Graça Araújo no dia primeiro dia do Festival (Foto: Divulgação)

Por Elizabete Tavares

Não é de hoje que moda e cinema andam juntos. No início, o vestuário era ponto crucial para o sucesso de um filme e muito se gastava no guarda-roupa das atrizes. Como esquecer do vestido de noite branco, com mangas, babados e volume nos ombros, criado pelo estilista Adrian ( o mesmo que desenhou os famosos sapatos de rubi da personagem Dorothy no filme O Mágico de Oz)  para Joan Crawford, no filme Letty Lynton ( 1932) que popularizou a moda das ombreiras; do branco esvoaçante de Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado( 1955), desenhado pelo estilista William Travilla; do Tailleur que se tornou o queridinho das películas dos anos 30 e 40 e de atrizes como Bette Davis, Marlene Dietrich, esta também responsável pela moda das sobrancelhas arqueadas, marcadas à lápis, e Greta Garbo, que graças a seu corte de cabelo curto, era assídua usuária de chapéus e que, nos filmes The Kiss ( 1929), Romance ( 1930) e Mata Hari ( 1931), muito difundiu o uso desse acessório.

Outro bom exemplo é a diva do cinema Audrey Hepburn, que virou “fashion icon” após conhecer o estilista Givenchy, em 1953, de quem se tornou cliente fiel e amiga pessoal, usando suas criações dentro e fora das telas, dando início a uma grande parceria, que resultou na realização do vestuário  de vários de seus filmes pelo estilista e imortalizou o vestido preto longo usado com luvas, cabelo preso em penteado alto, piteira e jóias, look que virou símbolo de sua personagem mais famosa, Holly Golightly, em Breakfast at Tiffany’s ( 1961).

Assim como o público feminino imitava o estilo das atrizes, muitos homens se espelhavam no modo de vestir dos grandes astros como Ronald Colman, Cary Grant, Alain Delon, Marcello Mastroianni e Gary Cooper. Na década de 1950 filmes como Um Bonde Chamado Desejo( 1951) e Juventude Transviada(1955) , transformam os atores Marlon Brando e James Dean em ícones da juventude lançando a moda do jeans, camiseta branca e jaqueta de couro consolidando o estilo informal.

Festivais e premiações de cinema também são constantes focos de moda. As atrizes competem pelas melhores roupas e jóias para passar pelo tapete vermelho em Hollywood, Cannes e afins, que viram verdadeiros desfiles. Cine-PE não é nenhuma premiação do Oscar, mas, guardadas as devidas proporções, é uma ótima vitrine de moda , além de servir de cenário para “grandes espetáculos”, filmes sem noção como Mistéryos e Pela Vida, Pelo Tempo; além do destaque à parte da apresentadora Graça Araújo, cometendo gafes, dando “piti” durante a premiação pela sua excessiva preocupação  com as fotos dos premiados. Com um público cada vez mais diversificado é possível observar que passam pelo “red carpet” recifense integrantes das mais variadas tribos. No fundo, todo mundo se preocupa “com que roupa eu vou? ” conferir os indicados ao troféu Calunga. Não só as mulheres dão uma atenção especial aos looks, os homens também têm se mostrado vaidosos. All stars, sapatilhas e calças skinny foram os que mais “marcaram presença” entre o público. Fui então conferir os estilos “at the movie time” durante toda a semana do festival e fiz alguns registros e comentários.

Sem mais artigos