Kala alarga as possibilidades sonoras de M.I.A. e supera seu disco anterior

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M.I.A.
Kala
[Beggars Banquet/Interscope, 2007]

mia-kala.jpg M.I.A. está em casa. Estão lá seus cachorros, crianças correndo, chamando seu nome. Estão lá África, Ìndia, Inglaterra, Estados Unidos, Portugal, Brasil, Austrália. M.I.A. está em todo lugar, pertence a todo lugar. Este seu novo disco percorreu muitos lugares, se transformando quase numa coletânea de ritmos. É difícil dizer se Kala é funk, rap, electro.

O mais interessante de M.I.A. é instigar o interesse pela sua música não pelo que ela tem de mais esquisito ou exótico, e sim pela criatividade em misturar as referências a ponto delas não se distinguirem. Em sonoridade, Kala é bem mais ousado que Arular, o disco de estréia. Com cinco produtores diferentes, se afastou o quanto pode do funk carioca (apesar deste também se fazer presente) e misturou samplers inusitados e curiosos. “$20” tem uma base de New Order misturado com o refrão de Pixies “Where´s is My Mind?”. “Jimmy”, a mais indiana das músicas é uma regravação de um clássico de Bollywood, mas fala de guerra e conflitos étnicos. “Paper Planes” é a mais genial, quase uma baladinha, singela, com a voz de M.I.A. numa entonação doce. A letra também é um contraste: aborda a vioência do tráfico.

Como rapper, M.I.A. é superior a quase tudo feito atualmente, seu discurso é incisivo, verdadeiro e suas rimas estão entre o violento e o sarcástico. Em ritmo e criatividade, está ao lado de nomes como Clipse e Kanye West. Como música eletrônica, Kala é empolgante. Impossível não se contagiar com suas batidas, sua mistura, a base cativante de “Boyz”, o Kraftwerk misturado com ecos de Afrika Bambataa em “XR2”. Chamá-la de “electro-étnico” é um pensamento estreito demais. Sua música é o que de mais moderno a eletrônica, hip-hop e demais estilos que engloba tem feito. [Paulo Floro]

NOTA: 10

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