Muito mais que um som “difícil”

PANDA BEAR
Tomboy
[Paw Tracks, 2011]
[Recomendado]

Noah Lennox sempre teve o projeto-solo mais bem-sucedido entre seus companheiros do Animal Collective. Este seu quarto disco retoma seu som cheio de samplers e outras influências eletrônicas. Depois do aclamado trabalho anterior, Person Pitch, sua música vem sendo enquadrada como difícil e muito experimental, mas existe um apelo pop por trás de tantas camadas e barulhos esquisitos. O que Tomboy tem de mais criativo é a forma como Lennox usa sua voz. Seu vocal trabalhado sobre diversos efeitos sonoros dão uma impressão de coral. Claro, o coral mais estranho já inventado, mas uma experiência interessante. O segundo fator de destaque são os já citados samplers. O autor revelou em entrevistas que levou o recurso às últimas consequências e quis dar ritmo a esses pedaços de sons. O resultado desses dois motores do álbum ficam claros em “You Can Count Me”, um lamento em loop com a voz de Lennox encoberta por efeitos, a faixa-título “Tomboy” e “Slow Motion”. [Paulo Floro]

NOTA: 9,0

THE VACCINES
What Do You Expect From The Vaccines?
[Columbia, 2011]
[Recomendado]

De tempos em tempos surge uma banda que faz algo genial com algo básico, o pop que todos conhecem, e trazem um frescor depois de diversas tentativas repetitivas de grupos que não param de surgir. E 2011, o representante, sem dúvida, é o The Vaccines. Maior hype deste ano, esta banda inglesa lançou um disco com ecos de punk setentista, o que lhe rendeu comparações com os Ramones e vocal gutural do Jesus and Mary Chain. Toda a comoção diz respeito a algo muito primal que esses quatro garotos de Londres fazem com guitarras. É uma música desprovida de pretensão, com refrões grudentos e – graças a deus – uma boa produção. Saindo-se bem no uso de tantos clichês, temos hits como “Post Break-Up Sex”, “Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra)”, “All In White” e a quase balada “A Lack Of Understanding”. Definitivamente um dos melhores debuts deste ano. [Paulo Floro]

NOTA: 8,5

BON IVER
Bon Iver
[Jagjaguwar, 2011]

Depois de ficar confinando – artisticamente e literalmente – em uma floresta no seu último disco, For Emma, Forever Ago, Justin Vernon, o alter ego do projeto Bon Iver parece querer ganhar a cidade. Este seu trabalho homônimo segue uma trajetória recente de sucesso do cantor. As letras ficaram ainda mais confessionais, na mesma linha delicada do indie-folk, agora com algum toque de synth-pop. Neste novo disco, Vernon reformou um antigo consultório veterinário em estúdio, como parte de sua característica excêntrica que também serve para render alguma mídia. Este álbum ainda carrega outro detalhe conceitual, cada faixa diz respeito a uma cidade ou Estado, como Minnesota, Wash, Perth. “Calgary” foi a primeira música divulgada e mostra, enfim, algo que permanece inalterado em Bon Iver: aquelas músicas, tristes, tristes. [PF]

NOTA: 7,0

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