Em seu quinto disco Mitski experimenta com piano, batidas e guitarras, mas coloca a voz em primeiro plano

Crítica: Mitski explora as possibilidades do indie-rock no ótimo Be The Cowboy
NOTA8.5

A cantora nova-iorquina Mitski, aqui em seu quinto álbum, aponta para novos caminhos dentro do já conhecido indie-rock. De fato ela sempre se pautou por um olhar pouco usual e mais inovador para o gênero, mas aqui em Be The Cowboy ela alcançou o maior êxito de sua carreira com arranjos sofisticados e que abraça, sem medo, todas as possibilidades do pop.

Contando com sua já conhecida interpretação cheia de entrega e timbres altos, Mitski formulou uma levada diferente para cada faixa, como se embalasse cada emoção trabalhada na música. Em “Old Friend” ela segue delicada em uma balada sobre intimidade e saudade. “Nobody” ela se mostra vulnerável e brinca com as evoluções que oscilam durante toda a faixa. Desde que surgiu no cenário independente, Mitski vem se mostrando interessada em romper com o tradicionalismo do indie-rock, apostando em intercâmbios com o pop experimental e uso de instrumentos como piano (ela é uma pianista com educação em conservatório).

Ela se une a nomes como St. Vincent, que também traz inovações estéticas ao se aproximar do eletrônico. No entanto, Mitski coloca sua voz em primeiro plano, apesar de também apostar nessas inovações. Produzido por Patrick Hyland, o disco é cheio de bons momentos para quem gosta da boa e velha guitarra e bateria, mas que está cansado da mesmice do gênero.

Além disso Mitski segue dando sua visão de uma descendente de asiática na América atual (ainda que sem a mesma força que o trabalho anterior, Puberty 2). Be The Cowboy é mais uma prova de que as mulheres são as responsáveis pela renovação do rock atualmente (vide Snail Mail, TORRES, Julia Holter, Grouper, Courtney Barnett e tantas outras).

MITSKI
Be The Cowboy
[Dead Oceans Records, 2018]

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