Cena de Doce Amianto, uma história de amor estrelado por uma travesti (Divulgação)

Cena de Doce Amianto, uma história de amor estrelado por uma travesti (Divulgação)

CINEMA GAY SAI DO GUETO
Filmes como Esse Amor Que Nos Consome e Doce Amianto extrapolam mostras LGBT como o Mix Brasil para ganhar destaque em um público mais amplo

Por Alexandre Figueirôa
De Tiradentes (MG)

O professor e pesquisador Denilson Lopes está em Tiradentes acompanhando a 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes e é um dos críticos debatedores desta edição do festival. Denilson é autor de vários livros, entre eles No Coração do Mundo: Paisagens Transculturais e Delicadeza: Estética, Experiência e Paisagem. Ele foi o comentador do longa cearense Doce Amianto, de Guto Parente e Uirá dos Reis exibido na Mostra Transições. O filme causou uma boa impressão junto ao público e o debate, como vem ocorrendo com a maior parte das obras discutidas, lotou o auditório do Cine-teatro, demostrando o interesse dos participantes do festival de não apenas ver os filmes, mas conhecer melhor o seu processo de realização. O Grito! conversou com Denilson Lopes.

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O Grito! – Como estudioso de cinema qual a sua avaliação da Mostra de Tiradentes no cenário do cinema brasileiro?
Denilson – Freqüento a Mostra há cinco anos, pois para mim é importante me relacionar com esta geração de realizadores que hoje está realizando seus primeiros longas. É bom poder ver estes filmes, acompanhar os debates e compartilhar impressões com os cineastas, estudantes de cinema. E também acho muito bom termos um festival que promove um intercâmbio entre críticos, estudiosos, jornalistas e artistas.

Qual a tua opinião sobre os filmes selecionados?
Gosto do recorte diferenciado feito aqui de ênfase aos jovens realizadores e uma produção que se articula com o desejo de mostrar filmes com problematização estética. Pode parecer uma coisa meio exclusivista, mas as escolhas são colocadas de forma explicíta e serve de plataforma para a afirmação de novos cineastas. É importante haver trocas e compor diálogos entre os diferentes grupos de artistas.

Você tem incorporado filmes destes realizadores em seus estudos e análises em torno do cinema brasileiro?
Sim. Já realizei uma análise sobre Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho e nos meus proximos trabalhos outras obras desta geração estão sendo incorporadas.

Uma de suas áreas de interesse são os filmes com temática homoerótica. Em Tiradentes filmes girando em torno do tema tem encontrado espaço para serem exibidos?
Em 2012 tivemos uma presença maior de filmes com abordagem do universo gay. Este anos temos apenas Doce Amianto e Esse Amor que Nos Consome, mas entre os curtas muitos tratam do tema e alguns deles que antes só eram mostrados em mostras GLBT ou no Mix Brasil, ganharam um espaço mais aberto para novas experiências. Diretores como Marcelo Caetano, Renê Guerra, Rafael Lessa são realizadores vinculados a Tiradentes e apresentaram seus primeiros curtas no festival.

Cena de Esse Amor Que Nos Consome, de Allan Ribeiro (Divulgação)

Cena de Esse Amor Que Nos Consome, de Allan Ribeiro (Divulgação)

Qual a sua avaliação destes dois longas?
Acho ambos curiosos e presenças importantes na mostra. Doce Amianto trata do tema da solidão e de afirmação de um personagem gay num lugar à margem. Trabalha o excesso, o exagero e coloca em cena um travesti que não deseja incluir-se no cotidiano normatizado. Já o filme de Allan Ribeiro, sobre um casal de bailarinos, a homossexualidade não aparece como um problema. É algo integrado ao cotidiano de forma natural.

Veja o que Denilson Lopes falou sobre Doce amianto

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