Nunca a produção brasileira teve um ano tão bom. É esse o primeiro pensamento que se tem na nossa lista de melhores discos do ano. Com bons lançamentos ao longo do ano, o indie nacional conseguiu se fazer ouvido ao propor inovações na música popular brasileira, como é o caso de Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci e também por dizer que rótulos já não fazem sentido, caso de Holger.

No cenário internacional, o hip hop trouxe, mais uma vez, boas novidades, como Big Boi, que conseguiu se destacar longe de sua metade da dupla Outkast, e o The Roots, com seu rap de protesto, que dessa vez, pesou menos a mão e decidiu lançar uma obra mais subjetiva. Mas foi mesmo Kanye West quem se destacou. Seu disco conceitual é o mais importante de sua carreira e seu trabalho leva o gênero a um outro estágio, ao propor uma ousada fusão de estilos.

No pop, destaque para o dream-pop do Beach House, Hot Chip e o canto do cisne do LCD Soundsystem. A Revista O Grito! escolheu os 30 melhores álbuns deste ano.

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Pelos editores da Revista O Grito! Foto de Pulpolux!!!

CARIBOU – Swinn
Pop, eletrônico, psicodélico. O som do Caribou consegue unir essas três vertentes e fazer produzir um resultado incrivelmente dançante. Swinn começou o ano provocando com suas bases progressivas e mais tarde revelou hits como “Odessa”.

APANHADOR SÓ – Apanhador Só
Depois de dois EP’s que mostraram que esses gaúchos tinham uma boa ideia a trazer para a cena indie, o Apanhador Só colocou seu primeiro disco nas ruas. Esse ano foi incrível para a banda, que fez diversos shows pelo País, foi descoberta pelo público – e amada pela crítica. O disco tem um projeto gráfico ousado e músicas idem, como a estranha “Nescafé” e “Prédio”.

GORILLAZ – Plastic Beach

Disco mais pop do Gorillaz, segundo o próprio líder, Damon Albarn. E é mesmo. Depois de perder o ritmo em lançamentos pulverizados, como EPs e remixes, esse projeto inovador causou estardalhaço com esse disco de estúdio. Neste terceiro álbum, os convidados especiais tem quilate alto dentro do cenário pop: Gruff Rhys, do Super Furry Animals, Little Dragon, Lou Reed, Snoop Dogg, Bobby Womack, Mos Def e o toque excêntrico, o The Lebanese National Orchestra for Oriental Arabic Music. É também um tapa na cara de quem ainda torce o nariz para a “banda de desenho animado”.

BELLE AND SEBASTIAN – Write About Love
Quem duvidava que os escoceses do Belle & Sebastian ainda tinha fôlego para um trabalho inspirado, tiraram as dúvidas com esse novo disco. Trata-se de uma dos melhores trabalhos do grupo e não fica a dever aos clássicos da fase monocromática, que saíram aqui no Brasil pela Trama no início dos anos 2000. É também superior aos últimos registros da banda. Músicas como “I Want To World To Stop” mostra porque eles são a gênese da fofura enquanto gênero.

CRYSTAL CASTLES – Crystal Castles
Essa dupla canadense manteve a qualidade do trabalho anterior, quando surgiram. Mais uma vez homônimo, o som eletrônico do duo tem um apelo melancólico e convive com as bases pesadas e muita distorção. Ainda capricham no impacto visual, com o apelo fashionista colaborando para a construção do universo pop da banda. Uma das mais criativas crias desses anos 2000. Esse segundo disco rendeu clássicos como “Celestica”.

DAS RACIST – Sit Down, Man
Michel Foucault, Google, X-Men, Justin Bieber. É esse caldo caótico de referências que torna o Das Racist uma das melhores novidades do hip-hop deste ano. O grupo nascido no Brooklyn faz parte da turma do rap alternativo que dialoga com outras audiências, como o rock alternativo. Bem-humorado, Sit Down, Man, é um modo cinismo de mostrar que o gênero em que se meteram ainda se leva a sério demais e carece de experiências provocativas como essa.

DRAKE – Thank Me Later
Num ano tão bom para o Hip Hop como foi 2010, vimos surgir um rapper do Canadá para engrossar as fileiras do rap mais comercial, mas com personalidade. Drake se mostrou nesse disco uma máquina de fazer hits e foi bem aceito pela comunidade musical da qual faz parte. Suas músicas tem um apelo despretensioso e a produção impecável já o transformam num pequeno gigante do gênero.

HOLGER – Sunga
Entre uma nova geração de bandas nacionais formadas por amigos cuja a amizade cresceu também em função dos gostos musicais em comum, a banda paulistana Holger lançou finalmente o seu primeiro disco, denominado Sunga. Chamados de “new wave brasileira” e outras alcunhas, esse disco mostra a personalidade marcante do grupo dentro do indie nacional.

THE WALKMEN – Lisbon
Lisbon soa como amadurecimento. As faixas não tem pretensão de soarem pop ou urgentes, nem mesmo há algo que se assemelhe a um hit. Talvez “Stranded”, o primeiro single, mas o interesse aqui é conseguir criar empatia com a obra inteira. Há ecos de experimentações do Velvet Underground, uma inspiração já assumida pelo grupo e construções mais soturnas, como um Cocteau Twins um pouco mais pesado. Ouvintes fiéis do grupo perceberão que as guitarras do Walkmen ainda marcam presença, mas agora dividem espaço com piano e outros instrumentos, ainda mais do que antes.

JANELLE MONÁE – The ArchAndroid
Apadrinhada por Big Boi, do Outkast (que a chamou para cantar em seu elogiado disco novo), querida por blogueiros fashionistas e apressadamente chamada de diva do soul pela comunidade gay, Janelle Monáe foi o hype das vozes femininas do pop este ano. Seu disco, apesar de ser muito meticuloso, cativa pela produção impecável e por dar um novo sopro às vozes que dominam o pop há décadas. Hits como “Cold War” e “Tightrope” são passes da jovem para o panteão restrito desses artistas.

TULIPA RUIZ – Efêmera
Duas qualidades essenciais dessa estréia ainda são raras na música brasileira em 2010. Primeiro, a música está a serviço de ideias que fazem sentido até para pessoas adultas. Tem letras bem feitas, conjuga a inteligência da linguagem com leveza e diversão. E em segundo lugar, sua música parece tornar desnecessária a linha que separa a MPB do pop. Essa é uma qualidade que todo mundo persegue, desde a Tropicália dos anos 1960 (que é referência forte aqui), mas que poucas vezes é efetivada com naturalidade.

JONSI – Go
Para os admiradores do Sigus Rós é a oportunidade de prosseguir no sonho. Jónsi, no entanto, afasta-se dos ritmos lancinantes trip hop e pós-rock das principais canções de seu grupo e nos apresenta um universo musical mais refinado e menos sombrio, como se sozinho ele colocasse à mostra o lado mais alegre de sua alma. São nove canções de puro deleite sonoro, em que a bela voz de Jónsi aliada a melodias de sons suaves em que violinos, piano, instrumentos de sopro, cravo e uma percussão inspirada, nos leva por um universo mágico cujo efeito é inesquecível.

TAME IMPALA – Innerspeaker
A banda australiana Tame Impala lançou um dos mais interessantes discos de estreia do ano. Com forte inspiração na psicodelia, o reconhecimento do talento foi imediato, com intensa turnê e o topo da parada indie em seu país de origem. O som do grupo tem um apelo pop, com guitarras groove e, segundo a própria banda, uma proposta que também passeia pelo dream-pop.

VAMPIRE WEEKEND – Contra
Oriundos da prolífica fase do rock em que nerds produziram relevantes trabalhos nesta última década, o Vampire Weekend seguiu firme em seu segundo disco, depois de um elogiado trabalho de estreia. Inovaram mais uma vez por aprofundar ainda mais a fusão entre o pop e ritmos de outras vertentes, como sons da África, o que só revitaliza as comparações com David Byrne. Mas não é só o intercâmbio que faz o VW um nome importante. Esse Contra coloca o grupo no restrito time que se destaca por inovar.

THE NATIONAL – High Violet
O The National é o grupo com um dos maiores prestígios do indie rock. Por isso os vídeos e músicas vazadas ao longo desse ano movimentaram tantos fãs a aumentar a expectativa para este disco. A espera valeu a pena, já que esse disco supera os trabalhos anteriores da banda e se equipara ao clássico de estreia, Boxer. Um disco cheio de delicadeza, com letras bem trabalhadas sobre separação, cotidiano e claro, amor. Sem falar no estilo soturno e na voz empostada do líder Matt Berninger.

DO AMOR – Do Amor
O humor finalmente fez algo de bom para a música pop brasileira. Os cariocas da banda Do Amor fizeram uma interessante trabalho de misturar referências como Tropicália, forró, rock oitentista e até heavy metal. O resultado disso é um dos trabalhos mais criativos deste ano e que mostra o quanto a cena carioca anda gerando bons frutos para a safra musical recente. A impressão de ouvir o disco é de algo maturado. Cada faixa parece ser representante de uma ideia comum a todos. Lambada, rock brasileiro, brega, brit-pop, tudo é colocado com um tom zoação, mas sem parecer gratuito.

THE-DREAM – Love King
Este quarto álbum, é o melhor que este músico nascido na Carolina do Norte (EUA), já fez como artista solo. Com boas ideias no que diz respeito à produção, ele conseguiu fazer bons hits, com melodias que sabem aproveitar bem alguns clichês do R&B e do rap.

MATHEW DEAR – Black City
Um dos melhores discos de música eletrônica do ano, não há muito mistério essa afirmação para falar do novo trabalho do texano Matthew Dear. Mas esse Black City é mais do que esse rótulo fácil pode sugerir. Composto por diversas camadas, leva para longe a receita do minimal techno que fez a fama desse produtor e músico. Este é o quinto trabalho de Dear e o mais exitoso até agora. Com tantas críticas boas vindo de pessoas de fora do mundinho do eletrônico, ele agora pode escolher em tornar o seu som ainda mais acessível.

LCD SOUNDSYSTEM – This Is Happening
Último registro de um dos mais bem-sucedidos projetos do pop recente, o LCD Soundsystem colocou esse terceiro disco nas ruas anunciando que seria seu último. Liderado pelo megaprodutor James Murphy, colocou a dance music mais uma vez num lugar de destaque e flertou com o rock. Nesse último (literalmente) registro mostrou ainda mais afinidade com David Bowie, de quem parece querer herdar os vocais glam. Tem ainda hits divertidos como “Drunk Girls” e letras bastante inspiradas como “You Wanted A Hit” que discute a própria razão de existir da música pop.

HOT CHIP – One Life Stand
Em 2010, parece que o grupo se sentiu meio culpado por colocar todos para dançar loucamente e decidiu que é melhor levar seu público para casa. Para amar os pais, os irmãos e os filhos. Fazer todo pararem um pouco de dançar para arrumar namoros com longa duração e sair com os amigos, apenas, para jantar. É uma ousada guinada num grupo que era conhecido por cantar as frivolidades da vida noturna e eles se saíram bem. E essa busca por renovação só fez bem ao Hot Chip.

DEERHUNTER – Halcyon Digest
As críticas fervorosas de apreciação ao quarto trabalho dos americanos de Geórgia não poderiam ser mais justas. Halcyon Digest mostra o Deerhunter na sua melhor forma. A banda retoma a inventividade aliada a um lirismo que se tornou característica do grupo, gerando hits que prezam pela delicadeza (ou melancolia, como queira). Há também espaço para momentos de maior vigor, como a pesada e agitada “Desire Lines”. O Deerhunter é um pequeno tesouro do rock independente, amado por um séquito de fãs que o cultuam sem o mínimo interesse de ver a banda de Bradford Cox e companhia estourados pelos quatro cantos. Torcemos para que o Deerhunter alcance o sucesso que lhe é merecido, mas igualmente nos orgulhamos de adorá-los como uma iguaria rara.

THE ROOTS – How I Got Over
Talvez este não seja o disco mais pop que o grupo já fez, mas o espírito que transparece ao ouvindo é de deleite, desprendimento por uma proposta, que, dessa vez, parece priorizar a pura diversão. Os temas aqui, incluem certa poesia, como falar de espiritualidade, perseverança. A música de maior destaque é pura subjetividade, “Right On”, com a samplers da cantora folk-indie Joanna Newsom.

ROBYN – Body Talk
Versando sobre a pista de dança como divã e o corpo como mais importante meio de expressão, esta cantora sueca introduziu uma espécie de uma metalinguagem da própria dance music. E fez isso apenas com hits. Nenhum interlúdio ou enrolação foi preciso para a cantora deixar bem explícito suas ideias nesses álbuns. O álbum foi lançado anteriormente em três EPs com músicas incrivelmente dançantes e refrões convidativos. Essa trilogia conceitual é um dos projetos mais bensucedidos na música eletrônica nos últimos anos.

BIG BOI – Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty
Ele ficou meio à sombra de seu parceiro mais carismático, Andre 3000, no duo Outkast, um dos grupos de maior sucesso no Hip Hop mundial. Agora, Big Boi teve a chance de brilhar. Esta é sua estreia como artista solo e ele tem recebido boa acolhida da crítica e do público. Produtor prolífico e talentoso, o rapper utilizou o estúdio de sua banda, o Stankonia, em Atlanta e se cercou de bons produtores, entre eles, seu parceiro Andre. A produção do álbum também ficou marcada pela saída do músico da poderosa Jive Records, por não concordar com as estratégias de divulgação de que fazia.

MOMBOJÓ – Amigo do Tempo
A história da banda, que muitos pensavam ter terminado fica explícito nas letras. Soa como um disco de conciliação e aponta um novo caminho, um pouco distante das experimentações do passado. O que restou foi o namoro ainda maior com a música eletrônica, o que reforça as comparações da banda com o grupo norte-americano Stereolab, de quem a banda é fã. Esta nova fase atenua as pesquisas sonoras do grupo, e isso vem numa boa hora. Todas as canções do disco mostram um interesse em serem boas por si mesmas, com letras descomplicadas, que remetem a momentos do cotidiano, estados de espírito fáceis de se identificar.

ARIEL PINK’S HAUNTED GRAFFITI – Before Today
Este Before Today, como o nome obviamente alude, mostra que essa trajetória de ilustre desconhecido, loser da cena indie, valeu a pena. Além de que representa tudo o que a banda quis dizer nesses mais de dez anos gravando discos em profusão. Imagine aquele seu amigo nerd (ou hipster), chacotado por andar com suas músicas gravadas em cassetes ou CD-R, postadas em sites de post-rock e lançadas por selos minúsculos de Berlin, sendo elogiado por figurões como o Pitchfork, The Guardian, NYTimes. Não que a banda deva ligar (ou precisar) desse olhar “abalizado”, mas ainda quer dizer algo sobre parâmetros do que é sucesso, e o mais importante, os caminhos pra se chegar a ele.

MARCELO JENECI – Feito Pra Acabar
Uma das revelações do ano, Marcelo Jeneci lançou seu aguardado novo disco e comprovou que não ter medo de resvalar em clichês deu bastante certo. Suas músicas prezam pela riqueza dos arranjos e namoram com aquela música pop básica, mas que fala diretamente ao sentimento de quem houve. Essa parece ser a diretriz básica de Feito Pra Acabar, com letras feitas em parceria com Arnaldo Antunes. Depois de compor para artistas como Vanessa da Mata, Jeneci encontrou seu próprio espaço com um som que cativa já à primeira edição. Se destaca por se dar bem logo na estreia e entrega um disco que tem seu valor aumentado quando ouvido em conjunto, com seus pequenos detalhes, letras com histórias, melodias pra grudar no cérebro e outras surpresas.

KANYE WEST – My Beautiful Dark Twisted Fantasy
Só mesmo um artista ousado – e egocêntrico – como Kanye West para propor um trabalho tão ousado como este seu novo disco. Depois de conquistar um público fiel com seus últimos discos que já apresentavam uma produção sofisticada, West inovou ainda mais com seu estilo, em um disco praticamente impecável. Ele apresenta novidades para o Hip Hop, levando o gênero a outro patamar, abusando ainda mais de piano e do pop mais clássico. O rapper também decidiu fazer um álbum conceitual, ainda que cada canção em separada seja um hit e funcione bem separadamente. Mas, falando sobre sexo, o disco tem uma experiência mais rica quando escutado em conjunto, formando trincas épicas, como o funk sexy de “Devil in a New Dress” seguido de “Runaway”. Artista prolífico, West passou o ano divulgando novos trabalhos e aumentou ainda mais sua constelação de colaboradores, que vai de Rihanna ao cantor alt-folk Bon Iver.


BEACH HOUSE – Teen Dream
Depois de colocarem os ouvintes em um clima sacro em Devotion, que recebeu muitos elogios, a dupla de Baltimore Alex Scally e Victoria Legrand voltou-se para paisagens geladas da Europa para compor uma obra marcada pela melancolia e pela atmosfera de músicos como The Zombies e Big Star. Mas é a característica própria da música do duo que é destaque em Teen Dream. Em apenas três discos, o Beach House conseguiu imprimir um estilo próprio, facilmente reconhecível entre a profusão de novas bandas da cena independente. O disco trouxe hits como “Norway” e propostas mais experimentais como “Zebra”. Por seu caráter original, algo caro no contexto do pop atual, a banda lançou um dos melhores trabalhos deste ano.

ARCADE FIRE – The Suburbs

Num contexto em que as pessoas tem nicknames e vivem num mundo fragmentado, apressado, o Arcade Fire tem interesse em falar de coisas que se perdem nessas mudanças contemporâneas, de consumismo desenfreado. Não se trata de conservadorismo, nem nostalgia. The Suburbs expõe que os subúrbios irão embora de vez. A cada faixa, fica presente cenas lúdicas que remetem a um passado onde tudo parecia correr num tempo diferente. São cenas de tribos urbanas descendo a rua, casais esperando o tempo passar. Escritores e roteiristas já se saíram muito bem falando sobre a vizinhança, o pequeno universo do bairro, para então, conseguirem um alcance mais universal. O Arcade Fire quis fugir da metrópole justamente quando a banda alcança, enfim, renome global. E falou de bairros como uma idealização de um passado mais tranquilo, de quando as pessoas tinham tempo para perder/aproveitar uma com as outras. Desde que surgiu com Funeral (2004), a banda faz discos com conceitos bem pensados. No primeiro trabalho foram fúnebres ao utilizar a morte de vários parentes do grupo como inspiração para as canções. Em Neon Bible (2007), Win Butler, principal compositor e líder, quis falar sobre religião e televisão.

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