PETER BJORN & JOHN
Gimme Some
[Cooking Vinyl, 2011]

Se você pretende ouvir o novo disco de Peter, Bjorn and John a procura de uma nova “Young Folks” para ser a sua música fofa do ano, que vai tocar em todos os lugares de tão “lindinha” que é, mesmo que a maioria nem saiba de onde veio tal canção chicletuda, não perca seu tempo. Em Gimme Some, o trio sueco não se tornou sério, deprimente ou qualquer outro adjetivo que faça um contraponto ao pop de apertar bochechas pelo qual eles ficaram conhecidos. A diferença entre o novo disco e os anteriores é a “maturidade musical”. PBeJ sabem que encontraram seu nicho na música (mais próximo a um The Cure cantando Love Cats do que Killing an Arab), mas não usam isso como desculpa para fazer sempre a mesma coisa, basta ouvir “May seem Macabre” e “(Don’t let them) Cool off”, que mereceriam um selo de qualidade se tal coisa existisse para canções. Faixas como “Dig a little deeper” e “Second Chance” têm atrativos capazes de fazê-las grudar na cabeça, mas nenhuma perdura por tanto tempo quanto os assovios lançados há quase cinco anos (garanto que você nem tinha se dado conta do quão “antiga” é “Young Folks”). No entanto, para quem gosta de Peter Bjorn and John além do hit tão mencionado, Gimme Some é um trabalho de qualidade que merece ser ouvido do início ao fim.

NOTA: 7,5


GREGG ALLMAN

Low Country Blues
[Rounder Records, 2011]

Alguns mistérios na indústria musical parecem estar destinados a permanecerem como mistério. Pra mim permanece a dúvida: o que é mais importante para artistas consagrados, tentar produzir algo inovador para chamar a atenção perante tantos novatos que surgem todo dia, ou então se manter fiel as raízes e mostrar para os demais como é que se faz. Se depender de Gregg Allman a segunda alternativa é a correta. Com mais de 40 anos de carreira, o músico da tradicional Nashville lança Low Country Blues com doze canções prontas para deixar qualquer aficionado por blues feliz da vida. Sem deixar sua Hammond B3 de lado, Allman se junta ao produtor T-Bone Burnett para uma versão de Devil Got My Woman, de Skip James, capaz de deixar Robert Johnson orgulhoso. O conjunto de sopros mais a voz de Allman fazem de The Blind Man um clássico soul a ser consumido sem moderação. Perder a oportunidade de ouvir o novo trabalho de Gregg Allman é ignorar a existência de um dinossauro da música americana que não está próximo da extinção.

NOTA: 9,0

COWBOY JUNKIES
Nomad Series: Demons, v.2
[Latent, 2011]

Tem coisas na vida que não mudam. Por exemplo? Margo Timmins do Cowboy Junkies continua com uma das vozes mais reconfortantes da história da música, quase uma versão feminina de Roy Orbinson. Já o grupo de canadenses que está na estrada há 26 anos, mantém a mesma sonoridade familiar de uma banda que pode estar tocando no bar mais próximo da sua casa e mesmo assim soar grandioso. Em Demons, eles fazem a releitura de 11 canções do músico Vic Chesnutt que morreu no Natal de 2009 e deixou como legado algumas das músicas mais tocantes das últimas duas décadas, exercendo função semelhante à de outros grandes artistas que partiram cedo demais, como Elliot Smith e Jeff Buckley. “Square room” é um exemplar perfeito da combinação Junkies mais Chesnutt; mexe com nosso estado de espírito de forma tão profunda que é melhor não ser ouvida por pessoas com fortes tendências depressivas. Um disco perfeito para que a geração Arcade Fire descubra que o Canadá já produz música com sentimento e qualidade há bastante tempo.

NOTA: 8,5

THE DEARS
Degeneration Street
[Dangerbird, 2011]

Pelo nome do novo trabalho do The Dears, Degeneration Street era de se esperar um disco temático falando sobre o fim do mundo, sobre a degradação da sociedade moderna, seguindo moldes próximos ao de Janelle Monáe em The ArchAndroid. Mas não é bem isso que acontece. Em seu quinto trabalho, os canadenses parecem querer contar uma história ao contrário: se o mundo está se deteriorando, depois que chegamos ao ápice da podridão, basta a nós nos regenerarmos, voltarmos ao normal. É claro que esse processo deixa cicatrizes, mas é justamente essa trajetória de altos e baixos que o The Dears querem retratar: “Blood” é uma canção aflita, enquanto “5 Chords” traz aquela esperança de que as coisas podem melhorar através do amor, “Lamentation” já diz tudo no nome e é uma concorrente forte para uma das canções mais bonitas de 2011. “Degeneration Street” é igual ao ambiente que retrata, têm grandes momentos (os mais tristes e melancólicos, como “Unsung”) e outros que deixam a desejar (Stick with me kid tem semelhanças nada agradáveis com um Fall Out Boy coverizando Michael Jackson), mas nessa batalha pela sobrevivência o The Dears sai como vencedor.

NOTA: 6,5

AND YOU WILL KNOW US BY THE TRAIL OF DEAD
Tao Of The Dead
[Superball Music, 2011]

Para o Trail of the dead, Tao of the dead é uma volta às origens. Depois de dois discos contando com uma formação mais elaborada (seis membros), eles retomam à fórmula perfeita para a sonoridade que buscam: o quarteto. A energia cabalística do número quatro parece ter dado certo no novo trabalho gravado em apenas 10 dias. As guitarras voltam em profusão e são emolduradas por melodias que se emaranham umas nas outras, como foi pensado pelo vocalista Conrad Keely, que elegeu discos como The Dark Side of the Moon do Pink Floyd e Hemispheres do Rush como obras primas a serem levadas em consideração para a criação de Tao of the Dead. No entanto, o disco não é tão perfeito quanto qualquer preceito taoísta. O conceito de audição dividida em duas partes não surte efeito e em alguns momentos como “Pure Radio Cosplay (Reprise)” eles soam mais como rock californiano influenciado por J-Rock (além de uma bela ripada de “Jumpin’ Jack Flash”) do que pelo diferencial rock alternativo texano pelo qual ficaram conhecidos. Mas tirando detalhes, Tao of the Dead não compromete o trabalho dos americanos e está pronto para ser adorado pelos fãs da banda.

NOTA: 6,0

 

Sem mais artigos