Michael Jackson (Foto: Divulgação)

A VIA-CRÚCIS DO POP
Um dos maiores astros da música passou de entreteiner a bom samaritano para depois afundar sua carreira numa sucessão de bizarrices e constrangimentos
Por Eduardo Dias, blogueiro de O Grito!

Os 50 anos de Michael Jackson, talvez um dos principais artistas do século, começaram a ser celebrados com o lançamento do álbum comemorativo Thriller: The 25th Anniversary Edition em fevereiro e atingem seu auge no próximo dia 29 de agosto. Para marcar a data, muitos eventos especiais – como manda a boa educação para a realeza – foram programados como, por exemplo, o lançamento de coletâneas com os maiores hits do cantor.

No Brasil, a SomLivre preparou uma eleição por meio de um hotsite para compor a tracklist da Brazilian Collection do Rei do Pop. O canal Multishow dedicará programação especial, a Globo.com também montou um site especial com vídeos, músicas, reportagens e muitas matérias sobre os principais acontecimentos da vida do Michael. Nós d‘O Grito! também preparamos um especial para esse ícone pop.

Desde os primeiros espetáculos da música pop, a música passou a lidar com uma associação a imagens em torno de si: a performance passou a ser algo importante para o espetáculo musical. A MTV estabeleceu um marco que perdura até os dias de hoje: a música necessita de uma imagem para se comunicar.

Muitos artistas construíram ou decolaram sua carreira com o apoio da MTV e dentre muitos, apenas dois souberam se manter no topo até hoje, ainda que de formas diferentes: Madonna e Michael Jackson. Com altos e baixos em sua carreira musical, a cinqüentona Madonna continua lançando álbuns e acaba de estrear uma turnê mundial. Michael não lança material inédito desde 2001 e ultimamente é mais lembrado pelos seus problemas com a justiça americana e também por causa de dívidas.

Michael atingiu a fama ainda criança, quando fazia parte do Jackson’s Five com sua família e desde então já aprendera a se relacionar com a mídia. Já adulto, alavancou sua imagem através da televisão a um patamar elevadíssimo. Seu grande sucesso na música nos anos 80 foi acompanhado por produções videoclípticas de tirar o fôlego. Já nos anos 90, seus clipes ficaram marcados pelo tom épico e grandioso.

Assumiu, então personagens em seus clipes e que correspondem às fases de sua carreira: showman, popstar e socialmente engajado. Sua figura mais recorrente é a de showman. No final dos anos 80 e na primeira metade dos 90, Michael parece ter tomado consciência da importância da sua música e seus clipes perderam o atrativo de sua dança e da sua música. No final dos anos 90 e no começo dos anos 2000, ele parece ter se desinteressado em entreter seu público e se dedicou às causas humanitárias.

Michael Jackson (Foto: Divulgação)

Sua grande fase como entertainer compreende os primeiros anos de sua carreira e vai até 1984. Os clipes destacavam sua voz única, suas músicas dançantes e, claro, suas coreografias espetaculares. O maior destaque desta época é, claro, Thriller e sua coreografia de zumbis. A ousadia em fazer um curta-metragem para esta música também indica a visão arrojada do artista. Clássicos como Billie Jean e o famoso passo denominado moonwalk, “Beat It” e “Rock With You” marcaram época na música, na moda e na televisão.

À época do lançamento de Bad, o álbum sucessor de Thriller, Jackson já tinha atingido um nível tão elevado na indústria que qualquer lançamento seria um grande acontecimento. O clipe de “Bad” conta com a direção de Martin Scorcese e anuncia a principal característica que reina soberana até 1992: a grandiosidade nas coreografias e a exaltação da figura de Michael como um exímio dançarino ou um grande ícone centro de um universo que reúne grandes estrelas do show business. Além de “Bad”, os clipes “Black Or White“, “Remember The Time” (com Eddie Murphy), “In The Closet” (com Naomi Campbell).

Com Heal The World de 1992, outra faceta do artista se constrói. Agora, ele se empenha em participar em causas humanitárias e ambientalistas. Essa nova persona perdura até seu derradeiro clipe “Cry” de 2001. Essa é a fase mais desinteressante daquele que um dia dominou as paradas de sucesso e disputou com Madonna, Prince e tantos outros o mercado da música. Sua ajuda às causas são de grande valia, mas musicalmente é quase irrelevante. Se ele não fosse Michael Jackson e não tivesse produzido pérolas pop que perdurarão através dos tempos, hoje ele seria mais um artista oitentista no ostracismo. Fica o exemplo para o Bono.

Scream” (1995) e “Blood On The Dancefloor” (1997) são clipes que merecem destaque por serem exceções. Michael resgatou sua figura de dançarino e cantor e colocou o melhor da fase inicial de sua carreira nestes clipes. “Scream” é o clipe mais caro até hoje e é visto como uma tentativa de resgatar a carreira com a ajuda da irmã Janet. Blood On The Dancefloor tem as marcas características do começo da sua carreira: o suingue, a dança e a sua voz. Apesar de em ambos os casos o resultado ter ficado abaixo daquilo que eles tentam resgatar do Michael, são exceções bem-vindas.

Parabéns Michael! Obrigado pelos álbuns Off The Wall e Thriller. Obrigado pelas mega-turnês mundiais. Obrigado pelos clipes de orçamentos astrônomicos. Obrigado pelas coreografias. Para celebrar o momento do Rei do Pop, encerraremos com o clipe de “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”. É impossível ficar parado, Michael está em sua melhor fase e o clipe de 1979 anuncia toda uma “estética chroma key” que domina a MTV em sua fase inicial.

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“Thriller”

[youtube]http://br.youtube.com/watch?v=4_hz2am90Hk[/youtube]
“Don’t Stop ‘Til You Get Enough

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