ZELO EXPERIMENTAL
Como se manter na ativa apostando numa sonoridade incômoda e confusa
Por Lidiana de Moraes

MOGWAI
The Hawk Is Howling
[Wall of Sound, 2008]

“Letras de música são um verdadeiro conforto para algumas pessoas. Eu penso que elas gostam de cantar junto e quando elas não podem fazer isso conosco, eles ficam um pouco incomodados”. Se você se identificou com as pessoas descritas na citação acima, é melhor não perder o seu tempo e parar a leitura por aqui. Acredite até os membros do Mogwai sabem disso. Você vai ficar incomodado escutando o som desta banda cujo nome em cantonês significa “fantasmas”.

Em seu sexto trabalho de estúdio, The Hawk is Howling, o grupo escocês continua focando suas composições em uma vertente musical que parece confundir e ser depreciada por muita gente. Geralmente músicas instrumentais são ligadas a dois conceitos: a músicos virtuosos e egocêntricos como Joe Satriani ou então à melodias para meditação. Os moços saídos de Glasgow não se encaixam em nenhuma dessas categorias.

Em primeiro lugar, nenhum dos membros, por melhor músico que seja, pode ser considerado um “deus” de alguma coisa. A idéia do Mogwai é compor em conjunto, fazer da base de cada canção um entrelaçamento de sonoridades, que vão recheando uma composição até que ela esteja completa. Em segundo lugar, não é possível meditar com nenhuma das canções de The Hawk. Faixas como “Batcat” e “The Sun smells too loud”, apresentam distorções que impediriam alguém de se concentrar a ponto de atingir o nirvana.

Uma brincadeira interessante para ser realizada enquanto se escuta The Hawk is howling é tentar traçar uma relação entre as melodias e os nomes das canções. Mesmo sem escrever letras para as músicas, elas têm títulos para lá de curiosos como “I’m Jim Morrison, I’m dead”, que é atraente, mas em nada remete a The Doors. E “I love you, I’m going to blow up your school” poderia ser a campeã em uma competição de nomes legais para uma composição e de acordes de guitarra mais tristes.

O Mogwai zela pelo experimentalismo. Tem boas influências que vão de The Cure a Sonic Youth. Apresentam-se como músicos e arranjadores competentes, no entanto tem uma deficiência. É preciso encontrar o clima certo para escutar The Hawk is Howling. Se você não conseguir achar, depois de um tempo as músicas começarão a se embaralhar como se tudo acabasse se tornando a mesma coisa. Mas não desista de experimentar esta “novidade” de rock sem letra. O que é novo, criativo e excêntrico pode despertar milhares de neurônios adormecidos…

NOTA: 7,0.

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