OF MONTREAL
Skeletal Lamping
[Polyvinyl, 2008]

O Of Montreal já foi tido como a melhor experiência psicodélica e porque não experimental que o indie-rock, gênero conservador por excelência já produziu. E ele cumpriu mesmo bem seu propósito de injetar perigo e tensão sexual na monotonia roqueira baixo-guitarra-bateria. O líder Kevin Barnes parece ter implodido em seu próprio ego, brilhando com seu figurino exagerado cada vez mais, flertando com o brega, dançando pelado (a cena é insólita). Todas essas idéias absurdas foi bem transportada para o álbum anterior, o ótimo Hissing Fauna, Are You the Destroyer?. Neste aqui, a incongruência parece não ter tanta graça. Se salvam pérolas pop como “Triphallus, to Punctuate!” e “Id Engager”, o primeiro single. Todo o disco parece meio perdido nas idéias, desconexo, que mesmo se alegado ser este o conceito, a audição é desgastante. Barnes, que em sua histeria gay encarna o personagem George Fruit continua a fazer do Of Montreal um das mais interessantes do pop atual por conta de suas performances no palco. [PF]

NOTA: 5,5

THE SEA AND CAKE
Car Alarm
[Thrill Jockey, 2008]

Talvez por conta do hiato que passou durante a primeira metade dos anos 2000, o Sea and Cake é atualmente a banda da cena roqueira atual que mais carrega o ranço dos anos 1990. Seus acordes são conservadores, sempre espelhando um ideário de juventude entediada do shoegazer. Este Car Allarm consegue deixar o ouvinte em suspensão pelos vocais doces de Sam Prekop, em músicas como “Aerial”, mas também sugere namoros com o defunto movimento post-rock, do qual teve certa relação, em “CMS Sequence” e “Weekend”. Este novo lançamento é bem produzido e acerta em diversos momentos, mas não constrói nenhum significado nos dias atuais. Bom ou ruim, o Sea and Cake segue insípido. [PF]

NOTA: 6,0

TRICKY
Knowle West Boy
[Domino, 2008]

Espanta como o inglês Adrian Thaws, mais conhecido como Tricky consegue surpreender a cada lançamento, anos depois de ter sido um dos responsáveis por catapultar o Trip Hop, gênero hoje estagnado e sem muita relevância na cena eletrônica, salvo exceções. Knowle West Boys, lançado sem alarde no Reino Unido em julho deste ano – e mês passado nos EUA – retoma a junção de hip hop e rock que, de tão certo, gerou um movimento de representatividade nos anos 90. No entanto, Tricky ainda mantém a dificuldade de se libertar de seus próprios artifícios, fazendo de sua música uma eterna bricolagem de suas próprias referências. A exceção é a cover de “Slow”, hit de Kylie Minogue cantada pela islandesa Emilíana Torrini. O DJ e produtor quando olha para o pop além do conforto de seu domínio às vezes acerta. [PF]

NOTA: 7,0

Sem mais artigos