WELCOME TO THE JUNGLE
Moby volta em uma versão retrô e disposto a encarar a nova fauna de pessoas que estão incrustadas nas pistas de dança
Por Fernando de Albuquerque

MOBY
Last Night
[Mute, 2008]

Moby é daqueles artistas que, mesmo com o passar do tempo, tem espaço cativo na cabeça de cada um. E as lembranças que suas músicas recheiam são boas ou más e estão lá, guardadas incolumemente. E aí poderíamos elencar “Extreme Ways”, música-tema da tríade Identidade Bourne, ou mesmo “Natural Blues” e a fofíssima “Why does my heart feel so bad”. Mas puxação de saco à parte, ele está lançando seu sexto álbum pela EMI. Intitulado Last Night, o disco passa longe da referência rocker que ele vinha utilizando nos seus outros discos.

Aqui Moby foi fundo na disco music e, em um trabalho nada conceitual, procura reproduzir o clima de uma noite da cena dance novaiorquina. Assim, ele assume o primeiro plano da produção que, mesmo com repertório autoral, tira o foco da própria composição como aconteceu em Hotel – álbum que foi às prateleiras ainda em 2005 e causou certa decepção aos fãs. Esse novo espírito requebrante do DJ remete a uma época bem específica na cena musical mundial: o início da década de 80. Nesses anos a disco music dava seus últimos suspiros, já era tachada de brega e démodé. Ao mesmo momento a periferia ganhava a cena com o rap e o nascimento do hip hop, ritmos que ganharam os palcos e as pistas em uma velocidade alucinante.

E Moby, mestre do mix por si mesmo, mistura tudo para compor as músicas como fica exemplificado na melhor seqüência de Last Night em que as faixas são turbinadas com cordas e vocais femininos que nitidamente tributam a divas das discotecas como Donna Summer e Grace Jones. “I’m in Love”, “Disco Lies” e “The Stars” tocam uma atrás da outra de forma quase irresistível. Isso torna o disco um suspiro mais que necessário na carreira do DJ produtor.

Todo o álbum busca captar a efevercência da noite dance com doses mais tênues que bebem na música eletrônica. “Everyday It’s 1989” é a música que mais exemplifica essa intenção já que procura eternizar o estilo das raves. Last Night se impõe como um dos discos mais bem inspirados de toda a discografia do cantor. Tão genial quanto Play – que foi um sucesso com 10 milhões de cópias – mas que, apesar de simbolizar uma grande mudança no próprio percurso da carreia, ainda chega às prateleiras com pouca empolgação.

Não se pode esquecer, contudo, dos violinos e pianos onipresentes na sonoridade das músicas. Estes, formam camadas melódicas que remasterizam todo um passado da história da música. Tudo fica mais evidente em “Disco Lies”, música candidata, sem chance de qualquer tipo de prévia partidária, à categoria de hit. Já “I Love to Move Here” também se configura como faixa principal e transborda personalidade com acordes metálicos e a presença do MC convidado na canção, o experiente Garandmaster Caz, um dos autores do clássico “Rapper’s Delight”.

“Last Night” então soa como um honesto álbum de renovação que representa uma fatia de um momento isolado que a música proporcionou. Moby toca com alegria os pianos meio houseiros que fazem uma releitura da black music. Evidenciando que os americanos ainda tem muita coisa boa para produzir à despeito de sua recessão econômica.

NOTA: 8,0

Moby – Disco Lies

Sem mais artigos