O ANO NA TELA
Com vocês os melhores filmes lançados no Brasil este ano. Selecionamos longas nacionais e estrangeiros que estrearam comercialmente entre janeiro e dezembro de 2014. Ao contrário de nossas outras listas de Melhores do Ano, os longas apresentados aqui não estão em formato de ranking.

Pela Equipe da Revista O Grito!

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Discos internacionais que você não ouviu

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O LOBO DE WALL STREET
De Martin Scorsese

O filme de Scorsese foi recebido com ressalvas por parte da crítica e do público por conta do personagem politicamente incorreto, mas real, vivido por Leonardo di Caprio. Os excessos do protagonista e o seu mau caráter na hora de ganhar dinheiro não são realmente bons exemplos, mas o filme tem a marca do diretor e faz lembrar o Scorsese de Os Bons Companheiros. Diverte e ao mesmo tempo lança um olhar mordaz sobre a mentalidade norte-americana e como no capitalismo selvagem ninguém é cordeirinho. – Alexandre Figueirôa.

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HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO
De Daniel Ribeiro

Este foi um dos filmes mais fofos do ano. A história de amor entre um garoto cego e seu colega de escola conquistou plateias pelo mundo todo. Com uma narrativa delicada, o diretor Daniel Ribeiro toca o espectador ao desdramatizar uma situação que para muitos é ainda carregada de tensões. Ribeiro, de forma singela e sincera, mostra que a paixão entre dois jovens do mesmo sexo não é o fim do mundo. – Alexandre Figueirôa.

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ELES VOLTAM
De Marcelo Lordello

O longa de estreia de Marcelo Lordello foi uma boa surpresa entre os novos filmes da cena pernambucana. Nele, nos deparamos com um sutil ensaio cinematográfico que encanta, comove e nos leva a pensar sobre os abismos sociais que estão à nossa porta e do qual muitas vezes conhecemos apenas a superfície de tensões, preconceitos e clichês, forjados muitas vezes por teorias sociais que não adentram na complexidade das relações humanas – Alexandre Figueirôa.

RIOCORRENTE
De Paulo Sacramento

Dialogando sobre protestos e insatisfação social no Brasil atual o longa faz discussão filosófica em linguagem audiovisual. Perturbador, provocante, não são poucos os adjetivos para qualificar a estreia de Paulo Sacramento como diretor. Exu, o garoto de Riocorrente, representa o novo olhar, nada pueril, sobre o nosso futuro. Drogas, violência, solidão, a cidade global é o fim da infância, e não oferece nenhuma perspectiva democrática de sobrevivência. – Luiza Lusvarghi.

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PRAIA DO FUTURO
De Karïm Ainouz

A reação de espectadores homofóbicos que não suportaram ver o ator Wagner Moura agarrado com outro homem perderam a oportunidade de mergulhar numa bela história de amor, intensa, arrebatadora e melhor, narrada com sensibilidade e apuro estético por meio de um filme onde cada plano, cada gesto nos coloca diante de um dos maiores desafios do mundo contemporâneo para os seres definidos como sendo do gênero masculino: o que fazer para romper com séculos de uma cultura cujos sentimentos e desejos são colocados em camisas de força e continua punindo quem delas escapam? – Alexandre Figueirôa

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INTERESTELAR
De Christopher Nolan

Buracos negros e de minhoca, teoria da relatividade e física quântica. O filme de Christopher Nolan nos narra a aventura do ex-piloto da Nasa, Cooper, e sua viagem para salvar a humanidade e sua família. O filme é baseado nas teorias científicas desenvolvidas por Kip Thorne, físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia especialista em Teoria da Relatividade. A leveza dos personagens, a beleza do cosmo auto-construído e a tese do amor enquanto uma fonte inesgotável de ligação entre os seres transformam as quase três horas do filme numa verdadeira ode ao sci-fi contemporâneo de altíssima qualidade. – Fernando de Albuquerque.

O HOMEM DAS MULTIDÕES
De Cao Guimarães e Marcelo Gomes

Marcelo Gomes e Cao Guimarães uniram-se na tarefa nem sempre tão fácil de fazer um filme a quatro mãos. O tema também é espinhoso: a solidão. Todavia, a história do condutor de trem que evita comunicar-se com os que estão a sua volta resultou num filme interessante, sobretudo pela fotografia com a paleta de cores desbotada e a janela quadrada potencializando a sensação de isolamento do protagonista. – Alexandre Figueirôa

O MENINO E O MUNDO
De Alê Abreu

Vencedor do festival de Annecy, o mais importante do mundo na área de animação, o longa de Alê Abreu surpreende pela delicadeza com que explora os traços para falar de sentimentos universais como o abandono, a desolação e a pobreza. Ele usa a trajetória do garoto do título para chamar atenção para injustiças cometidas a favor do capital e em prejuízo dos trabalhadores e das populações de subúrbios. – Paulo Floro

ELA
De Spike Jonze

O filme mais depressivo do ano? O mais superestimado? O longa de Spike Jonze, indicado a cinco Oscar, chama atenção de qualquer maneira pelo argumento peculiar, mas adquire um tom muito particular no avançar da trama. A história aborda a vida comum de um escritor de cartões (Joaquim Phoenix) que se apaixona pelo seu sistema operacional do computador (Scarlett Johansson). É menos um longa sobre a tal geração hiperconectada à internet e mais uma investigação sobre como o amor pode ser tão ou mais complexo como a mais avançada programação de computador. – Paulo Floro

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GAROTA EXEMPLAR
De David Fincher

David Fincher segue com sua assinatura gélida para criticar problemas típicos das sociedades modernas. Depois de explorar os limites da loucura no cyberpunk Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, ele agora trata das pressões pelo sucesso e pela aparência em um mundo em crise com Garota Exemplar. Um desaparecimento de uma suposta “garota perfeita” é o mote para o diretor explorar todas as possibilidades do gênero neste longa cheio de reviravoltas e um tom de thriller psicológico. – Paulo Floro

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RELATOS SELVAGENS
De Damián Szifrón

Um bom exemplo da atual safra do cinema argentino, que vem surpreendendo com sua audácia, Relatos Selvagens é a aposta dos hermanos para o Oscar. O filme arrancou risos e aplausos durante a abertura da 38ª Mostra de São Paulo – e não foi à toa. Com histórias de curta e média duração que compõe o longa-metragem assinado pelo diretor Damián Szifrón, Relatos é um prato cheio para os amantes do humor negro. São histórias que provam que a vingança é um prato que se come frio, que é possível rir dela e que isso faz bem! O cinema, no caso desta obra, serve mais como catarse para o espectador do que como uma peça de entretenimento. A produção é de Pedro Almodóvar, com o talentoso Ricardo Darín no elenco, uma fotografia que acerta em sua proposta e uma sequência genial de uma cerimônia de casamento que faria qualquer noivo repensar a respeito de seu futuro no matrimônio. – Karen Lemos

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AMANTES ETERNOS
De Jim Jarmusch

Só mesmo Jim Jarmusch teria o bom humor necessário para relaxar com a onda de vampiros melancólicos e violentos no cinema para propor uma produção irônica e divertida neste ótimo Amantes Eternos. Ele decidiu abordar a arte como patrimônio da humanidade através da história de três sanguessugas centenários e eruditos. Aproveitou para fazer comentários sobre artistas e obras do passado e dos dias atuais. – Paulo Floro

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O GRANDE HOTEL BUDAPESTE
De Wes Anderson

Wes Anderson tem se especializado em fazer filmes com personagens esquisitos e divertidos em situações não menos inusitadas. Foi assim em Os Excêntricos Tenembaums, em Moonrise Kingdon e neste seu último trabalho sobre a amizade entre um gerente de um hotel europeu e um jovem empregado. Além de um roteiro criativo, misturando farsa e drama, o cineasta capricha nos elementos estéticos e realizou um de seus trabalhos mais bem recebidos pelo público. – Alexandre Figueirôa.

O LOBO ATRÁS DA PORTA
De Fernando Coimbra

O filme O Lobo Atrás da Porta, que conta a história do sequestro de uma garotinha num subúrbio carioca, seduz pela temática, pelos planos fechados, e pelo suspense, embora o pano de fundo seja extremamente pertinente à realidade brasileira. O diretor estreante Fernando Coimbra decidiu mostrar um outro Rio de Janeiro, mais escuro, com planos fechados e do qual o Pão de Açúcar e as praias são apenas pontos distantes no cenário. O longa é um legítimo representante do bom momento do suspense nacional nas telas. – Luiza Lusvarghi

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NINFOMANÍACA VOLS. 1 E 2
De Lars Von Trier

A obra de Lars Von Trier é sempre sinônimo de polêmica. Neste filme não foi diferente e mais uma vez o cineasta dinamarquês botou o espectador na berlinda pra decidir se deve “ama-lo ou odia-lo”. Mas, muita gente acabou gostando do pornô psicanalítico onde por quatro horas (divididas em duas partes) uma mulher discorre e mostra como é a vida de uma pessoa atormentada pela necessidade de fazer sexo compulsivamente. Quem quiser ver na versão para DVD e Blu-ray vai ter que se contentar com os cortes moralistas feitos pelos distribuidores. Sexo, infelizmente, ainda é tabu – Alexandre Figueirôa.

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VENTOS DE AGOSTO
De Gabriel Mascaro

Gabriel Mascaro, responsável por documentários como Um Lugar Ao Sol e Domésticas – decidiu se arriscar na ficção com este delicado Ventos de Agosto. Apostando no tom contemplativo e no silêncio ele nos coloca em intimidade com Dandara, uma garota da cidade que vive deslocada em uma vila de pescadores no interior. Com uma sensibilidade pouco verificada hoje no cinema nacional Mascaro conseguiu falar de amor e inadequação através de um longa que se expressa sobretudo com as imagens e tomadas da natureza.

12 anos de escravidão

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO
De Steve McQueen

Dirigido por Steve McQueen, o longa conta a história de Solomon Northup, interpretado por Chiwetel Ejiofor, um negro livre, morador do Norte dos Estados Unidos, que, em 1841, foi sequestrado e escravizado no Sul do país, onde foi submetido ao trabalho forçado em plantações por 12 anos até conseguir sua libertação. Com interpretações brilhantes tudo aquilo que aparenta salta aos olhos de tão impecável: trilha sonora, decupagem, fotografia, atuações. O único defeito está em McQueen ressaltar Solomon como um “negro excepcional”, destacando as características individuais daquele homem, suas decisões, angústias e concessões, tirando o caráter universal de sua caminhada. Foi o grande vencedor do Oscar este ano – Fernando de Albuquerque.

VIDAS AO VENTO
De Hayao Myiazaki

Vidas Ao Vento, o filme de despedida do diretor japonês Hayao Myiazaki é um libelo pacifista feito com as cores e os traços de um dos cineastas mais sensíveis que o cinema já viu – seja na animação ou nas produções em carne e osso. Hayao trouxe ao longa uma delicadeza que contrasta com a trama sobre a violência e intolerância crescente às vésperas das Grandes Guerras Mundiais. Ele criou uma obra poética sobre arte, sonhos e relacionamentos através da biografia de Jiro Horikoshi, o inventor dos caças usados pelo Japão na 2ª Guerra. – Paulo Floro

SOB A PELE
De Jonathan Glazer

O diretor Jonathan Glazer decidiu explorar a investigação metafísica através da ficção-científica neste pretensioso Sob A Pele. Ainda colocou Scarlett Johansson em um de seus papeis mais desafiadores. Na pele de uma alien assassina dissimulada Scarlett encontrou o tom necessário nesta trama que trata de solidão, desejo e o sentido da existência humana. Sob A Pele é um filme difícil, mas com uma beleza e tensão narrativa que só alguém com muita ambição conseguiria obter êxito. – Paulo Floro

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BOYHOOD
De Richard Linklater

Esse é um filme para que gosta de histórias que atravessam anos e sentem prazer em acompanhar as mudanças que a vida provoca nas pessoas. Usando os mesmos atores, o diretor Richard Linklater observa doze anos da vida de um garoto – desde a infância até a adolescência – e compõe um belo painel sobre amadurecimento, escolhas, frustrações, de um jovem norte-americano. É um filme sobre o cotidiano e acontecimentos prosaicos, mas que ao serem vistos de uma única leva nos faz pensar sobre o sentido da existência. – Alexandre Figueirôa.

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