China

NOVAS PONTES
Produção da MTV tenta revelar produção pop recente do Recife
Por Rafaella Soares, especial para O Grito!

MTV APRESENTA – SINTONIZANDO RECIFE
Vários Artistas
[Universal, 2008]

Ainda na periferia do mainstream, mesmo com todo o reconhecimento que remete ao começo da década de 1990, o cenário musical da capital pernambucana mostra com o passar dos anos uma consolidação mais ligada à força criativa dos projetos paralelos do que às carreiras rentáveis das bandas seminais. O CD/DVD MTV Apresenta: Sintonizando Recife (Universal, 2008), é um bom apanhado do que anda sendo produzido pelos artistas locais.

Sem dúvida o coletivo 3 na Massa é o destaque entre as quatro bandas. Formado por Rica Amabis, Dengue e Pupillo (os dois últimos, integrantes da Nação Zumbi), com participação de vocalistas apenas mulheres, a banda consegue criar ambientações de um sutil erotismo. Muito classudo. Pitty imprime vigor mais light pro seu estilo em “Lágrimas Pretas”, enquanto a atriz Karine Carvalho em “Tatuí” (composição do seu marido, Rodrigo Amarante) é a imagem da fofura. Destaque para a interpretação lúbrica de Barbara Eugênia, uma verdadeira pin-up insurgida em arranjo minimalista. Deve ter sido difícil escolher apenas algumas intérpretes para entrar no disco. Fez falta “Quente como asfalto”, mais a cara da banda impossível.

China é o segundo nome a desfilar suas canções. Um pop que não exatamente disfarça suas letras claramente expressando desajuste, urgência meio sem nome atribuída com frequência aos vinte e poucos anos. “Canção que não morre no ar” é um mimo perdido em vinhetas da TVU que deveria ser bem mais valorizado.

O lado noise de Lucio Maia atende pelo nome de Maquinado. Funciona assim: ele compõe e toca com os parceiros da Nação Zumbi, Usa ideias cabíveis dentro da Nação Zumbi, mas… não soa mais ou menos atual que o último CD, Fome de Tudo. Preste atenção na faixa “O som” – com participação de advinha quem? Jorge Du Peixe, Toca Ogan e Dengue.

A prata da casa, por assim dizer, ficou por último. Mombojó interpreta apenas duas faixas recentes, das quais “Amigo do Tempo” é a mais palatável. Desfalcado de dois dos seus membros originais – Marcelo Campello, que trilha agora um caminho mais erudito, e O Rafa, falecido em 2007- a banda parece mais melancólica ainda, tocando sem plateia. “Duas cores” e “Faaca” – eternas na memória afetiva dos fãs da banda – parecem um pouco desbotadas, até mesmo por ser essa uma experiência de estúdio, o que compromete a energia impressa nos shows.

Na alquimia desses sons, faz muita falta uma banda feito Eddie. Além de hitmaker, é a mais bem sucedida condensando a cidade e música. O que não compromete o resultado no geral, revelando que as bandas tem sim, um som continuado, sem no entanto pertencerem a outro adjetivo que não: conterrâneos.

NOTA: 8,0

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