O retorno do indie nômade

CASS MCCOMBS
Humor Risk
[Domino, 2011]

Quanta inspiração do Cass McCombs em 2011. Depois de lançar o Wit’s End, em abril deste ano, ele coloca na roda o novo Humor Risk, novo trabalho que sai pela Domino. Mais animado e com mais guitarras que seu antecessor, ainda traz, claro, a mesma pitada soturna que é sua marca registrada. Os tons escuros estão por todas as oito faixas. Californiano, McCombs é como um hippie nômade depressivo. Viveu parte de sua vida morando em carros, vivendo de cidade em cidade, acampamentos. Sempre aprimorando sua música que tem jeitão de trovador solitário, mas com uma personalidade dark que o distinguiu. Lança discos desde 2002, mas seu trabalho de maior repercussão até aqui foi Catacombs (2009). Produzido por Ariel Rechstaid, Humor Risk se dá bem quando tenta ser pop, como no primeiro single, “The Same Thing” e “Love Thine Enemy”, que abre o disco. Se torna regular em passagens marcadas pela sofreguidão, como “The Living Word”, quando se assemelha a muito indie tristonho que tem por aí. [PF]

NOTA: 7,0


REAL ESTATE
Days
[Domino, 2011]

O ano foi bom para as bandas que apostam num som cheio de psicodelia e boas intenções. O grupo de Nova Jersey, nos EUA, Real State se deram bem nesse quesito. O novo álbum, Days, é marcado por músicas pop que bebem no idílico universo dos Beach Boys e outras alegrias. As melodias são levadas por guitarras recheadas de uma sonoridade que a cena indie costuma de chamar de “dreamy” (pode-se usar “chillwave” para soar depreciativo também). O álbum segue numa vibe preguiçosa com boas canções para se ouvir em momentos de profundo relaxamento. A exemplo de “Green Aisles”, o primeiro single, e um das melhores faixas. O mesmo vale para “It’s Day”, um tantinho mais animada. Certamente, um dos discos mais interessantes da safra atual do bom-mocismo alternativo, mas pouco memorável se visto em contexto com demais trabalhos de 2011. [PF]

NOTA: 7,0


KASSIN
Sonhando Devagar
[Coqueiro Verde, 2011]

Queridinho de 11 entre 10 cantoras da safra mais recente da música pop brasileira, e conhecido por seus trabalhos em parceria com Domenico e Moreno Veloso, o músico Kassin só agora lança seu primeiro trabalho solo. Para quem já está acostumado com o que ele fez até agora, vai se surpreender com as doidices que ele se permitiu nesse Sonhando Devagar. É uma proposta ‘absurdinha’ com anti-hits, música eletrônica com arranjos bregas e letras improváveis com frases do naipe: “quero transar com você, no banheiro de paraplégicos”, em “Calça de Ginástica”. A viagem proposta aqui é de que não há limites para diversão quando se faz algo por pura catarse, sem um direcionamento definido, analisado ou encomendado. Do samba ao funk, o disco caminha muito bem, com passagens mais empolgantes que outras, naturalmente e destaques para as faixas, “O que Você Quiser” e “Lua do Sol”. Queremos mais Kassin assim, soltinho. [PF]

NOTA: 7,5

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