O Ministério da Cultura está cobrando do diretor Kleber Mendonça Filho a devolução da verba recebida para o filme O Som ao Redor (2013), um dos maiores sucessos do diretor. Segundo a pasta, o filme venceu o edital federal de 2009 de forma irregular. O valor chega a R$ 2,2 milhões, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Segundo o ministério, o edital era voltado para filmes de baixo orçamento. O valor deveria ter sido pago em 9/5. Segundo o advogado de Kléber Mendonça, o que está acontecendo é um “equívoco de interpretação” e que o cineasta considera a restituição uma “medida desproporcional, injusta e excessiva”, uma vez que a proposta do edital, que era a realização do filme, foi cumprida.

A produtora do filme, a Cinemascopio, enviou um orçamento de R$ 1.494.991, o que é 15% acima do limite máximo, que é de R$ 1,3 milhão. Após vencer o edital, O Som ao Redor teve seu orçamento corrigido para R$ 1.949.690. Ainda segundo a Folha, a discrepância de valores foi detectada pela Ancine e informada à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura em 2010. Ao final, o longa captou R$ 1.709.978.

A produtora recebeu uma notificação no dia 9 de abril solicitando a devolução de R$ 2.162.052,68, “referente ao recurso público utilizado na realização do filme”. Kléber e sua mulher, Emilie Lesclaux, produtores do filme, tinham dez dias para entrar com um recurso no Minc, mas não o fizeram. A Secretaria do Audiovisual reconheceu que o filme descumpriu o edital, mas solicitou à Advocacia Geral da União que a pena foi reduzida para a devolução apenas da diferença entre o montante captado e o limite máximo do edital. A AGU negou.

A defesa de Kléber Mendonça diz que o filme não ultrapassou o limite do edital e que o excedente foi captado por meio de outro edital, do Governo de Pernambuco. Ao todo foram R$ 1 milhão do Minc, R$ 300 mil da Petrobras e R$ 410 do edital estadual.

O Som ao Redor é um dos filmes brasileiros mais aclamados dos últimos anos e pavimentou a carreira de sucesso de Kléber Mendonça – seu filme seguinte, Aquarius, foi selecionado para a mostra oficial de Cannes em 2016. O próximo longa do diretor é Bacurau, codirigido por Juliano Dornelles e tem novamente Sônia Braga no papel. [Com informações da Folha]

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