Como já é tradicional aqui na Revista O Grito!, encerramos as nossas atividades do ano com a lista dos melhores quadrinhos do ano. É nosso trabalho mais importante no especial que recapitula o melhor em diversas áreas da cultura. Convidamos jornalistas, críticos e demais profissionais da imprensa que cobrem a área de HQs para escolher as obras mais importantes de 2010. E o trabalho neste ano não foi fácil. Bons trabalhos foram lançados, com destaque para a produção nacional, que ganhou vez em praticamente todas as editores, grandes, pequenas ou novas.

Nosso principal critério para a lista é que os trabalhos fossem inéditos no Brasil. Além da qualidade do material, foi pedido aos votantes uma análise referente à edição das obras, já que a lista também serve para fazer um panorama do mercado editorial. Cada participante escolheu 10 títulos, em ordem de importância. O primeiro lugar recebia nota 10, para o segundo era atribuído nota nove, e assim por diante. Ao final, contamos todos os pontos e a que acumulou o maior número de boas posições nas listas individuais ficou em primeiro na geral. Os empates, que foram poucos, foram resolvidos pelos editores da revista.

Algumas HQs ficaram fora das 25 eleitas, mas foram votadas. São trabalhos criativos e merecem uma lembrança aqui. É o caso de Memória de Elefante, do ilustrador Caeto, que fez uma HQ autobiográfica, ainda pouco explorada entre os quadrinhistas brasileiros. O livro de estreia do cartunista João Montanaro, Cócegas no Raciocínio serve como registro de uma ainda iniciante, mas relevante, carreira desse artista de apenas 13 anos. Outros quadrinhos que por pouco não entraram no Top 25 foram Criminal, um dos mais importantes trabalhos de Ed Brubaker, e A Liga Extraordinária – 1910, história inédita da equipe criada por Alan Moore.

Vamos aos destaques deste ano. Acompanhe também nossa lista de música, videoclipes e discos.


Melhores de 2010 – Top 30 Videoclipes


Melhores de 2010 – Top 50 Músicas


Melhores de 2010 – Top 30 Discos

» Veja quem votou para escolher os melhores quadrinhos deste ano

25 – FRACASSO DE PÚBLICO DESENCONTRO DE TITÃS
Alex Robinson
[Gal Editora]

Segundo volume da elogiada HQ de Alex Robinson chegou às livrarias pela pequena Gal. É uma das séries independentes mais aclamadas nos EUA e mostra os personagens em meio a empregos ruins, encontros fracassados, fim de namoros e, neste caso, mortes quase trágicas. “O comediante Jerry Seinfeld certa vez definiu seu mega bem sucedido programa de TV como “uma série sobre o nada”. Pode-se dizer o mesmo de Fracasso de Público. E isso não é pouca coisa. A trilogia de Alex Robinson, publicada no Brasil pela Gal Editora, limita-se a retratar a vida nada excepcional de um grupo de amigos. Assim como em Seinfeld, cada capítulo da HQ – ou mesmo um certo número de páginas – é fechado em si mesmo, sem maiores preocupações com a chamada “continuidade”. – Jota Silvestre, no Papo de Quadrinhos.

24 – BONJOUR
Liniers
[Zarabatana Books]

A Zarabatana vem fazendo um bom trabalho ao publicar as tiras do cartunista argentino no Brasil. Depois de três volumes de sua principal obra, Macanudo, a editora lançou este título que traz os primórdios de Liniers, antes de sua aclamação. “No imaginário deste artista estão personagens inusitados, experiências surreais e um olhar mais delicado sobre situações banais do cotidiano. O banal é matéria-prima de primeira qualidade para Liniers. Conhecido por sua uma subjetividade aliada à muita experimentação, este autor conseguiu se fazer conhecido em outros países através da internet. – Paulo Floro, no JC Online.

23 – GEFANGENE – SEM SAÍDA
Koostela
[Zarabatana Books]

Com um inovador uso dos quadros, o cartunista brasileiro Koostela usou sua experiência no exterior para fazer uma delicada – mas contudente – obra sobre as prisões, em qualquer lugar e época. “Sem nenhum balão, legenda ou qualquer tipo de texto, Gefangene surpreende por transportar o leitor para a atmosfera do claustro com bem pensadas ideias estéticas e narrativas. Primeiro, ele fez 31 pequenas histórias contadas em nove quadros de tamanhos idênticos. Essa rigidez na narrativa sequencial causa incômodo no leitor, perturba ao mesmo tempo que ajuda a compreender melhor a ideia de estar aprisionado”. – Paulo Floro, na Revista O Grito!

22 – (SIC)
Orlandeli
[Conrad]

Já conhecido por seus exercícios estéticos nas tiras, Orlandeli teve seu trabalho compilado neste álbum da Conrad. “São histórias que conservam o molde da tira, mas apresentam ao leitor temas livres, marcados pela experimentação gráfica, sem a piada final. O tom de crônica das narrativas de estreia ficava ainda mais evidente. Com Sic, Orlandeli se soma ao grupo de autores brasileiros que tem reinterpretado a tira e dado a ela uma nova cara, diferente de como vinha sendo feita até então. Alguns dos resultados que ele obtém são excepcionais, tanto em conteúdo quanto no aspecto gráfico. São tiras que mereciam uma antologia como esta, obra que ajuda a dar a real dimensão de tudo o que elas apresentam. – Paulo Ramos, no Blog dos Quadrinhos.

21 – MACANUDO VOLUME 3
Liniers
[Zarabatana Books]

Terceiro volume das tiras do cartunista argentino Liniers, que era conhecido pela internet, através de seus blogs e que agora ganha coletâneas da série Macanudo, pela Zarabatana. “A arte de Liniers é genial. Suas lúdicas cores aquareladas e o formato peculiar de seus personagens já fazem escola no Brasil (vide os trabalho mais recentes do jovem cartunista João Montanaro). Para destacar duas tiras sobre seu trabalho com cores, procure a da Henriqueta, na página 28, e a de um personagem que vê uma borboleta, na 45. Em ambas, o autor usa a transição da tira em branco e preto para uma colorida para mostrar como pequenas coisas alegram a vida. – Zé Oliboni, no Universo HQ

20 – BATMAN E ROBIN
Grant Morrison e Frank Quitely
[Publicado na revista mensal Batman, Panini]

Uma das séries mais faladas, Batman & Robin chega às bancas depois de uma controversa fase do Homem-Morcego, em que diversos personagens disputavam o capuz depois de sua morte. Marca o retorno da dupla criativa Morrison e Quitely. “Desde que foi criado em 1939, vários Batmen existiram. Cada um representa a visão de um escritor ou artista e todos são diferentes entre si. É este o poder que esses ícones representam na cultura pop: atravessam décadas, e continuam exercendo o mesmo fascínio. Essas mudanças que incomodam fãs puristas e confundem leitores eventuais são necessários numa indústria que acumula décadas de cronologia. Na fase atual, Batman é Dick Grayson, que já foi o primeiro Robin e que antes atuava como o herói Asa Noturna. O garoto-prodígio da vez é Damian Wayne, o filho do homem-morcego original. Essa dupla improvável está rendendo boas histórias escritas pelo polêmico Grant Morrison e desenhada pelo premiado Frank Quitely. – Paulo Floro, no JC Online.

19 – YEASHUAH – O CÍRCULO INTERNO O CÍRCULO EXTERNO
Laudo Ferreira e Omar Viñole
[Devir]

A segunda parte da elogiada série dos quadrinhistas Laudo Ferreira e Omar Viñole, que mostra a saga de Jesus contada de maneira realista e, por vezes, até mesmo naturalista. “O interessante no trabalho é que o autor realmente construiu a sua versão sobre a vida de Jesus Cristo. E vem fazendo isso de uma forma que a trama possa ser atrativa até um leitor que não tenha qualquer convicção religiosa. Na arte, Laudo optou por um desenho mais solto e, algumas vezes, caricatural, que funciona bem com o roteiro. No entanto, o ponto alto está na narrativa, com bom uso da diagramação das páginas e das variações de “câmeras”. Destaque também para a competente arte-final de Omar Viñole, com um belo jogo de luz e sombras”. – Sidney Gusman, no Universo HQ.

18 – AS INCRÍVEIS AVENTURAS DO ESCAPISTA
Vários artistas
[Devir]

Um herói da Era de Ouro, que na verdade, nunca existiu. Essa proposta criativa usa a metalinguagem das HQs e teve participações de nomes como Will Eisner. “É uma espécie de homenagem aos criadores do Superman, Jerry Siegel e Joe Shuster, no que eles têm de mais ingênuos e criativos. Como afirmou o editor do livro, Leandro Luigi Del Manto, é uma espécie de “Forrest Gump” dos quadrinhos. O time que acietou participar da empreitada é de primeira: Howard Chatkin, Brian K. Vaughn, Harvey Pekar, Steve Lieber e até Will Eisner. O Escapista é uma espécie de Houdini, que usa uma chave como amuleto que lhe dá poderes para escapar de todas as armadilhas e prisões. Edição bem acabada e colorida, vale o investimento”. – Paulo Floro, na Revista O Grito!

17 – TAXI
Gustavo Duarte
[Independente]

O autor brasileiro Gustavo Duarte alcançou notoriedade com sua HQ independente Có. Agora, sua nova obra, Taxi, teve o mesmo prestígio e confirma o quadrinhista como um das revelações este ano. “Mais uma vez, ele aposta numa narrativa sem nenhum balão de texto, o que dá margem para mostrar seu domínio das técnicas de narrativa de uma história em quadrinhos. É quase possível enxergar o movimento dos personagens entre uma cena e outra. E a variação das expressões faciais, tanto nos seres humanos, quanto nos antropomorfizados, é de tirar o chapéu”. – Sidney Gusman, no Universo HQ.

16 – PEQUENOS HERÓIS
Vários artistas
[Devir]

Um tributo ao gênero super-heróis, numa HQ sem palavras. Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Aquaman, Flash, Caçador de Marte e Canário Negro são os personagens representados. Basta ler as oito histórias em quadrinhos de Pequenos heróis para se ter certeza de que atos de bravura não são exclusividade de seres de Krypton, de Marte ou do fundo do mar. Ou de mulheres amazonas como a cena acima pode sugerir. Com roteiro de Estevão Ribeiro – também editor do álbum, ao lado de Mário César – e arte de gente como Fernanda Chiella (acima), Emerson Lopes, Raphael Salimena e Vitor Cafaggi, o livro traz HQs sem palavras que prestam homenagem a alguns dos heróis da DC Comics. – Telio Navega, no Gibizada.

Assim, qualquer pessoa de qualquer parte do mundo pode ler e entender perfeitamente as histórias.

15 – KICK-ASS
Mark Millar e John Romita Jr.
[Panini]

A polêmica HQ de Mark Millar ganhou uma versão de luxo pela Panini, aproveitando a passagem rápida do filme pelos cinemas. O autor explora a violência enquanto gênero para falar de um super-herói realista. “A violência no universo de Millar não é um fim, mas um meio, uma forma de expor que nas pessoas comuns e suas rotinas, reside também uma violência, algo que distorce a ideia do caráter inofensivo de gente simples. Kick-Ass sai dos subúrbios para lutar contra o crime, mas acaba tendo contato com uma dupla de pai e filha, que ao contrário de sua inexperiência, são exímios matadores. Ele próprio acabará se transformando no que no fundo sempre fantasiou”. – Paulo Floro, na Revista O Grito!

14 – XAMPU
Roger Cruz
[Devir]

Anos depois sem lançar um álbum autoral e por muito tempo dedicado ao mercado norte-americano, o desenhista brasileiro Roger Cruz publica sua obra mais importante. “O livro é uma viagem com toques autobiográficos, sobre amores e ilusões dos anos 1980. Trata de filmes, livros, estilo e memórias daquela época, com certa idealização romântica por parte do autor. É um álbum emotivo, um dos melhores trabalhos de Cruz. Artista de estilo mutante, este trabalho mostra um lado pouco conhecido de quem ficou conhecido por títulos como X-Men, em sagas famosas, como A Era do Apocalipse (1997)”. – Paulo Floro, na Revista O Grito!

13 – NAMOR PROFUNDEZAS
Peter Milligan e Esad Ribic
[Panini]

Parte da coleção que publicou histórias do selo Marvel Knights, o personagem Namor ganha sua obras mais relevante desde que foi criado. “A grande cartada da história é não colocar Namor como protagonista e, sim, como um mistério do qual você só tem alguns vislumbres. Nada de sunguinhas de escamas ou longos papos a la Greenpeace sobre como os humanos estão ameaçando os oceanos. A belíssima arte de Esad Ribic nos mostra um Namor de olhos negros, sem pupila, pele pálida, dentes afiados, um ser quase onipresente no mar. A narrativa é guiada pela voz em 1º pessoa do Dr. Stein, enquanto escreve em seu diário, o que leva à HQ, uma atmosfera fantástica de Júlio Verne e outras obras das quais faz citações diretas como Moby Dick, de Herman Melville”. – Társio Abranches, na Revista O Grito!

12 – POEMA EM QUADRINHOS
Dino Buzzatti
[CosacNaify]

Depois de anos desconhecida do público brasileiro, o jornalista e artista plástico Dino Buzzatti tem sua famosa obra Poema em Quadrinhos publicada. A obra reconta o mito de Orfeu. “Do escritor, jornalista e artista plástico italiano Dino Buzzati vem uma obra inclassificável, que varia muito mais do subjetivo ao objetivo, e garante interpretações e descobertas a cada releitura. A história conta os percalços de Orfi, um cantor que encanta o sexo oposto com suas canções pop, mas sofre com a perda de sua amada Eura”. – Marcelos Santos Costa, na Revista O Grito!

11 – O QUE ACONTECEU AO HOMEM MAIS RÁPIDO DO MUNDO
Dave West e Marleen Lowe
[Gal Editora]

A história de um homem comum com um incrível poder conquistou o mercado independente norte-americano. Ele consegue parar o tempo e precisa resolver o problema de salvar centenas de pessoas de uma ameaça de bomba. Saiu pela Gal, que ainda incluiu diversos extras. “Com roteiro de Dave West e arte de Marleen Lowe, “O que aconteceu ao homem mais rápido do mundo?” é uma HQ britânica, da pequena editora Accent UK, especializada em quadrinhos independentes. E, se levarmos em consideração este lançamento, que fala de atos de heroísmo verdadeiros, deve vir mais coisa boa de lá”. – Telio Navega, no Gibizada.

10 – O FOTÓGRAFO VOLUME 3
Didier Lefèvre, Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier
[Conrad]

Um dos projetos mais ousados dos quadrinhos, enfim, ganha seu aguardado terceiro volume pela Conrad. O livro, mais uma vez, mistura jornalismo, fotografia e HQ numa obra inovadora. “É hora de cobrir a lente e se despir da máquina que prende o fotógrafo com uma corda que, se não é umbilical, é memorial. Nos despedimos de Didier Lefèvre mais de três anos depois de sua morte, em janeiro de 2007. Lefèvre se despede de seu relacionamento com o Afeganistão na edição de O Fotógrafo 3, capa dura, título verde floresta em cima da foto cinza deserto de dois jovens e seus brinquedos: uma AK-47 e uma espingarda” – Carol Almeida, no Zuper (link inativo).

9 – LOGICOMIX
Apostolos Doxiadis, Christos H. Papadimitriou, Alecos Papadatos, Annie Di Donna
[WMF Martins Fontes]

Elogiada HQ grega chega ao Brasil sem muito alarde pela WMF Martins Fontes. Conta a história do jovem filósofo inglês Bertrand Russel e os fundamentos da matemática. “Não menos intrincada é a forma da narrativa. Como uma matrioska, a boneca russa que contém outras similares dentro de si, ela se constrói em camadas, na definição de Doxiadis. A exterior tem como personagens os autores da HQ, envolvidos na tentativa de esclarecer para eles mesmos o que será tratado nas páginas a seguir. Eles apresentam os fatos da segunda camada, na qual Russell chega a uma universidade americana, em 4 de setembro de 1939 – logo depois de o Reino Unido entrar na 2ª Guerra -, convidado a palestrar sobre a lógica nas questões humanas. É abordado na entrada por manifestantes, que clamam por seu apoio pela não-participação dos EUA no conflito, e os convence a entrar no auditório para ouvi-lo”. – Raquel Cozer, no O Estado de S. Paulo.

8 – MSP+50
Vários Artistas
[Panini]

Segundo volume da trilogia que homenageia os 50 anos do criador da Turma da Mônica, Maurício de Sousa. Organizado por Sidney Gusman, editor do Universo HQ, a obra mostra as criações de Maurício imaginada por artistas brasileiros. “O que poderia parecer uma tentativa saturada de redesenhar personagens e apostar duas vezes o mesmo número num jogo de roleta se desvela como mais uma agradável surpresa tanto para quem, um dia, já leu a Turma da Mônica, ou para quem é fã de uma boa história em quadrinhos ou, em alguns casos, de uma ilustração daquelas de encher os olhos”. – Carol Almeida, no Terra.

7 – MUCHACHA
Laerte
[Quadrinhos na Cia / Companhia das Letras]

Um ano para ficar na história do cartunista Laerte. Depois da consagração de crítica com suas tiras mais recentes, ele coroa essa fase com a publicação de suas tiras semanais na Folha de S. Paulo, que contam histórias sobre bastidores de TV, em mais uma de suas experimentações de linguagem. “As tiras misturam trechos do programa com bastidores das gravações. Esse tipo de narrativa sobre uma obra em construção já foi utilizada em outros meios, como o cinema, mas nos quadrinhos é uma experiência recente. E Laerte faz isso muito bem. Originalmente as tiras foram publicadas na Folha de S.Paulo. Com a compilação em livro ficou mais fácil de entender a história. É que essa fase atual de Laerte não se rende ao riso, como estamos acostumados. Por isso, reunidas, o trabalho do autor paulista faz mais sentido”. – Paulo Floro, no JC Online.

6 KIKI DE MONTPARNASSE
José-Louis Bocquet e Catel Muller
[Galera Record / Record]

Na Paris dos anos 1920, o bairro de Montparnasse congregava um grande número de artistas. E Kiki, uma das primeiras mulheres emancipadas do mundo, estava entre eles. “Exótica. O livro detalha a vida da francesa, nascida Alice Prin e criada pela avó, desde a infância pobre na vila de Châtillon-sur-Seine até a morte, mais uma vez sem dinheiro e vivendo às custas de amigos. No ínterim, descreve a ascensão da musa de corpo roliço e beleza exótica que, ainda adolescente, começou a posar nua para escultores. E passa pelos anos em que conviveu com nomes como Picasso e Jean Cocteau, destacando-se não só como modelo, cantora e atriz de filmes experimentais – de René Clair e Fernand Léger, entre outros -, mas também como, ela própria, pintora e desenhista”. – Raquel Cozer, n’O Estado de S. Paulo

5 – SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO
Brian Lee O’Mayley
[Quadrinhos na Cia / Companhia das Letras]

HQ que une linguagens caras ao geeks dos tempos modernos – quadrinhos e games – ganhou edição cuidadosa da Companhia das Letras, que organizou a obra em três edições. A relevância do gibi para o mercado editorial recebeu ainda a colaboração do filme, que mesmo tendo um lançamento vergonhoso nos cinemas daqui, ficou bastante conhecido através da internet. “Toda essa repercussão parece natural para quem leu, pois o canadense Bryan Lee O´Malley usa e abusa de referências pop que vão desde a influência do mangá (a japonesice dos olhos grandes, leitura ágil, diagramação oblíqua, privilégio da ação), super-heróis, videogames, música pop, comédias românticas de Hollywood. É um universo indie nerd retratado com extrema fofice, garantindo que homens de 20 a 40 anos vão gostar e suas namoradas também, irmãos adolescentes ou mais novos”. – Germano Rabelo, na Revista O Grito!

4 – CACHALOTE
Daniel Galera e Rafael Coutinho
[Quadrinhos na Cia / Companhia das Letras]

Uma das obras mais comentadas e aguardadas do ano, o status que Cachalote teve em importância para sua editora é praticamente inédito. Fruto de uma parceria do escritor Daniel Galera e o desenhista Rafael Coutinho, mostra diversas histórias aparentemente desconexas sobre o cotidiano e os relacionamentos. “A fixação por animal semelhante levou o capitão de um certo baleeiro à loucura e, muitas páginas depois, à morte. Mas, no caso dos paulistas Daniel Galera e Rafael Coutinho, a paixão pelo gigantesco mamífero marinho, semelhante à baleia Moby Dick, do escritor Herman Melville, fez com que a dupla produzisse “Cachalote” (Companhia das Letras), história em quadrinhos que é uma das mais aguardadas do ano. A ansiedade se justifica por duas razões. Primeiro, porque “Cachalote” é a primeira de um projeto que pretende lançar outras HQs assinadas por escritores e desenhistas — já há quase uma dezena de parcerias em andamento. E também pela experiência de cada um dos autores”. – Telio Navega, no Gibizada.

3 – CICATRIZES
David Small
[Barba Negra / Leya]

Principal lançamento da Barba Negra/Leya, Cicatrizes, de David Small retoma um gênero caro aos quadrinhos, que são as narrativas autobiográficas, que já renderam obras importantes como Maus e Fun Home. Desta vez conta a história do autor, que sofria de câncer. “Depois do excelente álbum “Epilético”, lançado em dois volumes pela Conrad, onde o quadrinista David B. conta como lidou com a epilepsia de seu irmão, agora chega ao Brasil outro álbum sobre dramas pessoais, desta vez pelos selos LeYa Cult e Barba Negra. Em “Cicatrizes”, David Small compartilha com o leitor como encarou a vida depois que arrancaram suas cordas vocais na adolescência por conta de um câncer. Este filme mudo disfarçado de livro foi indicado para importantes prêmios, como o Harvey Award e o Eisner Awards 2010″ – Pedro de Luna, no JBlog Quadrinhos, do Jornal do Brasil.

2 – NOTAS SOBRE GAZA
Joe Sacco
[Quadrinhos na Cia / Companhia das Letras]

Um dos mais importantes quadrinhistas norte-americanos e tido como criador do gênero jornalismo em quadrinhos, Joe Sacco publica no Brasil sua mais importante obra, Notas Sobre Gaza. Trata-se de uma narrativa que remonta episódios esquecidos pelo mundo e adiciona novos elementos no complexidade que é a crise no Oriente Médio. Sacco registrou através de memória das testemunhas dois massacres ocorridos em bairros palestinos por militares judeus. “A publicação de Notas Sobre Gaza, do cartunista e jornalista Joe Sacco, é das melhores notícias do ano para quem gosta de HQ. Em termos de impacto, acho comparável só a Maus, do Art Spiegelman, com diferenças essenciais – para ficar em duas, o fato de Maus ser mais memorialístico que investigativo num sentido jornalístico e de Notas Sobre Gaza recriar cenário de detalhes infinitamente menos conhecidos.

1 – BANDO DE DOIS
Danilo Beyruth
[Zarabatana Books]

Depois de construir sua carreira com o independente Necronauta, Danilo Beyruth lançou Bando de Dois, uma narrativa que transfigura o sertão dos cangaçeiros para uma estética e referências do cowboy americano. Saiu pela Zarabatana. A história mostra dois cangaçeiros à caça dos assassinos de seu bando. “O trabalho de Beyruth envereda por uma trilha pouco explorada nas narrativas gráficas nacionais mais longas, a da ação. Ora mais, ora menos, ela está presente em toda a obra. Não por acaso o autor e a editora rotularam o álbum como um bangue-bangue à brasileira. Há, de fato, os elementos centrais do gênero. Mas o brilho está no modo de narrar. Os desenhos de Beyruth casam com a ambientação que ele se propôs a criar para a trama. E ele constrói pelo menos um segundo momento que ajuda a dar aquele algo a mais à obra. (…) Com este novo álbum, Beyruth mostra que é capaz de muito mais. Ele criou um dos principais álbuns do ano. No atual mercado de quadrinhos brasileiro, há obras que conquistam fama no grito e outras que se firmam por méritos próprios. “Bando de Dois” se enquadra no segundo caso”. – Paulo Ramos, no Blog dos Quadrinhos.

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