TODOS OS QUADRINHOS
O melhor da produção de HQs no Brasil em 2014

Como todos os anos, encerramos nossos especiais de melhores do ano com a publicação do Top 25 de HQs lançadas no Brasil. O ano se destacou pela boa produção nacional, mas sobretudo pela chegada de nomes estrangeiros renomados, mas pouco conhecidos por aqui. Foi também o ano em que autores brasileiros decidiram olhar para a história do nosso país através dos quadrinhos. Com vocês as melhores obras escolhidas pelos editores da Revista.

Vamos tirar um recesso para curtir as festas de final de ano. Voltamos em janeiro de 2015 com muitas novidades. Até lá.

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BOM DE BRIGA, de Paul Pope
[Companhia das Letras]

Um garoto abandonado em um mundo cheio de monstros sanguinários. É o mote para Paul Pope explorar seu traço explosivo e de muito vigor, o que o coloca no rol de autores mais inventivos dos quadrinhos hoje.

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KLAUS, de Felipe Nunes
[Balão Editorial]

Felipe Nunes, de apenas 19 anos, começou a carreira colaborando em revistas como Recreio, Mad e Mundo Estranho. A editora indie Balão decidiu apostar no jovem autor e lançou essa sua segunda HQ com uma narrativa longa, de 100 páginas. O trabalho chama atenção pela delicadeza com que trata de um tema muito próximo à sua realidade, a passagem da infância para a adolescência.

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SOLAR – HISTÓRIA DE ORIGEM, de Wellington Srbek
[Mais Quadrinhos]

Como autor, Wellington Srbek aceita os mais diversos desafios, sobretudo a experimentação de gêneros. Em Solar ele decidiu apostar em um terreno pouco explorado pelo quadrinho nacional: a narrativa de super-heróis. Seu grande feito foi trazer referências locais e uma história que conferiu uma identidade nacional sem subverter o gênero. Leia nossa entrevista com o autor.

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GRAPHIC MSP: BIDU – CAMINHOS, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho
[Panini Comics]

Os autores Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho trouxeram um olhar lúdico para um dos personagens mais icônicos de Maurício de Sousa. A trama fala de amadurecimento e amizade através de um traço aquarelado e algumas experimentações gráficas que colocam a obra entre um dos melhores volumes já lançados da Graphic MSP. Leia nossa resenha.

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LEGIÃO, de Salvador Sanz
[Zarabatana Books]

O traço hiper-realista do quadrinista argentino Salvador Sanz deu vida a essa trama que mistura realismo mágico, horror moderno e ficção-científica. Aqui, a criação artística é mostrada como uma arauta do apocalipse em uma história que mostra uma melodia que nunca deveria ser tocada, uma cor que nunca deveria ser vista e uma forma que nunca deveria ser esculpida. Após essas descobertas, está iniciado o fim do mundo.

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OS IGNORANTES, de Étienne Davodeau
[WMF Martins Fontes]

O francês Étienne Davodeau comprova com esta HQ que nenhum estilo ou gênero é proibitivo a uma arte tão rica como os quadrinhos. Os Ignorantes é um misto de ficção com ensaio que traz uma viagem divertida sobre o universo dos vinhos.

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PROPHECY, de Tetsuya Tsutsui
[JBC]

Tetsuya Tsutsui criou uma saga que misturava rede social com histórias clássicas de espionagem. Neste mangá repleto de humor negro, o autor levou às últimas consequências situações típicas nesses tempos conectados.

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SÃO JORGE – VOLUME 1 – SOLDADO DO IMPÉRIO, de Danilo Beyruth.
[Panini]

Danilo Beyruth, um dos quadrinistas brasileiros mais aclamados em muitos anos, trouxe uma versão do mito de São Jorge atualizado para uma proposta de HQ pop, cheia de aventura e ação. Sua visão de um dos santos mais populares do país contou ainda com a presença do dragão, parte da iconografia do santo.

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CORAÇÃO DAS TREVAS, de David Zane Mairowitz e Catherine Anyango
[Veneta]

A versão em HQ deste clássico da literatura é tão tenebroso quanto o original. Os autores David Zane Mairowitz (texto) e Catherine Anyango (arte) conseguiram transpor as descrições psicológicas de Joseph Conrad para a narrativa em quadrinhos. Mas é na arte que a obra se impõe com a transposição de seu clima perturbador

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TALVEZ SEJA MENTIRA, de Shiko e Bruno R.
[Independente]

Shiko se inspirou nas HQs eróticas que fizeram sucesso no Brasil nos anos 1960-70 (os chamados “catecismos”) para criar esta HQ Talvez Seja Mentira ao lado do jornalista Bruno R. Com a obra, o paraibano Shiko – presente em duas edições na nossa lista de melhores do ano passado – prova que ainda é possível experimentar em gêneros atualmente esquecidos pelo mercado nacional de HQs.

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

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OLYMPE DE GOUGES, de José-Louis Bocquet e Catel Muller
[Record]

HQ de fôlego com suas quase 500 páginas, Olympe de Gouges conta a história de Marie Gouze, mãe e viúva que se inspirou nas ideias libertárias de Rousseau para redigir em 1791 a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, reivindicando a igualdade entre os sexos e o direito ao voto.

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MORPHINE, de Mario Cau
[Independente]

Mario Cau retomou mais uma vez suas referências para criar esse drama ‘rocker’. “Morphine não só marca a volta do Cau à produção independente, como também evidencia o que ele faz de melhor: expor o emocional de personagens jovens à procura de seu lugar no mundo”. Veja nossa crítica.

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QUAISQUALIGUNDUM, de Roger Cruz e Davi Calil
[Independente]

Roger Cruz e Davi Calil utilizaram o cancioneiro de Adoniran Barbosa para criar essa HQ que traz um olhar poético sobre a obra do músico ao mesmo tempo em que presta homenagem à cidade de São Paulo dos anos 1970-80.

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AOS CUIDADOS DE RAFAELLA, de Marcelo Saravá e Marco Oliveira
[Zarabatana]

Os autores Marcelo Saravá e Marco Oliveira adaptaram o estilo de Nelson Rodrigues aos quadrinhos. Na trama, o quarentão Nicolas apaixona-se pela manipuladora cuidadora de sua mãe idosa. É o mote para os autores explorarem experimentos gráficos que ambientam o leitor no clima cruel e inexorável típicos do universo rodrigueano.

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GRAPHIC MSP: ASTRONAUTA – SINGURALIDADE, de Danilo Beyruth
[Panini Comics]

Danilo Beyruth retoma o personagem Astronauta nesta nova HQ da Graphic MSP. “O tom filosófico da HQ anterior foi substituído por outro, mais aventureiro – o que também não deixa de ser algo inerente ao Astronauta. O resultado é menos poético, é verdade, mas não menos divertido.” Veja a resenha.

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O CÃO QUE GUARDA AS ESTRELAS, de Takashi Murakami
[JBC]

Takashi Murakami conseguiu criar uma emotiva obra sobre amizade e auto-descoberta neste mangá lançado pela JBC, que passou a apostar em títulos mais autorais com acabamento diferenciado. O livro traz um tom melancólico constante e se conecta sobretudo com aquele leitor que tem ou teve algum cachorro de estimação em algum momento.

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A VIDA DE JONAS, de Magno Costa e Marcelo Costa
[Zarabatana]

Um ex-alcóolatra abandonado pela mulher que sonha em ter uma segunda chance. Os irmãos Magno e Marcelo Costa, revelações das HQs brasileiras, criaram esta narrativa pesada e que passa uma veracidade que chega a ser desconcertante. O personagem-título, com todas as suas imperfeições, cria uma conexão quase que instantânea com o leitor.

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FIM, de Rafael Sica
[Beleleu]

O traço de Sica é por vezes perturbador, remetendo ao expressionismo e op-art, mas com um tom que parece um filme de terror B. Fim, vendido como um “Ilustrado Manifesto” é o modo do autor de contornar contradições, pequenas atitudes humanas e sentimentos como isolamento, tristeza, ansiedade e ódio. Veja nossa resenha.

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07
PAOLO PINOCCHIO, de Lucas Varela
[Zarabatana]

Grata surpresa no mercado brasileiro de quadrinhos foi a aparição do argentino Lucas Varela em nossas livrarias e comic-shops. “Sua versão mistura um pouco da personalidade do Pinóquio de Fábulas, com o tom usado na graphic novel de Winshluss, só que de maneira mais leve e menos explícita e escatológica.” Veja nossa resenha.

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AÂMA VOL. 1 – O CHEIRO DE POEIRA QUENTE, de Frederik Peeters
[Nemo]

Aâma, do suíço Frederik Peeters é uma das HQs de ficção-científica mais inventivas dos últimos tempos. “Peeters parece perguntar em sua obra se alguma “essência” humana pode ficar salva dentro de um contexto onde tudo parece depender de tecnologia e suportes artificiais – moradia, corpo humano, energia, relacionamentos. Mas não é uma visão pessimista. A HQ é sagaz ao colocar essas questões de maneira sóbria, sem formular respostas para essa reflexão. A empatia com o leitor é feita na imaginação do futuro a partir de um exagero da nossa situação atual.” Veja a resenha.

Cena de As Barbas do Imperador: trabalho meticuloso. (Divulgação).

Cena de As Barbas do Imperador: trabalho meticuloso. (Divulgação).

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AS BARBAS DO IMPERADOR, de Spacca e Lilia Moritz Schwartz
[Companhia das Letras]

Uma das melhores HQs do ano revisitou a história e a política do Brasil. “Na HQ, Lília levou o mesmo misto de ensaio interpretativo com biografia e contou com o traço de Spacca, com quem já trabalhou em D. João Carioca. A dupla conseguiu achar um tom dinâmico que faz o leitor “passear” pelos fatos de maneira muito fluída. Para isso, Spacca adaptou a narrativa clássica dos quadrinhos para incluir infográficos, painéis ilustrados com informações, mapas, pinturas, documentos e outros recursos que pulam como pop-ups na leitura, sem deixar o leitor divagar”. Veja nossa resenha.

saga

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SAGA, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples
[Devir]

Saga, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples, representa o renascimento das boas narrativas de HQs adultas nos comics norte-americanos, sobretudo na editora Image, lar de séries que buscam ousadia nos temas e formatos. Aqui, Vaughan decidiu explorar o gênero “space-opera” ao contar a história de um casal de raças tradicionalmente inimigas, mas que decidiram fugir para viver um amor e salvar a filha gerada pela relação. A trama é toda narrada pelo bebê. Com um traço limpo de Staples que equilibra a proximidade dos personagens com o impacto visual gerado pelos cenários alienígenas, a HQ é uma das mais instigantes a se acompanhar no cenário adulto das HQs dos EUA hoje.

cumbe3

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CUMBE, de Marcelo D’Salete
[Veneta]

O quadrinista Marcelo D’Salete se impôs um dos maiores desafios tanto nas HQs como em qualquer arte feita hoje no Brasil: contextualizar e trazer um olhar longe dos estereótipos sobre a história dos negros escravos trazidos ao País. “Nesta HQ que também tem cara de ensaio, Marcelo trouxe um olhar que buscou fugir do lugar comum quando o assunto é a matriz africana. Para começar, Cumbe não se roga em explicitar a violência do período. Mas faz isso de um ponto de vista do escravo, explicitando tanto sua dor quanto a revolta. Ao branco dominador não lhe resta nenhum papel a não ser o da incongruência, daquele que ficou do lado errado da história e que ainda hoje vive benesses de anos de exploração”. Veja a resenha.

Epstein viveu em um dos piores períodos para gays no Reino Unido. (Divulgação).

Epstein viveu em um dos piores períodos para gays no Reino Unido. (Divulgação).

02
O QUINTO BEATLE, de Vivek J. Tiwary, Andrew C. Robinson e Kyle Baker
[Aleph]

Um dos trabalhos mais impactantes do ponto de vista visual foi este O Quinto Beatle, que saiu pela Aleph. “Os artistas Andrew C. Robinson e Kyle Baker trouxeram à HQ a delicadeza e poeticidade necessária para traduzir o personagem complexo que foi Brian Epstein. Vivendo em uma das épocas mais conturbadas e perigosas para gays, ele viveu transtornado por uma solidão que funcionava como uma punição. A HQ usa diversos recursos narrativos para contar esses embates internos de Epstein. É algo que parece funcionar apenas nos quadrinhos,um tipo de impacto visual que nos aproxima do íntimo do personagem como talvez poucas mídias são capazes.” Veja a crítica.

Foto: Divulgação/Veneta.

Foto: Divulgação/Veneta.

01
TUNGSTÊNIO, de Marcello Quintanilha
[Veneta]

Marcello Quintanilha é o autor de quadrinhos que melhor retratou o brasileiro comum. Com Tungstênio, ele reafirma seu estilo bem característico de criar histórias envolventes a partir do cotidiano. “Sem maniqueísmo, Quintanilha entrega mais uma obra sobre relações humanas e como as pessoas reagem às injustiças sociais. Tudo isso aliado a um rigor narrativo que o torna um dos melhores contadores de história da ficção brasileira atualmente. Há mais marcas da assinatura de Quintanilha em Tungstênio: a maior delas é a abordagem naturalista que faz de seus personagens, como o ótimo trabalho de transpor o modo de falar das pessoas para os balões e a caracterização sem exageros do cotidiano do cidadão comum.” Veja a entrevista que fizemos com ele este ano.

Foto: Divulgação/Veneta.

Foto: Divulgação/Veneta.

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