DE VOLTA À ATIVA
Grupo que revolucionou a televisão contemporânea apresenta seleta dos seus melhores quadros
Da Redação

MONTY PYTHON – O MELHOR POR GRAHAM CHAPMAN
Harry K. Garvin
[Sony DVD, 2006]

Os que não querem ser repetitivos recorrem aquilo que não lhes parece clichê, e Monte Python – O Melhor Por Grahan Chapman, último lançamento do grupo britânico que chegou às prateleiras brasileiras, revela o melhor de tudo aqui que já foi produzido por eles. A proposta da coleção é fazer a seleta pelo critério de cada um dos seus integrantes – Eric Idle, Terry Jones, Terry Gilliam, Michel Palim e John Cleese encabeçarão os próximos títulos da série.

O episódio reservado a Graham Chapman, porém, foge do contexto. Como se sabe, Chapman morreu há quase duas décadas e sua ausência é contornada com um formato especial: selecionados pelo restante do elenco, naturalmente, os esquetes são apresentados de forma compacta, sendo introduzidos por depoimentos sobre a trajetória do humorista. Ao final, soa mais como um documentário-tributo, com viés igualmente cômico já que Graham foi o membro mais excêntrico do sexteto.

Não é exagero dizer que o Monty Python reescreveu a linguagem dos shows de televisão. Afinal, não era exatamente um Ed Sullivan Show. Antes de mais nada pela temática. Sem o menor pudor, o grupo abordava temas como sexo, igreja, realeza, exército, nazismo e gatinhos, muitas vezes misturando estes ingredientes. Mas a verdadeira gramática dos Pythons estava na estrutura do programa. Ela rompeu com vários conceitos clássicos.

Primeiro, foi-se a linearidade. Os esquetes do Monty Python não tinham necessariamente começo, meio ou fim. Eles podiam começar no meio, terminar inconclusos e reaparecer a qualquer momento. Não era nem de longe uma narrativa convencional. Com isso, o esquete do barbeiro homicida podia dar lugar bruscamente à genial Lumberjack Song, onde um viril lenhador canadense revela seu insuspeitado lado feminino. Estas interrupções eram muitas vezes feitas por personagens completamente estranhos ao esquete, como o coronel de Graham Chapman que entrava reclamando: “Stop! Stop! It’s too silly!”. Isso sem contar, é claro, as fantásticas animações de Terry Gilliam, feitas a partir de recorte e colagem, que não só ilustravam a abertura, mas também serviam de ligação entre partes diversas do programa.

Subvertendo ainda mais os padrões narrativos, o grupo conseguiu criar personagens e clichês clássicos completamente fundamentados em sua lógica do absurdo. É o caso do homem que fala “It’s” no começo dos programas, do lesadíssimo Mr. Gumby, do cavaleiro de armadura com o frango de borracha (!), e de muitos outros personagens. Além de tudo isso, o grupo também caprichava nas interpretações. Cleese, sempre impagável, dava shows à parte com suas absurdas figuras autoritárias. Jones, travestido, encarnava com perfeição uma Mrs. Pinnet ou qualquer outra dona-de-casa britânica. Os exemplos são infinitos.

Breve histórico
O Monty Python surgiu em 1969, quando os ingleses John Cleese, Graham Chapman, Michael Palin, Eric Idle, Terry Jones e o americano Terry Gilliam foram contratados pela BBC para fazer um programa. Em 5 de outubro, ao som da “Liberty Bell March”, do compositor John Philip Sousa, foi ao ar o primeiro episódio do Monty Python’s Flying Circus. A série teve 4 temporadas (a última já sem John Cleese) até dezembro de 1974, quando foi ao ar o último de seus 45 episódios.

O trabalho do Monty Python reescreveu a gramática da comédia. E por isso, exerceu influência fundamental em tudo o que se seguiu. Rowan Atkinson, Saturday Night Live, e o nosso Casseta & Planeta, todos devem muito ao sexteto britânico.

O Casseta, por exemplo, segue a estrutura de esquetes do Monty Python Flying Circus, embora sem o mesmo vanguardismo (em que pese o fato do público brasileiro e inglês serem beeem diferentes).
Mas uma coisa é certa. Poucas séries da década de 60 ou 70 podem garantir tanto riso até hoje.

Episódio 8: “Full Frontal Nudity”
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