MARK RONSON AND THE BUSINESS INTL.
Record Collection
[Columbia, 2010]

Que Mark Ronson se tornou um dos produtores mais famosos da música atual, isso é inegável. Mas nem sempre produzir discos de sucesso é o bastante para garantir uma carreira “solo” bem sucedida. O solo está entre parênteses de propósito, uma vez que ouvindo Record Collection, soa como Mark Ronson colaborando com uma infinidade de artistas e não o contrário, como deveria ser. Nada contra a música em si, mas ela poderia estar no disco de uma lista infinita de pessoas (Amy Winehouse e Lily Allen encabeçando o arrolamento) e por isso acrescenta pouco ao panorama musical. Tudo dentro dos conformes, esse disco, cujo primeiro single, “Bang Bang Bang”, já alcançou sexto lugar nas paradas britânicas, serve como uma cartilha ensinando como se manter um nome marcante na indústria do entretenimento, mesmo que muitas vezes isso se torne verdade mais pelas aparências do que pelas virtudes sonoras. [Lidiana de Moraes]
NOTA: 6.0

DEERHUNTER
Halcyon Digest
[4AD, 2010]

As críticas fervorosas de apreciação ao quarto trabalho dos americanos de Geórgia não poderiam ser mais justas. Halcyon Digest mostra o Deerhunter na sua melhor forma tornando uma missão praticamente impossível enumerar os motivos pelos quais esse disco é forte candidato a ganhar inúmeros prêmios em 2010. A princípio, HD tem tudo para ser o fenômeno indie deste ano, da mesma forma que o Animal Collective conseguiu em 2009 com Merriweather Post Pavillion (não é a toa que ambas as bandas trabalharam com Ben Allen como produtor). Se mesmo assim você não estiver convencido que o Deerhunter vai te agradar (um ranço compreensível uma vez que muita gente demorou para entender as intenções de Bradford Cox e companhia), ouça os mais de sete minutos de “He would have laughed” e sinta-se abraçado pela canção que passará sem que você perceba qualquer perda de tempo. [Lidiana de Moraes]
NOTA: 9,0

PATO FU
Música de Brinquedo
[BMG, 2010]

Pato Fu é uma banda naturalmente fofa. Desde os primeiros discos eles lançam canções que trazem aquela de sensação de “Ai que coisa mais fofinha!” que a gente tem quando vê uma criança fazendo algo inesperado, como cantar “Live and let die” do Paul McCartney and the Wings. Mas não levem o termo fofo como algo depreciativo, assim como não dá para pensar que o disco Música de Brinquedo é puro passatempo. A ideia de fazer um trabalho tocando instrumentos que na verdade são pequenas traquitanas que vem da nossa infância teria tudo para ser um tiro no pé se não fosse tão bem executada e encaixasse de forma perfeita ao espírito “funiano” de ser. Covers de canções consagradas e facilmente reconhecíveis se tornaram absurdamente novas e revigorantes como no caso de “Ovelha Negra”, “Sonífera Ilha” e “Todos estão surdos”. No fim das contas, realmente as criancinhas que auxiliam nos vocais da canção do ex-Beatle é uma das coisas mais adoráveis que existem. No fundo, não deixa de sermais um trabalho experimental do grupo mineiro. [LM]

NOTA: 8.0

Sem mais artigos