Miss Kittin (Foto: Divulgação)

Novo disco da Miss Kittin só evidencia os males da moça: cantar é um deles
Por Hiran Hervé

MISS KITTIN
Batbox
[Nobody’s Bizzness, 2008]

Novos rumos é o que Caroline Hervé aka Miss Kittin, segue em seu novo disco, Batbox. Segundo ela o álbum vem para espantar “antigos fantasmas” e dar as boas vindas a um “tempo de novas percepções”. É notável a diferença que Miss Kittin imprime em cada trabalho e também elogiável a tentativa de se renovar, porém nem sempre tais mudanças vêm a calhar.

Em Batbox, Miss Kittin parece estar convencida de que nasceu para cantar. O que não é verdade. Miss Kittin tem uma “voz gracinha” como se pode ouvir em seus álbuns anteriores I.com (2004) e First Album (2001). Mas nestes percebe-se que foram vocais inseridos para que ela pudesse cantar ao vivo em seus sets e não para que fizesse um show sem os decks na sua frente. Todas as faixas de Batbox possuem a voz de Kittin cantando letras inteiras e não frases feitas, características da música eletrônica. Músicas com roupagens synth-pop (sintetizadores e pop), com pitadas de miami bass, funk e quem diria, rap, estão presentes em seu terceiro disco.

A consciência de sua inocuidade vocal parece vir a tona nas ótimas “Metalhead” e “Batbox”, que coincidentemente (será?) possuem bases de techno e electro mais próximas do que ela vinha produzindo nos últimos anos. A faixa “Play Me a Tape” também lembra um pouco os tempos de electroclash com influência funk, época em que Miss Kittin era rainha.

Que Caroline Hervé sabe produzir, não é discutível. Mas Batbox é lançado numa caixa de fragilidades, que talvez tragam outros males à tona. Bases sem originalidade, a voz fraca e incursões infelizes da DJ francesa com o rap mostram que as novas percepções de Caroline Hervé talvez não sejam das mais agradáveis aos nossos ouvidos e pistas de dança.

NOTA: 5.0

Vídeo de “Kittin Is High”

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