o que pode ser algo positivo, na verdade. Com quatro discos já lançados e o primeiro por uma gravadora indie de porte, o Gang Gang Dance já está na hora de furar o bloqueio da blogosfera indie. [Paulo Floro]

NOTA: 8,0

GRILOWSKY
Alcoolismo, Toxicomania, Sexismo e Violência
[Independente, 2011]

Quantos clichês cabem em Grilowsky? Artista maldito, degenerado, doido, artista visionário. Pra quem não é de Recife, talvez ainda não signifique muito todas as movimentações do artista que promove performances com aquela dose de politicamente incorreto que todos precisam. Em um dos locais fáceis de encontrá-lo, o finado Iraq, no Centro da cidade era possível vê-lo cantando novas músicas totalmente nu, vestido apenas de uma capa de chuva transparente. Nesse novo trabalho estão reunidos todas as loucuras saídas da mente insana, com absurdos inpublicáveis em qualquer lugar – e ainda bem – muito controversos. Artistas que apostam na verborragia, putaria indiscriminada, realismo nu e cru sempre foram comuns e muitos acabam adentrando o mainstream e ficando mansos. Grilowsky parece querer ir além. Pela sua cartilha, a ideia é que sua arte não tem volta. Por isso, criminoso confesso, pode apostar nas letras mais absurdas já escritas. “Vasectomia / para gozar todos os dias na buceta da gatinha” ou “A história do travesti que virou caminhão”. Outro detalhe que torna o disco interessante e que o faz ganhar ponto no quesito humor são as referências ao cotidiano urbano recifense. No puro desbunde, a produção fica em segundo plano e algumas músicas parecem inacabadas. A empolgação vai diminuindo e chega ao anticlímax na segunda metade do álbum quado se ouve apenas um instrumental com muita guitarra. Mas, vai tentar entender o experimentalismo de Grilo… Presente em diversos projetos no cinema, nas artes, ele assinou recentemente a trilha do curta Calma, Monga, Calma e – cuidado – pode aparecer quando você menos esperar. [Fernando de Albuquerque]

NOTA: 6,5

BIBIO
Mind Bokeh
[Warp Records, 2011]

O novo trabalho do Bibio está ainda mais pop que seus discos anteriores, sempre calcados na música eletrônica. Produtor britânico, Stephen Wilkinson sempre nutriu paixão pelo experimentalismo e conseguiu levar isso para as bandas com quem trabalhou, como o Boards of Canada. São melodias que exploram ao máximo o que guitarras e sintetizadores ainda podem fazer de original. Essas suas músicas tem sido bastante solicitadas pelo mercado publicitário, como Toyota, Amazon, L.L. Bean, entre outras. Fãs – entre eles, críticos – não aceitaram bem esse novo trabalho, que reclamam, tem poucas inovações. Descrito pelo próprio artista como um “balanço entre o familiar e não-familiar”, o disco flui como um caminho que se percorre de olhos fechados, sem medo de tropeçar. Feito para quem nunca ouviu nada feito por ele antes, é um dos álbuns mais delicados e aconchegantes deste ano. Músicas como “Anything New”, “Wake Up” até o fazem se aproximar na chill-wave, o que não é nenhum demérito. Adjetivos hipsters para contextualizar: cosy, quentinho. Democratizando sua audição, Wilkinson demonstra ter atingido maturidade. [Paulo Floro]

NOTA: 8,5
[Recomendado]

Sem mais artigos