Cena de Para Sempre Teu, Caio F. (Divulgação).

Cena de Para Sempre Teu, Caio F. (Divulgação).

Por Karen Lemos
De São Paulo

Para Sempre Teu, Caio F., de Candé Salles, foi agraciado pelo público com o coelho de ouro de melhor longa nacional na premiação do 22º Festival Mix Brasil – que contempla e dá espaço para a produção cultural LGBT – em noite de cerimônia realizada na capital paulista.

Baseado em um livro homônimo escrito por Paula Dip, amiga pessoal de Caio Fernando Abreu, o filme é o mais completo e sincero resgate de memórias do escritor gaúcho que nos dias de hoje virou uma figura cult das redes sociais. “Quando escrevi o livro, iniciei uma pesquisa e notei que havia uma enorme quantidade de material visual sobre o Caio que estava se perdendo”, recordou em entrevista a O Grito!.

Assim como escreveu o livro, Paula decidiu também assinar o roteiro do longa. A decisão de comandar esses projetos foi fruto de uma promessa firmada com Caio, no ano de 1983, em uma noite regada a bebidas e boas conversas na qual ficou decidido: quem morresse primeiro, contaria a trajetória do outro. “Fiz esse filme para manter viva a memória de Caio, como ele havia me pedido; ter recebido esse prêmio do público me deu uma sensação de missão cumprida”, afirmou, muito emocionada.

A escritora Paula Dip e o diretor Candé Salles. (Divulgação).

A escritora Paula Dip e o diretor Candé Salles. (Divulgação).

As imagens de arquivos encontradas durante a pesquisa para o livro é um dos pilares que compõe Para Sempre Teu, Caio F., que traz ainda entrevistas com familiares, colegas de trabalho e amigos (que eram muitos!) e também encenações de alguns de seus textos por atores famosos como Camila Pitanga, Mariana Ximenes, Cauã Reymond, Caco Ciocler, Fabio Assunção, Thiago Lacerda, entre outros.

A ideia era não se limitar somente à vida do autor, que por si só oferece um conteúdo riquíssimo, mas também explorar e mergulhar fundo em sua obra. “Foi através do texto que Caio me tocou e, dessa forma, virei seu fã. Portanto, nada mais justo do que dividir isso com o público”, ressaltou o diretor Candé Salles em conversa com a reportagem.

O público ainda premiou o curta estrangeiro Aban + Khorshid, que choca ao mostrar as leis que proíbem a homossexualidade no Irã, o longa estrangeiro E Agora? Lembra-me de Joaquim Pinto, sobre a luta do cineasta português Joaquim Pinto contra a AIDS, e o documentário Nan Goldin – Lembro do seu Rosto, a respeito da vida da fotógrafa nova-iorquina Nan Goldin.

Entre os curtas nacionais, um empate. Aceito, de Felipe Cabral, e A Ala, de Fred Bottrel – que dedicou o prêmio aos detentos da ala gay de uma prisão de Minas Gerais – levaram coelhos de prata para casa.

Outros destaques

O júri técnico também premiou com o coelho de ouro o longa-metragem Gazelle – The Love Issue, sobre um conhecido transformista da noite de grandes cidades ao redor do mundo que, após perder o seu parceiro e contrair HIV, embarca em uma transformação de consciência em sua vida, e o curta-metragem Algum Lugar no Recreio, de Caroline Fioratti, sobre como adolescentes lidam com os primeiros sintomas de seus desejos sexuais.

“Filmei esse curta com muita dificuldade, pois ele se passa em um colégio católico e, embora a direção do colégio tenha aceitado, os pais dos alunos foram contra a ideia de fazer um filme com esse tema lá”, contou Caroline após receber o troféu. “No final, a gente venceu, porque os jovens do colégio lutaram por isso. Esse prêmio vai para a atitude desses adolescentes, cuja postura eu admiro”, completou a cineasta, que também levou o coelho de prata de melhor direção.

Os jurados ainda fizeram uma menção honrosa a Nova Dubai, de Gustavo Vinagre, exibido no Janela Internacional de Cinema de Recife deste ano, e deram a Quinze, de Maurílio Martins, o prêmio Canal Brasil de incentivo ao curta-metragem, além de reconhecerem o trabalho da atriz Karine Telles por sua interpretação no filme.

Confira todos os vencedores:

Júri Popular
Melhor Curta Estrangeiro: Aban + Khorshid de Darwin Serink (EUA)
Melhor Longa Estrangeiro: E Agora ? Lembra-me de Joaquim Pinto (Portugal)
Melhor Documentário: Nan Goldin- Lembro do seu Rosto de Sabine Lidl (Alemanha/ Austria/Suiça)
Melhor Curta Nacional: “A Ala” de Fred Bottrel e “Aceito” de Felipe Cabral (empate)
Longa Nacional: “Para Sempre Teu, Caio F.” de Candé Salles (Brasil)

Premio Canal Brasil de Incentivo ao Curta Metragem (de R$ 15 mil): “Quinze” de Maurilio Martins
Prêmio Ida Feldman: Colby Keller

Premiados pelo Júri Técnico Competitiva Brasil de Curtas
Melhor curta metragem nacional Troféu Coelho de Ouro 2014: “Algum Lugar no Recreio” de Caroline Fioratti
Melhor direção de arte: “Edifício Tatuapé Mahal” / Fernanda Salloum
Melhor Fotografia: “Flerte” de Dante Belluti
Melhor Roteiro: “Sobre Papéis”/ Pedro Paulo Andrade
Melhor Interpretação: “Quinze”/ Karine Telles
Melhor Direção: “Algum Lugar no Recreio”/ Caroline Fioratti
Menção Honrosa: “A Ala” de Fred Bottrel

Premiados pelo Júri Técnico Competitiva Brasil de Médias e Longas:
Melhor curta média/ longa nacional Troféu Coelho de Ouro 2014: “Gazelle – The Love Issue” de Cesar Terranova (Brasil / EUA / Polinésia Francesa)
Menção Honrosa: “Nova Dubai” de Gustavo Vinagre

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